Flávio prepara reação após derrotas no Congresso e redução da vantagem sobre Lula

Aprovação do fim da escala 6x1, impasse na PEC da Segurança e empate técnico nas pesquisas levam campanha do PL a rever estratégia a nove dias do segundo turno.
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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma reação para os últimos dias do segundo turno presidencial, após a redução da vantagem sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas e resultados desfavoráveis à oposição no Congresso Nacional. A estratégia inclui reforçar a mobilização de apoiadores, questionar os custos das propostas anunciadas pelo governo e ampliar a presença do candidato em debates e agendas eleitorais.

O movimento ocorre depois de duas dificuldades enfrentadas pelo grupo político de Flávio nesta semana: a aprovação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras de Lula, e o adiamento da votação da PEC da Segurança Pública, provocado por divergências sobre a redução da maioridade penal. As duas pautas passaram a ocupar espaço central na disputa presidencial.

A preocupação também aumentou após a divulgação da pesquisa Datafolha, na quinta-feira (15), que mostrou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Os candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No levantamento anterior, o senador aparecia com 52%, enquanto o presidente tinha 48%.

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Fim da escala 6×1 obriga Flávio a mudar discurso

A aprovação da proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais colocou Flávio Bolsonaro diante de uma mudança de posicionamento durante a campanha.

O candidato havia criticado a medida defendida pelo governo Lula e chegou a classificá-la como oportunista. Na terça-feira (13), entretanto, anunciou que votaria a favor do fim da escala 6×1, depois de reconhecer o apoio de trabalhadores à proposta.

A mudança ocorreu após uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. Na ocasião, Flávio justificou a decisão afirmando que havia ouvido a população durante suas viagens pelo país.

“Eu tô rodando o Brasil, a maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1, só que a gente defende algo ainda melhor sempre”.

Na quarta-feira (14), o Senado aprovou a proposta em dois turnos. Flávio votou favoravelmente de forma remota, enquanto cumpria agenda eleitoral em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O coordenador da campanha do candidato e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), não participou das votações. Antes da aprovação, o parlamentar havia defendido o adiamento da análise para depois das eleições e apresentado uma alternativa com maior liberdade para negociação da jornada.

Apesar do voto favorável, integrantes da campanha de Flávio admitem discutir mudanças nas regras caso ele seja eleito. O candidato defende compensações para empresas que possam enfrentar aumento de custos com a redução da jornada, mas ainda não apresentou uma estimativa financeira para essa proposta.

PEC da Segurança provoca confronto entre oposição e Alcolumbre

Outra dificuldade para a oposição ocorreu durante a análise da PEC da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal em 2025.

O grupo de Flávio tentou incluir no texto uma proposta de redução da maioridade penal. Rogério Marinho apresentou uma emenda para permitir a responsabilização criminal a partir dos 16 anos, com previsão de aplicação a adolescentes de 14 anos em determinados crimes graves.

A iniciativa recebeu apoio de Flávio Bolsonaro, que defende o endurecimento das punições como uma das principais propostas de sua campanha na área de segurança pública.

A tentativa de alteração, entretanto, provocou divergências no Senado. O líder do PT na Casa, Camilo Santana (CE), apresentou uma alternativa para reduzir a maioridade penal apenas em casos de crimes hediondos, mas também não houve consenso entre os governistas.

Diante do impasse, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou a PEC da pauta na quinta-feira (15).

A decisão provocou um confronto verbal entre Alcolumbre e Rogério Marinho no plenário. O líder da oposição questionou se a retirada havia sido solicitada pelo governo Lula, mas o presidente do Senado afirmou que tomou a decisão por iniciativa própria.

Após a sessão, Marinho acusou Alcolumbre de favorecer o governo.

“Nós só podemos fazer uma avaliação. O presidente Davi, a serviço do governo, abrindo mão da sua posição de magistrado, mais uma vez fica de costas para a sociedade”.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rejeitou as acusações e afirmou que a oposição tentava atrasar a votação da proposta.

“Nós não vamos ceder a esta chantagem da oposição”.

Com a retirada da pauta, a PEC da Segurança ficou sem nova data de votação. A redução da maioridade penal também não avançou, frustrando a tentativa da oposição de levar a proposta adiante antes do segundo turno.

Centrão apoia Flávio, mas mantém articulação com Hugo Motta

As dificuldades da campanha também envolvem as negociações para o comando do Congresso Nacional a partir de 2027.

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e o Republicanos declararam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, depois de terem adotado uma posição de neutralidade na primeira etapa da eleição.

