Escala 6×1 pode ter votação concluída nesta quarta-feira após governo conquistar apoio no Senado

Proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso pode ser votada em dois turnos no mesmo dia, caso senadores aprovem a redução dos prazos regimentais
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O governo federal conseguiu ampliar o apoio no Senado para a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e trabalha para concluir a votação nesta quarta-feira (14). A articulação busca garantir que o texto seja aprovado em primeiro e segundo turnos no mesmo dia, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A proposta prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada uma das duas votações no plenário.
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Governo articula votação dos dois turnos nesta quarta-feira

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estabeleceu um calendário de cinco sessões de discussão antes da primeira votação da PEC 221/2019. A última etapa está prevista para esta quarta-feira (14), quando os senadores poderão analisar o texto em primeiro turno. Com o avanço das negociações, a base governista tenta construir um acordo para dispensar os intervalos regimentais e realizar também a votação em segundo turno. A antecipação depende de procedimentos aprovados pelos próprios senadores e ainda não está garantida. A intenção do governo é encerrar a análise da proposta antes do segundo turno presidencial. A redução da jornada de trabalho se tornou um dos principais temas da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Flávio Bolsonaro anuncia apoio ao fim da escala 6×1

O cenário político mudou após Flávio Bolsonaro anunciar que votará a favor do fim da escala 6×1. O candidato do PL vinha criticando a proposta e defendendo um modelo alternativo, com maior flexibilidade na organização das jornadas de trabalho. Ao justificar a mudança de posição, Flávio afirmou que decidiu acompanhar a vontade dos trabalhadores brasileiros, mas defendeu medidas para evitar que a redução da jornada provoque aumento de custos para as empresas.
“Eu tô rodando o Brasil, a maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1, só que a gente defende algo ainda melhor sempre”, declarou o senador.
O presidente Lula reagiu à declaração nesta terça-feira (13), durante uma cerimônia no Palácio do Planalto. O petista atribuiu a mudança de posição do PL à pressão popular e às manifestações em defesa da redução da jornada.
“Me parece que, depois da pressão da sociedade, me parece que depois de todas as manifestações na rua deste Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6×1”, afirmou Lula.

O que muda para os trabalhadores com a aprovação da PEC?

A PEC 221/2019 altera a Constituição para reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Na prática, a medida impede a adoção regular da escala 6×1, em que o trabalhador cumpre seis dias de expediente e descansa apenas um. A proposta mantém o limite diário de oito horas e proíbe a redução dos salários em razão da diminuição da carga horária. A mudança será gradual. Dois meses após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais. Doze meses depois, o limite será reduzido para 40 horas, completando um período de transição de aproximadamente 14 meses. Durante esse período, empresas deverão reorganizar escalas, horários e equipes para se adequar às novas regras. Setores que funcionam de maneira contínua poderão depender de negociações coletivas para definir a distribuição das jornadas.

Oposição questiona impactos econômicos e velocidade da votação

Apesar do avanço das articulações, parlamentares da oposição e representantes de setores empresariais continuam questionando os efeitos econômicos da proposta. Entre as preocupações estão o aumento dos custos trabalhistas, a necessidade de novas contratações e as dificuldades de adaptação de pequenas empresas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, vinha defendendo o adiamento da votação e apresentou uma proposta alternativa baseada em maior flexibilidade na contratação e na distribuição das horas trabalhadas. Já os defensores do fim da escala 6×1 argumentam que a redução da jornada permitirá mais tempo de descanso, convivência familiar e melhoria da qualidade de vida, sem perda de remuneração.

Quando o fim da escala 6×1 começa a valer?

Mesmo que o Senado conclua as duas votações nesta quarta-feira (14), o fim da escala 6×1 não entrará em vigor imediatamente. A proposta ainda precisará ser promulgada pelo Congresso Nacional para passar a integrar a Constituição. Se os senadores aprovarem o texto sem alterações em relação à versão da Câmara dos Deputados, a PEC poderá seguir diretamente para promulgação. Caso haja mudanças de mérito, a proposta precisará retornar à Câmara para uma nova análise. A expectativa do governo é que o apoio conquistado nas negociações permita concluir a votação ainda nesta semana. O resultado dependerá tanto da maioria necessária para aprovar a PEC quanto de um acordo para acelerar os procedimentos no plenário.
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