Nunes Marques suspende canal de Janones após pedido de Flávio Bolsonaro

Decisão do presidente do TSE foi tomada antes de o corregedor concluir a análise de esclarecimentos solicitados à campanha do senador; caso envolve acusações de desinformação eleitoral.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones no WhatsApp. A decisão atendeu a um pedido do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, que acusa o grupo de disseminar desinformação contra sua campanha.

A ordem prevê que a plataforma suspenda o canal em até três horas após a notificação. A medida impede novas publicações e a entrada de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026.

O canal reunia mais de 3 milhões de seguidores. Na avaliação de Nunes Marques, a retirada pontual de mensagens não seria suficiente para conter a circulação de conteúdos considerados irregulares pela Justiça Eleitoral.

Nunes Marques manda suspender canal “Exército do Lula” no WhatsApp

Decisão ocorreu antes de manifestação das partes

A determinação chamou atenção porque foi tomada antes da conclusão de uma etapa anterior do processo conduzida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

No sábado (10), Cueva havia dado prazo de 72 horas para que a campanha de Flávio Bolsonaro apresentasse esclarecimentos sobre os pedidos feitos em uma ação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e André Janones. O corregedor também solicitou informações para delimitar as medidas pretendidas pela campanha.

A decisão de Nunes Marques foi tomada antes que esses esclarecimentos fossem apresentados. O episódio expôs uma diferença na condução das medidas judiciais relacionadas ao mesmo caso, já que o presidente do TSE determinou a suspensão do canal enquanto a análise anterior ainda estava em andamento.

O que a campanha de Flávio Bolsonaro alega

A representação sustenta que o canal era utilizado para organizar a divulgação em massa de conteúdos contra Flávio Bolsonaro. Segundo a campanha, integrantes recebiam orientações para compartilhar mensagens nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

Entre os conteúdos questionados estão mensagens sobre supostas ligações do candidato com milícias e alegações de que ele pretendia alterar benefícios sociais, aposentadorias e o Bolsa Família. A campanha também pediu outras medidas relacionadas a publicações digitais e à atuação de Janones.

As acusações são alegações apresentadas no processo e devem ser diferenciadas de conclusões definitivas sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Lula e Janones criticam a suspensão

Lula criticou a decisão e afirmou desconfiar da atuação da Justiça Eleitoral. A equipe do presidente informou que pretende questionar a medida no tribunal.

Janones também classificou a suspensão como censura e afirmou que continuará mobilizando apoiadores por outros canais digitais. A contestação do deputado se concentra na retirada do espaço usado para divulgar conteúdos e organizar a participação de seus seguidores.

Entenda o contexto

A disputa ocorre durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, quando campanhas intensificam a comunicação por redes sociais e aplicativos de mensagens. A Justiça Eleitoral pode determinar medidas para conter propaganda irregular e desinformação, mas decisões dessa natureza também levantam debates sobre liberdade de expressão, direito de defesa e proporcionalidade das restrições.

O caso envolve pedidos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro contra Lula, Geraldo Alckmin e André Janones. Além da suspensão do canal, a ação inclui solicitações relacionadas a publicações e à mobilização digital. A discussão judicial deve esclarecer o alcance das medidas e as responsabilidades atribuídas aos envolvidos.

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