A Alemanha acusou a Rússia de intensificar operações clandestinas em território alemão, incluindo supostos planos de assassinato, sabotagens e campanhas de desinformação. O alerta foi feito nesta segunda-feira (12) pelo chefe do serviço de inteligência interna alemão, Sinan Selen, em meio ao aumento das tensões entre Moscou e países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Segundo Selen, o governo russo estaria utilizando praticamente todos os recursos disponíveis em ações de guerra híbrida contra a Alemanha. A autoridade afirmou que as ameaças incluem tentativas de manipular informações, comprometer infraestruturas e preparar assassinatos. Ele não divulgou quem seriam os possíveis alvos nem detalhes dos supostos planos.
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Inteligência alemã alerta para planos de assassinato
Durante uma entrevista coletiva em Berlim, Sinan Selen afirmou que os serviços de inteligência identificaram uma ampliação das ameaças atribuídas à Rússia. Segundo ele, as operações vão além da espionagem tradicional e incluem ações que podem colocar vidas em risco.
O chefe da inteligência interna declarou que Moscou estaria recorrendo a diferentes métodos para enfraquecer a segurança e a estabilidade da Alemanha.
Entre as práticas mencionadas estão a disseminação de informações falsas, a manipulação da opinião pública, atos de sabotagem e possíveis assassinatos planejados em território alemão.
Apesar da gravidade das acusações, Selen não apresentou publicamente detalhes sobre os supostos planos, como nomes de possíveis vítimas, datas ou operações específicas.
Até a divulgação das declarações, o governo russo não havia apresentado uma resposta pública específica às novas acusações.

Ataque com drone em aeroporto aumentou tensão
O alerta ocorre após um incidente registrado em agosto no Aeroporto de Leipzig/Halle, no leste da Alemanha, onde um drone equipado com explosivos foi encontrado nas proximidades de uma aeronave ucraniana.
O governo alemão atribuiu à Rússia a responsabilidade pela tentativa de ataque, afirmando que investigações policiais e informações de inteligência apontaram para a participação de agentes ligados a Moscou.
As autoridades alemãs consideraram o episódio um exemplo de guerra híbrida, caracterizada pelo uso de métodos não convencionais para atingir objetivos políticos e estratégicos.
Em setembro, Berlim anunciou medidas diplomáticas contra a Rússia, incluindo o fechamento do consulado-geral russo em Bonn e o encerramento das atividades da Casa da Rússia na capital alemã.
O Kremlin rejeitou as acusações relacionadas ao incidente no aeroporto.
Ministro alemão fala em guerra nas sombras
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, também demonstrou preocupação com o crescimento das ameaças e afirmou que o país enfrenta uma espécie de guerra clandestina.
Segundo o ministro, as operações não têm necessariamente o objetivo de provocar uma derrota militar direta, mas de desestabilizar a sociedade e as instituições democráticas.
Dobrindt afirmou que esse tipo de confronto representa um desafio diferente daquele observado durante a Guerra Fria, porque envolve ameaças digitais, operações secretas e ataques contra estruturas civis.
Ele também ressaltou que os riscos não estão associados exclusivamente à Rússia, embora Moscou seja apontada como um dos principais responsáveis pelas ações investigadas.

O que são ataques híbridos?
A expressão “guerra híbrida” é utilizada para descrever estratégias que combinam diferentes formas de pressão contra um país sem necessariamente envolver uma declaração formal de guerra.
Essas operações podem incluir ataques cibernéticos, espionagem, sabotagem de infraestruturas, campanhas de desinformação, interferência política e ações clandestinas.
O objetivo pode ser enfraquecer instituições, provocar insegurança, prejudicar serviços essenciais e influenciar decisões políticas.
Na Europa, governos e organismos internacionais têm relacionado o aumento dessas ameaças ao conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado com a invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
A União Europeia já adotou sanções contra pessoas e organizações acusadas de participar de atividades híbridas atribuídas à Rússia.
Empresários do setor de defesa também estariam na mira
As preocupações das autoridades europeias incluem possíveis ameaças contra executivos de empresas que produzem armamentos e equipamentos utilizados pela Ucrânia.
Segundo informações publicadas pelo jornal Financial Times, serviços de inteligência de cinco países europeus alertaram sobre suspeitas de planos russos para assassinar dirigentes da indústria de defesa.
Entre os setores considerados mais vulneráveis estão empresas que fabricam drones e componentes utilizados em operações militares.
Um dos casos investigados anteriormente envolveu suspeitas de um plano contra Armin Papperger, presidente da fabricante alemã de armamentos Rheinmetall, em 2024.
As autoridades europeias avaliam que ameaças contra executivos podem afetar o funcionamento dessas empresas e aumentar os custos com segurança, além de gerar receio entre profissionais envolvidos no fornecimento de equipamentos militares à Ucrânia.
Otan acompanha escalada das ameaças
As declarações alemãs ocorrem em um momento de preocupação crescente entre os integrantes da Otan com operações clandestinas atribuídas à Rússia.
O comandante supremo aliado da organização na Europa, general Alexus Grynkewich, afirmou nesta segunda-feira que a aliança está preparada para responder a eventuais agressões contra seus integrantes.
Apesar do alerta, o militar ressaltou que não considera um conflito armado direto com a Rússia iminente ou inevitável.
A preocupação também foi manifestada pelo serviço de inteligência da República Tcheca, que advertiu sobre a possibilidade de operações russas mais arriscadas em países da Otan que apoiam a Ucrânia.
Entenda o contexto
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Alemanha se tornou um dos principais países europeus responsáveis pelo fornecimento de assistência militar e financeira a Kiev.
O apoio alemão é considerado estratégico para a resistência ucraniana e também contribuiu para o agravamento das relações diplomáticas entre Berlim e Moscou.
Autoridades alemãs afirmam que a Rússia busca pressionar governos europeus a reduzir o apoio à Ucrânia por meio de ações de desestabilização.
As novas acusações de planejamento de assassinatos ampliam as preocupações sobre os limites desse confronto indireto. No entanto, os supostos planos mencionados nesta segunda-feira ainda não foram detalhados publicamente, e sua execução não foi confirmada.
A Alemanha afirma que continuará reforçando os mecanismos de inteligência e proteção de infraestruturas, em coordenação com os demais integrantes da Otan e da União Europeia.