Ato pró-Flávio no Mackenzie tem coro contra Erika Hilton

Manifestação reuniu estudantes e políticos em São Paulo; Lucas Pavanato discursou antes dos ataques à deputada do PSOL
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Uma manifestação de estudantes em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República foi marcada por um coro contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), nesta quarta-feira (14), na região central de São Paulo. O ato aconteceu na rua Maria Antônia, em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie, e reuniu apoiadores do candidato, além de políticos ligados ao PL.

O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), que convocou a mobilização, discursou durante o evento e fez uma referência à parlamentar do PSOL. Após a declaração, parte dos manifestantes entoou palavras de ordem ofensivas a Erika Hilton. Pavanato não participou do coro e pediu calma aos presentes, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

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Durante o discurso, Pavanato respondeu a uma declaração anterior de Erika Hilton, que havia afirmado não ter nada em comum com ele e com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

“Nós temos sim algo em comum”, afirmou o deputado eleito. Em seguida, integrantes do público começaram a entoar um coro transfóbico contra a parlamentar.

Questionado pela Folha após o evento sobre a possibilidade de ser denunciado por transfobia, Pavanato negou ter feito uma declaração discriminatória e argumentou que sua fala se referia à condição de ambos como deputados.

O episódio ocorreu em meio à mobilização de apoiadores de Flávio Bolsonaro para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

 

Manifestação teve música, discursos e críticas a Lula

O encontro reuniu estudantes de direita, militantes e representantes políticos. A programação teve música, discursos e manifestações de apoio ao senador Flávio Bolsonaro.

Durante o ato, participantes também fizeram críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defenderam maior presença de grupos conservadores nas universidades.

A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) também participou da mobilização. Em seu discurso, defendeu o apoio de jovens à candidatura de Flávio e apresentou críticas ao feminismo.

Segundo a Folha, alguns participantes fizeram referências elogiosas à ditadura militar, período que marcou a história da própria rua Maria Antônia.

Eduarda Campopiano participa de ato pró-Flávio Bolsonaro em São Paulo. FOTO: Marcos Neves Jr

Ato foi resposta à mobilização de estudantes pró-Lula

A manifestação foi organizada após estudantes de esquerda promoverem um encontro favorável à reeleição de Lula na mesma região, na semana anterior.

As mobilizações refletem a disputa entre apoiadores dos dois candidatos pelo engajamento de jovens universitários na reta final da campanha presidencial.

O Mackenzie havia anunciado restrições à realização de manifestações político-partidárias dentro do campus, alegando preocupações com a segurança e o bem-estar da comunidade acadêmica.

O ato desta quarta-feira ocorreu na rua, em frente à universidade, e não deve ser confundido com um evento institucional organizado pelo Mackenzie.

 

Rua Maria Antônia tem histórico de conflitos políticos

O local escolhido para a manifestação possui importância histórica no movimento estudantil brasileiro.

Em 1968, durante a ditadura militar, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e do Mackenzie protagonizaram confrontos na região, episódio conhecido como Batalha da Maria Antônia.

Décadas depois, a rua voltou a receber manifestações de grupos com posições políticas opostas, agora no contexto da disputa presidencial de 2026.

Manifestantes pró-Flávio Bolsonaro se reúnem na histórica rua Maria Antônia, em São Paulo. FOTO: Marcos Neves Jr

Transfobia entra no debate sobre manifestações eleitorais

O coro dirigido a Erika Hilton acrescentou uma controvérsia ao ato pró-Flávio. A deputada, que é uma mulher trans, já foi alvo de outras declarações ofensivas relacionadas à sua identidade de gênero.

No início de outubro, Eduarda Campopiano publicou uma mensagem nas redes sociais questionando a identidade de gênero de Erika ao comparar os resultados eleitorais das duas parlamentares.

O Supremo Tribunal Federal enquadra a homofobia e a transfobia nas disposições penais aplicáveis ao racismo, até que o Congresso Nacional edite legislação específica sobre o tema.

A caracterização jurídica de eventuais condutas individuais depende da análise das circunstâncias e das autoridades competentes.

Até a publicação da reportagem consultada, não havia informação confirmada sobre a abertura de investigação específica relacionada ao coro entoado durante a manifestação.

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