PM investigado por ligação com o Comando Vermelho ostentava luxo, mas pedia R$ 500 para trabalhar

Mensagens encontradas no celular de Yuri Luiz Desirati Ribeiro revelam pedidos de dinheiro a um homem apontado como liderança da facção; policial foi morto em julho de 2026
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Um policial militar investigado por suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro exibia passeios de lancha, jet skis, bebidas caras e grandes quantias de dinheiro em vídeos e fotografias. Ao mesmo tempo, mensagens encontradas pelos investigadores mostram que ele pedia ajuda financeira a um homem apontado como liderança da facção, alegando não ter sequer R$ 500 para comprar comida e abastecer o carro.

O policial era o terceiro-sargento Yuri Luiz Desirati Ribeiro, lotado no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O conteúdo extraído de seu celular ajudou a embasar uma operação realizada nesta terça-feira (13) pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Corregedoria da Polícia Militar. Yuri foi morto a tiros em julho deste ano, antes da deflagração da operação.

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As imagens analisadas pela polícia mostram momentos de ostentação atribuídos a Yuri, incluindo passeios em embarcações de luxo, charutos, bebidas e notas de R$ 50 e R$ 100 sendo lançadas ao ar e na água, à beira de uma piscina.

O padrão de vida exibido nos registros contrasta com as mensagens enviadas pelo policial em outubro de 2024.

Em uma das conversas, Yuri procurou um contato que chamava de “chefe” e relatou dificuldades financeiras.

“Chefe, escuta. Esse mês eu tô no fundo do buraco. Já vendi o que tinha de valor em casa pra me manter. Me bota em algum corre”, escreveu.

Dias depois, em 24 de outubro de 2024, o sargento voltou a pedir ajuda.

“Irmão, me ajuda com 500 reais pra comprar comida. Tô muito quebrado. Não tenho dinheiro nem pra botar gasolina e trabalhar”, afirmou.

Segundo os investigadores, o destinatário das mensagens era Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no estado.

 

Investigação aponta contato com liderança do Comando Vermelho

De acordo com a Polícia Civil, Paulista possui forte atuação no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, e é investigado por envolvimento na compra de armas e drogas.

Os investigadores também atribuem a ele a coordenação de incursões armadas em territórios controlados por milícias e facções rivais.

A análise das conversas de Yuri revelou contatos com outros integrantes do Comando Vermelho, incluindo mensagens que, segundo a polícia, continham alertas sobre operações da Polícia Militar.

A suspeita é de que informações sobre ações policiais fossem compartilhadas com pessoas ligadas à organização criminosa.

Paulista foi um dos alvos da operação desta terça-feira, mas não havia sido localizado até a última atualização das informações divulgadas.

 

Policial havia sido preso com carga de cocaína

Yuri já havia sido preso em flagrante em outubro de 2023, quando foi encontrado dentro de um caminhão que transportava mais de 150 quilos de cocaína.

A abordagem ocorreu na Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio.

Segundo a investigação, o episódio permitiu reunir informações que posteriormente contribuíram para identificar contatos do sargento com integrantes do tráfico.

A partir da análise de aparelhos telefônicos e outros materiais, os investigadores aprofundaram as suspeitas sobre o transporte de drogas, a negociação de armamentos e o possível compartilhamento de informações policiais.

No conteúdo examinado, também foram identificadas imagens de drogas sendo preparadas e embaladas, além de um vídeo que, segundo os investigadores, mostra Paulista testando um fuzil.

 

Outro policial militar é procurado na operação

A operação desta terça-feira teve como objetivo cumprir sete mandados de prisão relacionados à investigação.

Entre os procurados está o cabo da Polícia Militar Erick da Silva Lobato, que também atuava no batalhão de São João de Meriti.

De acordo com os investigadores, Lobato teria enviado a Yuri fotografias de carregadores de armas e oferecido munições.

Equipes policiais estiveram na unidade militar e na residência do cabo, mas ele não foi encontrado. Até a última atualização, era considerado foragido.

Outro policial militar também é investigado por suspeita de envolvimento com o grupo.

Durante a operação, os agentes prenderam Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio.

Segundo a polícia, ele seria responsável pela segurança de territórios controlados pelo Comando Vermelho na Baixada Fluminense.

 

Sargento foi assassinado em julho deste ano

Yuri Luiz Desirati Ribeiro foi morto em 12 de julho de 2026, no bairro Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

O policial foi atingido por pelo menos 23 disparos quando chegava ao condomínio onde morava.

O homicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios. Uma das principais suspeitas apuradas é de que o sargento tenha sido executado por integrantes do próprio Comando Vermelho.

Essa hipótese, no entanto, ainda depende de confirmação pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Os policiais também encontraram no celular de Yuri um vídeo gravado durante um baile funk em uma comunidade dominada pela facção.

Na gravação, uma voz pergunta: “Quem não gosta de polícia levanta a mão”.

 

Operação busca identificar outros envolvidos

A ação desta terça-feira foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, e da Corregedoria da Polícia Militar.

As autoridades buscam esclarecer a participação de agentes públicos no transporte de drogas, no fornecimento de armamentos e no possível vazamento de informações sobre operações policiais.

A investigação também deverá aprofundar a análise das mensagens encontradas nos aparelhos dos envolvidos e identificar a origem dos recursos exibidos nos registros de ostentação.

As suspeitas atribuídas aos investigados ainda precisam ser examinadas no decorrer dos procedimentos policiais e judiciais. Não há conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal de todos os citados.

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