O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou nesta quinta-feira (15) maior participação da população na prevenção de desastres provocados pelas chuvas. A declaração ocorreu um dia após um temporal causar alagamentos, desabamentos, transtornos no transporte e a morte de uma mulher na capital paulista. Durante o evento, o governador também reconheceu que o Túnel do Anhangabaú deveria ter sido interditado antes de ficar alagado.
“De nada adianta investir em prevenção, emitir alerta, drenar ou instalar sistema de sirene se as pessoas não acreditarem, se o cidadão não fizer a sua parte”, afirmou Tarcísio durante um evento com agentes da Defesa Civil, no Palácio dos Bandeirantes.
O governador defendeu que os moradores respeitem os avisos das autoridades, especialmente as orientações para deixar áreas de risco. Segundo ele, as ações do poder público precisam ser acompanhadas pela resposta da população para reduzir a exposição a situações perigosas.
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Tarcísio reconhece que túnel deveria ter sido interditado
O alagamento do Túnel do Anhangabaú, na região central de São Paulo, foi um dos episódios mais graves do temporal de quarta-feira (14). Mais de 25 carros e dois ônibus ficaram submersos após a passagem ser tomada pela água.
Durante o evento, Tarcísio afirmou que o túnel deveria ter sido fechado antes da inundação, mesmo com a existência de um sistema de bombeamento destinado à retirada da água.
A estrutura é administrada pela Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB). A declaração do governador reconhece a necessidade de uma interdição preventiva, mas não estabelece, por si só, quem foi responsável pela ausência da medida.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Rezende, informou que a falta de fechamento da passagem será investigada.
A apuração deverá esclarecer por que o túnel permaneceu acessível durante a chuva e se houve falhas nos procedimentos de monitoramento, comunicação ou bloqueio do trânsito.
Temporal deixou uma mulher morta e provocou transtornos
A forte chuva que atingiu São Paulo na quarta-feira provocou alagamentos em diferentes regiões, afetou a circulação de veículos e comprometeu o funcionamento de serviços de transporte.
Além dos veículos atingidos no Túnel do Anhangabaú, foram registrados desabamentos e outros transtornos associados ao temporal. Uma mulher morreu na capital em decorrência das ocorrências relacionadas à chuva.
O episódio voltou a levantar questionamentos sobre a capacidade de prevenção de alagamentos e sobre a rapidez das medidas de proteção em pontos conhecidos pelo risco de inundação.
Governo antecipa operação de prevenção para outubro
Tarcísio afirmou que episódios de chuva intensa devem se tornar mais frequentes e defendeu a ampliação das medidas preventivas para reduzir os impactos sobre a população.
O governo estadual antecipou para outubro o início da operação São Paulo Sempre Alerta, tradicionalmente iniciada em dezembro. A mudança busca ampliar o período de preparação diante dos riscos climáticos.
A operação prevê maior integração entre órgãos estaduais, monitoramento meteorológico e emissão de alertas para orientar municípios e moradores sobre situações de perigo.
São Paulo anuncia R$ 29 bilhões para enfrentar eventos extremos
No mesmo evento, o governo paulista apresentou um pacote de R$ 29 bilhões, com 181 iniciativas previstas até 2029 para prevenção, preparação e resposta a desastres climáticos.
Entre os investimentos anunciados estão mais de R$ 1 bilhão para a construção de piscinões e R$ 1,7 bilhão para o desassoreamento de rios e córregos.
O plano também prevê R$ 9,7 bilhões para uma parceria público-privada destinada ao desassoreamento contínuo, à retirada de resíduos e à manutenção de barragens e margens dos rios Tietê e Pinheiros.
As medidas incluem ainda a criação de um gabinete especial para coordenar ações de prevenção, estabelecer níveis de alerta nos municípios e divulgar boletins diários sobre riscos meteorológicos.
O planejamento não se limita às chuvas. Também contempla ações relacionadas a ondas de calor, estiagens e incêndios florestais, diante da necessidade de preparar o estado para diferentes tipos de eventos extremos.
Investigação deverá esclarecer ausência de bloqueio no túnel
Além da execução das obras e das medidas anunciadas, a resposta das autoridades ao temporal de quarta-feira deverá ser analisada, especialmente no caso do Túnel do Anhangabaú.
A investigação sobre a ausência de interdição poderá identificar problemas nos procedimentos de segurança e indicar eventuais mudanças nos protocolos utilizados durante chuvas intensas.
Enquanto isso, o governo estadual pretende reforçar a emissão de alertas e a articulação com as prefeituras. O desafio será garantir que os avisos sejam acompanhados de medidas preventivas capazes de proteger moradores, motoristas e passageiros antes que as situações de risco se agravem.