O apoio eleitoral, entretanto, não significou uma adesão integral aos interesses do PL dentro da Câmara dos Deputados.

Na quarta-feira (14), dirigentes de partidos do Centrão anunciaram a manutenção do bloco político que sustenta Hugo Motta (Republicanos-PB) na Presidência da Câmara e passaram a trabalhar por sua recondução ao cargo em fevereiro de 2027.

A articulação reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSDB-Cidadania e a federação Solidariedade-PRD.

As cinco principais bancadas desse campo político somam 234 deputados eleitos para a próxima legislatura.

O movimento contraria o interesse de integrantes do PL de aproveitar o crescimento da bancada para lançar um candidato próprio à Presidência da Câmara.

O partido de Flávio elegeu 121 deputados federais e discute nomes como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ) para a disputa pelo comando da Casa.

Hugo Motta, por sua vez, declarou apoio à reeleição de Lula e participou de atos de campanha do presidente na Paraíba. O deputado também contribuiu para o avanço de propostas defendidas pelo governo, como o fim da escala 6×1 e a ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais.

Flávio deve questionar custos das promessas de Lula

Uma das principais frentes de reação da campanha de Flávio será a discussão sobre os impactos das medidas econômicas anunciadas pelo governo federal às vésperas do segundo turno.

Além da aprovação do fim da escala 6×1, Lula anunciou reajuste do Bolsa Família, ampliação de benefícios para microempreendedores individuais e a intenção de apresentar uma proposta de transporte público gratuito aos fins de semana.

No caso dos MEIs, o projeto aprovado pelo Senado prevê renúncia de arrecadação, mas ainda existem questionamentos sobre a compensação financeira necessária para acomodar os efeitos da medida.

O reajuste do Bolsa Família também deverá exigir mudanças no Orçamento de 2027. A equipe econômica trabalha com a necessidade de remanejar aproximadamente R$ 22 bilhões para financiar o aumento do benefício.

Já o passe livre aos fins de semana depende do envio de uma proposta ao Congresso e da definição de fontes de financiamento. Lula afirmou que pretende compartilhar os custos utilizando recursos de emendas parlamentares.

A campanha de Flávio avalia que a ausência de definições sobre o financiamento de algumas dessas medidas poderá ser explorada nos debates, especialmente em conversas com empresários e representantes do mercado financeiro.

Na terça-feira (13), o candidato participou de um encontro com aproximadamente 500 empresários em São Paulo e recebeu um documento com sugestões de reformas econômicas.

Entre as propostas apresentadas pelo setor empresarial estão o aumento da idade mínima de aposentadoria para 67 anos, mudanças na vinculação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo e revisão dos critérios de concessão e permanência no Bolsa Família.

O recebimento do documento não significa que Flávio tenha incorporado todas essas propostas ao seu programa de governo.

Pesquisa Datafolha aumenta pressão sobre a campanha

A reorganização da estratégia ocorre em meio ao estreitamento da diferença entre os candidatos nas pesquisas eleitorais.

No levantamento Datafolha divulgado na quinta-feira (15), Flávio Bolsonaro apareceu com 51% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 49%.

Na pesquisa anterior, a diferença era de quatro pontos percentuais. Agora, caiu para dois pontos, dentro da margem de erro do levantamento.

O resultado indica uma disputa estatisticamente empatada, sem permitir afirmar qual dos candidatos vencerá a eleição.

Para os últimos dias de campanha, a equipe de Flávio pretende intensificar a mobilização de apoiadores e ampliar a participação de aliados em regiões consideradas importantes para a disputa, incluindo estados do Nordeste.

A campanha também busca reforçar a presença do candidato em eventos públicos e confrontos diretos com Lula, nos quais deverão ser discutidas as propostas econômicas, a segurança pública e as mudanças nas relações de trabalho.

Próximos passos

A campanha de Flávio prepara uma manifestação de apoiadores para domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo. O PL informou à prefeitura uma expectativa de público de 20 mil pessoas.

No mesmo dia, às 20h, Flávio e Lula têm participação confirmada no debate presidencial organizado pela Band, o primeiro confronto direto entre os candidatos nesta etapa da eleição.

Além da mobilização nas ruas, a equipe do senador pretende ampliar os questionamentos sobre os custos das propostas do governo e manter negociações com partidos do Centrão.

A PEC da Segurança Pública segue sem nova data de votação no Senado, enquanto a oposição ainda discute como avançar com a proposta de redução da maioridade penal.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as duas campanhas terão pouco mais de uma semana para apresentar suas propostas e buscar apoio entre os eleitores que ainda não definiram o voto.

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