Polícia prende suspeitos de integrar rede de exploração sexual de crianças no Rio

Investigação aponta professor universitário como líder do esquema, identifica vítimas de 10 a 16 anos e reúne mais de 8 mil arquivos apreendidos.
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu dois suspeitos de participar de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes que, segundo as investigações, era comandada por um professor universitário e advogado. As prisões ocorreram no sábado (10), na capital fluminense e na Baixada Fluminense. O homem apontado como principal responsável pelo esquema já estava preso desde março deste ano.

A investigação, conduzida pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), identificou quatro suspeitos e reuniu mensagens, registros financeiros e mais de 8 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Entre as possíveis vítimas estão crianças e adolescentes de 10 a 16 anos, que teriam sido aliciados mediante ofertas de dinheiro, presentes e aparelhos celulares.

O professor Cordovil Antônio Nogueira Martins é apontado pela polícia como principal responsável pelos abusos e pela produção dos registros. Segundo os investigadores, o grupo mantinha uma divisão de tarefas para recrutar vítimas, organizar encontros e facilitar os deslocamentos até a residência do suspeito, no bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio.

Mensagens revelam esquema de aliciamento e abuso sexual de crianças no Rio

Polícia prende dois suspeitos de participação no esquema

As prisões realizadas no sábado tiveram como alvo Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, localizado na Gávea, Zona Sul do Rio, e uma mulher investigada por participação no recrutamento das vítimas, encontrada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Civil, Luiz Alberto teria recebido transferências financeiras para transportar crianças e adolescentes até a residência do professor. Os deslocamentos eram realizados em veículos particulares ou por meio de aplicativos de transporte.

A mulher presa é suspeita de participar do aliciamento e da organização dos encontros. Uma terceira investigada, também apontada como integrante da rede, permanecia foragida até a última atualização das informações divulgadas.

As prisões foram determinadas pela Justiça e fazem parte do aprofundamento das investigações sobre a atuação do grupo.

Professor universitário é apontado como líder da rede

Cordovil Antônio Nogueira Martins, que também atua como advogado, está preso preventivamente desde março de 2026. De acordo com a investigação, ele teria utilizado sua posição profissional e a participação em um projeto social ligado ao ambiente universitário para se aproximar de crianças e adolescentes.

Os investigadores suspeitam que o professor oferecia dinheiro e benefícios materiais às vítimas, explorando situações de vulnerabilidade social.

As apurações também indicam que outras pessoas participavam da organização dos encontros, do transporte das vítimas e da intermediação dos contatos.

O caso tramita na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital.

Mensagens revelam como vítimas eram aliciadas

A análise de conversas obtidas pela Polícia Civil ajudou a identificar a dinâmica de atuação dos investigados.

Segundo a apuração, mensagens trocadas entre os suspeitos mostram negociações envolvendo o contato com adolescentes, além de ofertas de dinheiro, celulares e presentes.

Em uma das situações investigadas, os policiais encontraram referências a uma criança de apenas 10 anos. As conversas indicavam a organização de um encontro e a oferta de um aparelho celular como contrapartida.

A polícia também apura suspeitas de que responsáveis por algumas vítimas tenham facilitado os abusos em troca de vantagens financeiras.

O conteúdo das mensagens integra o conjunto de provas reunidas para esclarecer a participação de cada investigado.

Mais de 8 mil arquivos foram apreendidos

Durante a investigação, os agentes localizaram mais de 8 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual infantojuvenil em um aparelho celular atribuído ao professor.

O material passou a integrar as apurações sobre a possível produção e circulação de imagens envolvendo crianças e adolescentes.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a quantidade de arquivos encontrados indica a necessidade de aprofundar a investigação para verificar se existem outras vítimas ainda não identificadas.

A análise dos dispositivos eletrônicos e dos registros financeiros também busca esclarecer a extensão da rede e a eventual participação de outras pessoas.

Ministério Público pede indenização às vítimas

Além da responsabilização criminal dos investigados, o Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada.

O pedido considera os danos provocados pelos crimes investigados e ainda depende de análise judicial.

Os envolvidos são investigados por crimes relacionados à violência sexual contra crianças e adolescentes, incluindo estupro de vulnerável, exploração sexual e produção de material de abuso sexual infantojuvenil.

O indiciamento e a prisão preventiva não representam condenação definitiva. A responsabilidade criminal de cada acusado deverá ser estabelecida pela Justiça.

Defesa aguarda acesso integral ao processo

A defesa de Cordovil Antônio Nogueira Martins informou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação.

Os advogados Raphaella Estrella, Flavio Biolchini e Felipe Braga afirmaram que pretendem se manifestar publicamente após analisar todo o material reunido no processo.

Até a última atualização das informações consultadas, não havia posicionamento detalhado das defesas dos demais investigados.

Próximos passos

A Polícia Civil continua analisando os materiais apreendidos e os registros de comunicação entre os suspeitos para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer a participação de cada integrante da rede.

As autoridades também buscam localizar a investigada que permanecia foragida e reunir elementos para o andamento do processo judicial.

Denúncias de violência e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, serviço nacional gratuito de proteção aos direitos humanos.

O canal recebe informações sobre violações de direitos e permite o encaminhamento das denúncias aos órgãos responsáveis pela investigação e proteção das vítimas.

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