Pretos e pardos nas eleições 2026: veja como ficou a representação política

Apesar de representarem quase metade das candidaturas, pretos e pardos terão 26,3% das vagas na Câmara; número de eleitos caiu em relação a 2022.
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As eleições de 2026 reduziram a presença de deputados federais autodeclarados pretos e pardos na Câmara dos Deputados. Dos 513 parlamentares eleitos no primeiro turno, realizado no domingo (4), 135 são negros, o equivalente a 26,3% das cadeiras. O número representa uma queda em relação aos 139 eleitos em 2022.

A redução ocorreu mesmo com a participação expressiva de candidatos negros na disputa eleitoral. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados durante o período de registro de candidaturas mostravam que pretos e pardos representavam aproximadamente metade dos concorrentes às vagas legislativas.

O resultado evidencia uma diferença entre a presença de pessoas negras nas candidaturas e a quantidade de representantes que efetivamente conquistam mandatos. A nova composição da Câmara tomará posse em fevereiro de 2027.

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Número de deputados negros cai em relação a 2022

O levantamento sobre a nova composição da Câmara mostra que 135 deputados federais eleitos em 2026 se autodeclararam pretos ou pardos.

Na eleição anterior, em 2022, esse grupo havia conquistado 139 cadeiras. A diferença representa uma redução de quatro parlamentares.

Os 135 eleitos correspondem a aproximadamente 26,3% dos 513 integrantes da Câmara dos Deputados.

Já os parlamentares autodeclarados brancos ocuparão 374 cadeiras. Outros três eleitos se declararam indígenas e um se identificou como amarelo.

Os números consideram as informações de raça ou cor declaradas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.

Negros eram quase metade dos candidatos

A diferença entre candidaturas e eleitos fica mais evidente quando os resultados são comparados aos dados divulgados pelo TSE antes da votação.

Em agosto, os registros indicavam 10.224 candidatos autodeclarados pretos ou pardos, equivalentes a 49,9% das 20.496 candidaturas apresentadas até aquele momento.

Os candidatos brancos somavam 9.974 registros, representando 48,7% do total.

Entre os candidatos negros, 7.430 se declararam pardos e 2.794, pretos.

Os números de agosto eram preliminares e estavam sujeitos a alterações durante a análise dos registros de candidatura.

Ainda assim, a comparação mostra que a participação de pessoas negras entre os concorrentes era significativamente superior à proporção de cadeiras conquistadas na Câmara.

Pesquisadora aponta sub-representação persistente

Para a cientista política Evelyn Apolinária, professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), a redução de quatro cadeiras não é o principal aspecto do resultado.

Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora destacou que a presença de parlamentares negros permanece distante da participação desse grupo na população brasileira.

Segundo ela, a diferença demonstra que o crescimento das candidaturas não se traduz necessariamente em maior representação no Congresso Nacional.

A análise considera que pessoas pretas e pardas correspondem a mais da metade da população brasileira, conforme o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo assim, terão pouco mais de um quarto das cadeiras da Câmara na próxima legislatura.

Assembleias estaduais também apresentam desigualdade

A diferença de representação também aparece nas eleições para deputado estadual e distrital.

Levantamento publicado pelo NC News, com base em dados do TSE, mostrou que 332 dos 1.059 deputados estaduais e distritais eleitos em 2026 se autodeclararam pretos ou pardos.

O número corresponde a 31,4% das vagas.

Entre os eleitos, 271 se declararam pardos e 61, pretos. Outros 719 parlamentares se identificaram como brancos.

O levantamento identificou ainda quatro indígenas e quatro representantes autodeclarados amarelos.

Pessoas brancas serão maioria em 22 das 27 Casas legislativas estaduais e distrital analisadas.

Amazonas, Amapá e Tocantins têm maioria de deputados negros

A distribuição dos parlamentares pretos e pardos varia significativamente entre os estados.

O Amazonas terá a maior proporção de deputados estaduais negros: 14 dos 24 eleitos, aproximadamente 58% da Assembleia Legislativa.

Amapá e Tocantins aparecem na sequência, com 13 parlamentares negros entre as 24 vagas de cada estado, o equivalente a 54,2%.

Essas são as três únicas unidades da Federação em que pretos e pardos conquistaram mais da metade das cadeiras estaduais.

Em números absolutos, a Bahia lidera com 31 deputados estaduais negros eleitos entre as 63 vagas disponíveis.

O Rio de Janeiro terá 26 representantes pretos ou pardos, enquanto Minas Gerais contará com 25.

Alagoas e Santa Catarina não elegeram deputados estaduais negros

Na outra ponta do levantamento estão Alagoas e Santa Catarina.

Todos os 27 deputados estaduais eleitos em Alagoas se autodeclararam brancos. Em Santa Catarina, os 40 parlamentares escolhidos também se identificaram como brancos.

No Rio Grande do Sul, apenas três dos 55 deputados estaduais eleitos são negros.

O Paraná elegeu quatro parlamentares pretos ou pardos entre as 54 cadeiras disponíveis.

Em São Paulo, maior Assembleia Legislativa do país, 18 dos 94 deputados estaduais eleitos se autodeclararam negros, correspondendo a 19,1% do total.

O que explica a diferença entre candidaturas e eleitos?

A quantidade de candidaturas registradas não determina, isoladamente, o número de cadeiras conquistadas por determinado grupo.

Nas eleições proporcionais, utilizadas para escolher deputados federais, estaduais e distritais, o resultado depende dos votos recebidos pelos candidatos e também do desempenho dos partidos e federações.

Além disso, a competitividade das candidaturas pode ser influenciada por fatores como recursos de campanha, estrutura partidária, exposição pública e trajetória política.

A legislação eleitoral estabelece regras para a destinação de recursos públicos e de tempo de propaganda a candidaturas de pessoas negras.

A existência dessas regras, entretanto, não significa que a proporção de parlamentares eleitos será equivalente à participação do grupo entre os candidatos.

Nova composição assume em 2027

Os deputados federais eleitos em outubro iniciarão seus mandatos em fevereiro de 2027.

A Câmara terá 513 parlamentares, responsáveis por discutir e votar projetos de lei, analisar propostas orçamentárias e fiscalizar atos do Poder Executivo.

Com 135 representantes autodeclarados pretos ou pardos, a próxima legislatura terá uma proporção de parlamentares negros inferior à observada entre os candidatos e na população brasileira.

O resultado mantém em discussão os desafios relacionados à participação política e à representação racial nas instituições legislativas do país.

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