O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e candidato à reeleição pelo PT, pediu que seus apoiadores intensifiquem a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições de 2026. A declaração foi feita na tarde deste domingo (11), durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu lideranças políticas, movimentos sociais e apoiadores da candidatura petista.
Durante o discurso, Lula destacou a importância de convencer os brasileiros que deixaram de votar a participar do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O presidente também fez críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente pela condução da pandemia de Covid-19, e apresentou propostas para um eventual novo mandato.
A manifestação contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da ex-ministra Marina Silva, do ministro Guilherme Boulos e dos governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.
Lula e Flávio Bolsonaro fazem campanha no mesmo dia em São Paulo, onde a direita venceu com folga
Lula pede mobilização de eleitores que não votaram no primeiro turno
Uma das principais mensagens do presidente foi direcionada aos brasileiros que não participaram da primeira etapa da eleição. Lula afirmou que a campanha precisa dialogar especialmente com pessoas que perderam o interesse pela política e com eleitores mais velhos, para os quais o voto é facultativo a partir dos 70 anos.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar”, afirmou Lula.
O presidente argumentou que a participação eleitoral também representa uma responsabilidade com as próximas gerações. Segundo ele, mesmo quem não deseja votar por interesses pessoais deve considerar o futuro dos filhos, netos e bisnetos.
A declaração ocorre em um momento de intensificação das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência no segundo turno. A mobilização de eleitores ausentes e a busca por votos de quem apoiou outros candidatos estão entre os desafios das duas candidaturas.
Presidente critica Bolsonaro pela condução da pandemia
Em outro momento do discurso, Lula relembrou sua trajetória política e sindical, mencionou o combate à fome e afirmou que as demandas da população brasileira vão além da garantia de alimentação.
O petista disse que, durante a campanha, ouviu reivindicações por mais acesso à cultura, liberdade, democracia e participação popular nas decisões do governo.
Ao abordar a importância de preservar conquistas sociais, Lula fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sem mencioná-lo nominalmente naquele trecho, responsabilizando sua gestão por decisões tomadas durante a pandemia de Covid-19.
“Porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina”, afirmou Lula.
A crítica faz referência à postura de Bolsonaro durante a crise sanitária, período em que o então presidente questionou medidas de prevenção e defendeu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.
Lula também utilizou o discurso para defender a democracia e ressaltar o papel dos jovens na participação política. Segundo ele, a mobilização da juventude representa uma demonstração de interesse nas decisões sobre o futuro do país.
Lula promete revolução tecnológica e mudanças na segurança pública
Além das críticas ao governo anterior, o presidente apresentou prioridades para um eventual novo mandato. Entre os principais compromissos mencionados estão a formação de profissionais em inteligência artificial, o desenvolvimento da indústria digital, a transição energética e mudanças na segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital. A gente vai ter que fazer a evolução energética”, declarou.
Na área da segurança, Lula defendeu medidas para combater a criminalidade e garantir mais tranquilidade à população.
“A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, afirmou.
As propostas foram apresentadas como compromissos de campanha para um possível próximo governo, sem detalhamento de investimentos, prazos ou medidas específicas de implementação.
Alckmin faz críticas a Flávio Bolsonaro
O vice-presidente Geraldo Alckmin também discursou durante a manifestação e direcionou críticas ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Ele acusou o senador de mentir sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Alckmin questionou declarações atribuídas ao adversário sobre encontros, viagens e pedidos de recursos ao empresário. As acusações foram apresentadas pelo vice-presidente durante o ato e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.
O vice-presidente também defendeu a continuidade do governo Lula e destacou ações da atual gestão nas áreas de educação, saúde e políticas sociais.
Segundo turno será disputado em 25 de outubro
O ato na Avenida Paulista integra a estratégia de mobilização da campanha de Lula para a reta final da disputa presidencial. São Paulo tem importância especial por reunir o maior eleitorado do país.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 51,93% dos votos válidos no estado de São Paulo, enquanto Lula obteve 38,20%. Na capital paulista, o resultado foi diferente: o petista alcançou 46,58%, contra 42,13% do adversário.
A diferença entre os resultados estaduais e os da capital ajuda a explicar a intensificação das agendas dos dois candidatos na região.
Até 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro devem ampliar os compromissos de campanha, buscar apoio de novos eleitores e apresentar propostas para o próximo mandato presidencial. A definição ocorrerá nas urnas, quando os brasileiros voltarão a votar para escolher o presidente da República.