Queimadas avançam no Amazonas e Ibama notifica 725 propriedades rurais

Medida atinge sete municípios com risco elevado de incêndios e exige ações de prevenção dos proprietários.
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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou responsáveis por 725 propriedades rurais no Amazonas para reforçar medidas de prevenção e combate a incêndios florestais. A iniciativa ocorre em meio ao avanço das queimadas no estado e estabelece obrigações para imóveis localizados em regiões consideradas de alto risco.

As notificações fazem parte do Edital nº 47/2026, publicado no Diário Oficial da União em 24 de setembro. A medida abrange propriedades rurais dos municípios de Autazes, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Itacoatiara, Manaquiri e Nova Olinda do Norte.

A ação tem caráter preventivo e busca reduzir a possibilidade de novos incêndios, especialmente durante o período de estiagem. A notificação não significa, por si só, que os proprietários tenham cometido infrações ambientais.

Ibama notifica 725 propriedades rurais no Amazonas para prevenir queimadas. Medida atinge sete municípios em meio ao avanço dos incêndios florestais.
Ibama notifica 725 propriedades rurais no Amazonas para prevenir queimadas. Medida atinge sete municípios em meio ao avanço dos incêndios florestais.

Incêndios colocam 36 cidades do Amazonas em emergência e fumaça provoca suspensão de aulas

Ibama estabelece medidas obrigatórias contra queimadas em propriedades rurais

Os responsáveis pelos imóveis notificados devem adotar medidas de prevenção, preparação e resposta a incêndios florestais, conforme a legislação ambiental.

Entre as orientações está o manejo adequado de materiais combustíveis, como vegetação seca e outros resíduos que possam facilitar a propagação das chamas.

O edital também determina cuidados com Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e remanescentes de vegetação nativa existentes nas propriedades.

Outra exigência envolve o monitoramento dos imóveis durante os períodos críticos de incêndios, além da comunicação com propriedades vizinhas e da integração a sistemas de alerta, quando disponíveis.

Os responsáveis também devem comunicar imediatamente às autoridades competentes a ocorrência de incêndios e promover a capacitação de trabalhadores para situações de risco.

 

Uso do fogo depende de autorização ambiental

O Ibama reforça que a utilização do fogo em propriedades rurais é proibida sem autorização do órgão ambiental competente, ressalvadas as situações expressamente permitidas pela legislação.

A restrição busca evitar que queimadas utilizadas em atividades rurais saiam de controle e atinjam áreas de floresta, plantações, residências e comunidades próximas.

Durante a estiagem, a vegetação seca, as altas temperaturas e as condições de vento podem favorecer a propagação rápida das chamas.

O descumprimento das normas ambientais pode resultar em sanções administrativas e, dependendo das circunstâncias, responsabilização criminal.

Amazonas enfrenta aumento de 271% nos focos de incêndio

As notificações ocorrem em um momento de agravamento da crise ambiental no Amazonas.

Segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o estado registrou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro de 2026.

No mesmo período de 2025, foram contabilizados 372 registros. A comparação representa um crescimento de aproximadamente 271%.

O avanço das queimadas levou ao reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios amazonenses, incluindo Manaus, Itacoatiara, Autazes, Humaitá, Lábrea e Parintins.

 

A fumaça também comprometeu a qualidade do ar e provocou mudanças na rotina da população, incluindo suspensão de aulas e atividades ao ar livre.
A fumaça também comprometeu a qualidade do ar e provocou mudanças na rotina da população, incluindo suspensão de aulas e atividades ao ar livre.

Ibama e órgãos de segurança reforçam fiscalização contra incêndios criminosos

Na terça-feira (13), o Ibama anunciou a intensificação das ações de fiscalização e combate aos incêndios florestais no Amazonas.

A operação integrada envolve o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Federal.

O objetivo é identificar responsáveis por incêndios criminosos, impedir a propagação das chamas e evitar novas ocorrências.

Segundo o Ibama, provocar incêndios florestais pode resultar em multas administrativas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, conforme o enquadramento da infração.

Também podem ser aplicadas medidas como embargo de áreas atingidas, apreensão de equipamentos e responsabilização criminal.

As autoridades alertam que parte dos incêndios pode estar relacionada à utilização intencional do fogo para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento ilegal. A responsabilidade por cada ocorrência, porém, depende de investigação.

Governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que o governo federal disponibilizou 11 aeronaves para apoiar as operações de combate aos incêndios no Amazonas.

A estrutura inclui aviões especializados no lançamento de água, helicópteros e uma aeronave de apoio logístico.

Segundo balanço divulgado pelo governo federal, 250 brigadistas já atuavam em campo, enquanto outros 40 estavam em deslocamento para reforçar as equipes.

O ministério também informou que, desde o início da temporada de incêndios, o Ibama havia extinguido 292 ocorrências e continuava atuando em outros oito incêndios ativos no estado.

 

A mobilização busca ampliar a capacidade de resposta em áreas de difícil acesso, especialmente nas regiões de floresta e nas comunidades rurais ameaçadas pelo fogo.
A mobilização busca ampliar a capacidade de resposta em áreas de difícil acesso, especialmente nas regiões de floresta e nas comunidades rurais ameaçadas pelo fogo.

Próximos passos

Os responsáveis pelas propriedades notificadas deverão observar as determinações do edital e manter medidas de prevenção durante os períodos de maior risco.

Paralelamente, o Ibama e os órgãos estaduais devem intensificar o monitoramento ambiental e a fiscalização para identificar possíveis irregularidades.

O objetivo é reduzir novos focos de incêndio, proteger a vegetação nativa e evitar que as queimadas provoquem mais prejuízos à saúde da população e às atividades econômicas do Amazonas.

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