A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas continuou encobrindo Manaus nesta segunda-feira (12). A dificuldade de dispersão dos poluentes na atmosfera contribuiu para a permanência da névoa sobre a capital, que enfrenta uma sequência de dias com índices elevados de poluição do ar.
O fenômeno ocorre em meio ao avanço dos incêndios florestais no estado. A baixa circulação do ar e as condições meteorológicas desfavoráveis dificultam a renovação da atmosfera, permitindo que partículas liberadas pelas queimadas permaneçam concentradas sobre a cidade por mais tempo.
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Por que a fumaça não se dispersa em Manaus?
A permanência da fumaça está relacionada à combinação entre a grande quantidade de poluentes liberados pelos incêndios e as condições atmosféricas que dificultam seu transporte para outras regiões.
Quando há pouca ventilação, as partículas permanecem suspensas por períodos prolongados. A situação pode ser agravada por condições de estabilidade atmosférica, nas quais a mistura do ar entre diferentes altitudes é reduzida.
Mesmo quando as queimadas ocorrem fora da área urbana, a circulação dos ventos pode transportar a fumaça por dezenas ou centenas de quilômetros, comprometendo a qualidade do ar em cidades distantes dos focos de incêndio.
A Prefeitura de Manaus informou anteriormente que parte da fumaça que atinge a capital tem origem em queimadas no interior do Amazonas, incluindo municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.
Qualidade do ar chegou a níveis críticos
A situação ambiental já vinha se agravando nos dias anteriores. Na sexta-feira (9), a Defesa Civil de Manaus registrou concentração de 196,4 microgramas por metro cúbico de partículas finas, conhecidas como MP2,5.
Na noite de quinta-feira (8), uma medição havia alcançado 200 microgramas por metro cúbico. Os valores colocaram a qualidade do ar em níveis considerados péssimos e motivaram alertas à população.
No domingo (11), a fumaça também atingiu outros municípios amazonenses. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostraram concentrações elevadas de poluentes em Manaus, Careiro, Borba e Autazes.
No bairro Coroado, na Zona Leste de Manaus, a concentração de partículas chegou a 227,8 microgramas por metro cúbico durante a manhã de domingo. Em Careiro, o indicador alcançou 301,2 microgramas por metro cúbico.
Queimadas provocaram suspensão de atividades
Diante do agravamento da poluição, a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas da rede municipal na sexta-feira (9), além de atividades presenciais em órgãos públicos.
Eventos municipais ao ar livre também foram suspensos preventivamente até esta segunda-feira (12), afetando parte da programação do fim de semana do Dia das Crianças.
As medidas foram adotadas para reduzir a exposição da população à fumaça, especialmente entre crianças e pessoas com maior risco de complicações respiratórias.
Serviços essenciais, como os atendimentos de saúde, permaneceram em funcionamento.
Incêndios aumentaram 271% no Amazonas
A crise ambiental ocorre em meio ao crescimento dos focos de incêndio no estado. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas registrou 1.380 ocorrências, contra 372 no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
O aumento foi de aproximadamente 271%. Diante do avanço das queimadas, o governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios amazonenses.
O reconhecimento permite acelerar a solicitação e a liberação de recursos federais para ações de combate ao fogo, assistência humanitária e apoio às populações afetadas.
Equipes de brigadistas e aeronaves foram mobilizadas para reforçar as operações. Entretanto, a fumaça intensa e a baixa visibilidade também podem dificultar o trabalho aéreo de combate aos incêndios.
Fumaça representa risco à saúde
A exposição prolongada à fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, tosse, dor de garganta, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
O material particulado fino, conhecido como MP2,5, merece atenção especial porque suas partículas são pequenas o suficiente para alcançar regiões profundas dos pulmões.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.
As autoridades recomendam evitar exercícios físicos ao ar livre, manter portas e janelas fechadas nos momentos de maior concentração de fumaça e reforçar a hidratação. Máscaras do tipo PFF2, quando bem ajustadas, ajudam a reduzir a inalação de partículas finas.
Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento médico.
Quando a fumaça deve diminuir?
A melhora da qualidade do ar depende da combinação entre mudanças nas condições meteorológicas e redução da emissão de poluentes pelos incêndios.
Ventos mais favoráveis e chuvas podem contribuir para a dispersão ou remoção de partículas suspensas. Entretanto, a continuidade das queimadas pode manter a fumaça sobre Manaus mesmo após melhorias temporárias.
Enquanto persistirem as condições desfavoráveis, a orientação é acompanhar os comunicados da Defesa Civil e os indicadores de qualidade do ar, além de reduzir a exposição à poluição.