A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, comunicou à Polícia Federal (PF) possíveis ameaças de morte contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) identificadas em conversas de usuários com a ferramenta de inteligência artificial. Os alertas envolvem pelo menos duas pessoas que manifestaram intenções violentas, incluindo referências a um possível ataque ao presidente, candidato à reeleição em 2026.
As informações foram reveladas nesta quinta-feira (15) pela Folha de S.Paulo, com base em documentos obtidos pelo jornal. Segundo a reportagem, a empresa classificou os diálogos como situações que poderiam representar risco de morte ou lesões físicas graves e encaminhou os registros às autoridades brasileiras.
No início de outubro, a Polícia Federal enviou a documentação ao Ministério da Justiça para avaliação da abertura de dois inquéritos. Um deles envolve possíveis crimes de ameaça e injúria, enquanto o outro trata especificamente de ameaças contra Lula. O encaminhamento não significa que os fatos já tenham sido comprovados ou que os usuários tenham sido condenados.
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O que foi identificado nas conversas com o ChatGPT?
De acordo com os documentos divulgados pela Folha de S.Paulo, um dos usuários mantinha interações com o ChatGPT desde janeiro de 2026. Em setembro, durante a campanha eleitoral, relatou ter visto Lula em um evento público e fez comentários sobre a possibilidade de atacá-lo.
As mensagens incluíam referências a armas, a um possível local de ataque e às consequências criminais de um homicídio. O usuário também teria compartilhado imagens relacionadas ao ambiente mencionado nas conversas.
Segundo o material encaminhado às autoridades, o homem afirmou em determinado momento que não pretendia agir e que não possuía arma. Ainda assim, o conjunto das mensagens foi considerado suficientemente preocupante para motivar a comunicação à polícia.
O histórico também continha referências a possíveis agressões contra outras pessoas. Os registros serão avaliados pelas autoridades responsáveis para determinar se houve crimes e se existia risco concreto.
OpenAI confirma comunicação à PF e ao TSE
Procurada pela CNN Brasil, a OpenAI confirmou ter notificado a Polícia Federal sobre o caso. A empresa informou que também comunicou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em conformidade com seus procedimentos relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
Em nota, a companhia afirmou que seus sistemas são desenvolvidos para contribuir com a segurança dos usuários e de outras pessoas, inclusive fora do ambiente digital.
Segundo a OpenAI, quando conversas apresentam indícios de risco iminente e concreto de violência contra terceiros, as autoridades podem ser notificadas.
A empresa não divulgou publicamente a identidade dos usuários envolvidos. As informações encaminhadas deverão ser analisadas pelos órgãos responsáveis, respeitados os procedimentos legais.
Conta de usuário foi encerrada após identificação de risco
Conforme as informações publicadas pela Folha, a OpenAI encerrou ao menos uma das contas relacionadas aos episódios identificados.
A medida foi adotada após a avaliação das mensagens que indicavam possíveis ameaças à integridade física de terceiros.
O bloqueio de uma conta não representa, por si só, a comprovação de um crime. A eventual responsabilização criminal depende da investigação das circunstâncias e da identificação dos envolvidos.
Ministério da Justiça avalia abertura de inquéritos
A documentação enviada pela OpenAI chegou à Polícia Federal e foi encaminhada ao Ministério da Justiça no início de outubro.
O material deverá subsidiar a análise das autoridades sobre a necessidade de instaurar procedimentos investigativos, identificar os autores das mensagens e verificar se as ameaças ultrapassaram o ambiente digital.
Até o momento, as informações divulgadas não permitem afirmar que um atentado tenha sido executado ou que existisse uma operação criminosa organizada contra o presidente.
A apuração também deverá distinguir manifestações violentas, ameaças juridicamente caracterizadas e eventuais atos preparatórios, conforme as evidências reunidas.
Notificação ocorre durante o segundo turno presidencial
Os alertas vieram a público durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
A comunicação ao TSE acrescenta uma dimensão eleitoral ao caso, já que as mensagens mencionavam o presidente durante o período de campanha.
A investigação deverá esclarecer a autoria, o contexto e a gravidade das ameaças, enquanto os órgãos de segurança avaliam as medidas cabíveis para proteger as pessoas mencionadas nos registros.
O episódio também evidencia como informações produzidas em interações com ferramentas digitais podem chegar às autoridades quando uma empresa identifica indícios de ameaça grave e concreta à integridade física de terceiros.