Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a mobilização para o segundo turno neste domingo (11), com agendas distintas em São Paulo. Enquanto Lula reuniu milhares de apoiadores na Avenida Paulista e direcionou parte do discurso à juventude, Flávio participou de um encontro com prefeitos e lideranças políticas, alertando aliados para que não adotem um clima de vitória antecipada.
As movimentações ocorreram a duas semanas da votação, marcada para 25 de outubro. De um lado, a campanha petista busca ampliar a participação popular e conquistar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Do outro, o candidato do PL procura fortalecer a atuação de lideranças municipais e manter seus apoiadores mobilizados até o dia da eleição.
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Na Avenida Paulista, Lula participou da Marcha pela Democracia, organizada por movimentos sociais, entidades estudantis e partidos de esquerda. A manifestação ocupou cerca de 12 quarteirões da via, segundo os organizadores, mas não houve divulgação de uma estimativa oficial de público.
O ato também teve manifestações em outras cidades brasileiras. De acordo com o comitê responsável pela organização, atividades foram realizadas em 76 cidades além de São Paulo, incluindo capitais e municípios do interior.
Ao discursar, Lula defendeu uma participação mais ativa dos jovens na política e afirmou que as novas gerações precisam assumir responsabilidades nas decisões sobre o futuro do país.
O presidente também apresentou propostas para um eventual novo mandato, com destaque para investimentos em inteligência artificial, formação profissional, desenvolvimento da indústria digital e transição energética.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica neste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital”, declarou Lula.
A presença de estudantes e representantes de entidades ligadas à educação e à ciência foi um dos destaques da manifestação. A campanha petista procura ampliar o diálogo com esse público, considerado importante para a mobilização eleitoral na reta final da disputa.
Presidente pede atenção aos eleitores que não votaram
Além da juventude, Lula direcionou parte do discurso aos eleitores que não compareceram às urnas em 4 de outubro. O presidente pediu que apoiadores conversem com familiares, amigos e conhecidos para estimular a participação no segundo turno.
Durante a manifestação, Lula mencionou que quase 30 milhões de brasileiros deixaram de votar na primeira etapa da eleição e defendeu uma mobilização para reduzir a abstenção.
O presidente também destacou a importância do diálogo com pessoas acima dos 70 anos, faixa etária para a qual o voto é facultativo, e com cidadãos que demonstram desinteresse pela política.
A manifestação contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ex-ministra Marina Silva, do ministro Guilherme Boulos e dos governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.
Flávio reúne prefeitos e pede cautela a aliados
Enquanto Lula participava da manifestação na Paulista, Flávio Bolsonaro se reuniu com prefeitos e lideranças políticas durante um almoço no Shopping Light, no Centro de São Paulo.
O encontro foi organizado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e contou com a participação do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), além dos senadores eleitos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
Durante a reunião, Flávio pediu que os aliados mantenham o trabalho de campanha nos municípios e evitem a impressão de que a disputa já está definida.
“Não podemos baixar a guarda”, afirmou o candidato.
A orientação foi para que prefeitos e lideranças intensifiquem o contato com eleitores, organizem atividades locais e estimulem o comparecimento às urnas no segundo turno.
Flávio também criticou a campanha adversária, acusando o grupo político de Lula de divulgar informações falsas. As declarações fazem parte do confronto eleitoral entre as candidaturas e não representam, por si só, comprovação das acusações.
São Paulo concentra estratégias das duas campanhas
A realização de agendas simultâneas na capital paulista evidencia a importância do estado na eleição presidencial. São Paulo possui o maior colégio eleitoral do Brasil e apresentou resultados diferentes entre o estado e a capital no primeiro turno.
No conjunto do estado, Flávio Bolsonaro recebeu 51,93% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 38,20%. Já na capital paulista, o presidente registrou 46,58%, contra 42,13% do candidato do PL.
Os números ajudam a explicar as estratégias adotadas pelos dois candidatos. Enquanto Lula procura fortalecer a mobilização nas ruas e ampliar sua presença entre diferentes grupos de eleitores, Flávio aposta na atuação de prefeitos e lideranças municipais para alcançar o eleitorado em várias regiões do estado.
As campanhas também buscam conquistar pessoas que votaram em outros candidatos no primeiro turno e aquelas que não participaram da votação.
Pesquisa Datafolha mostra disputa entre os candidatos
O primeiro levantamento do Datafolha divulgado após a definição do segundo turno apontou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos e Lula com 48%.
O resultado representa um retrato das intenções de voto no período em que a pesquisa foi realizada, não uma antecipação do resultado eleitoral. A interpretação da diferença também depende da margem de erro e dos demais critérios metodológicos do levantamento.
As duas campanhas intensificaram as agendas públicas após a divulgação dos números, com ações voltadas à mobilização de apoiadores e à apresentação de propostas.
Campanhas entram nas duas últimas semanas do segundo turno
Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro devem manter uma sequência de compromissos públicos, reuniões políticas e atividades de campanha nos próximos dias.
Entre as prioridades apresentadas pelos dois grupos estão a redução da abstenção, a mobilização de eleitores e a ampliação do diálogo com diferentes segmentos da população.
A disputa também ocorre nas redes sociais e na Justiça Eleitoral, onde as campanhas apresentam questionamentos sobre propagandas e conteúdos divulgados por adversários e apoiadores.
As agendas deste domingo mostram duas formas de organização eleitoral: Lula procura transformar manifestações de rua em maior participação política, enquanto Flávio reforça a articulação com lideranças municipais. O efeito dessas estratégias dependerá da resposta dos eleitores nas duas semanas restantes de campanha.