O secretário de Governo de Bauru, Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi preso na manhã desta sexta-feira (16) durante uma nova fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas de fraude em uma licitação bilionária para a concessão dos serviços de coleta e gestão de resíduos sólidos do município.
Um vídeo registrado em frente ao condomínio onde o secretário mora mostra o momento em que ele é levado pelos policiais. Nas imagens, Purini aparece no banco traseiro de uma viatura. Depois da prisão, ele foi conduzido à Prefeitura de Bauru, onde entrou algemado, enquanto agentes realizavam diligências relacionadas à investigação.
A operação também incluiu buscas na residência do secretário, localizada em um condomínio na Zona Sul da cidade, e nas dependências da administração municipal. A prefeita Suéllen Rosim não é alvo da ação policial desta sexta-feira, segundo as informações divulgadas até o momento.
LEIA TAMBÉM
Justiça mantém prisão de sete investigados em operação contra fraude na licitação do lixo em Bauru
Marido da prefeita de Bauru é preso durante operação do Gaeco
A prisão de Renato Purini ocorreu durante o cumprimento de medidas judiciais relacionadas à Operação Cavalo de Troia, investigação que já havia resultado na detenção de ex-integrantes da administração municipal.
Equipes do Gaeco, com apoio da Polícia Militar, estiveram na residência do secretário durante a manhã. O local fica em um condomínio na Zona Sul de Bauru, onde ele mora com a prefeita Suéllen Rosim.
Após ser detido, Purini foi colocado em uma viatura policial e levado até a sede da prefeitura. O deslocamento foi registrado em vídeo, que mostra o secretário no banco traseiro do veículo.
Na prefeitura, agentes também realizaram diligências e buscas em setores ligados à administração municipal.
A prisão ocorre no contexto de uma investigação criminal em andamento e não representa condenação. As responsabilidades individuais dos envolvidos dependem da apuração e das decisões da Justiça.

Operação investiga licitação de R$ 5,2 bilhões para gestão do lixo
A Operação Cavalo de Troia apura suspeitas de fraude no processo de concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru.
O projeto previa um contrato com duração de 30 anos e valor estimado em R$ 5,2 bilhões, considerado o maior procedimento de contratação pública projetado na história do município.
Segundo o Ministério Público, integrantes de um grupo investigado teriam atuado para interferir na elaboração das regras do edital e favorecer a empresa Estre Ambiental.
A suspeita é de que agentes públicos e representantes de empresas privadas tenham participado de articulações para direcionar o processo de contratação, comprometendo a concorrência entre possíveis interessados.
Entre os pontos investigados estão a preparação de documentos técnicos, a elaboração de pareceres administrativos e a possível participação de pessoas ligadas à empresa interessada dentro da estrutura municipal.
A licitação foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e posteriormente cancelada.
Investigação começou após denúncias envolvendo catadores
As apurações que deram origem à operação começaram em março de 2026, após denúncias de ameaças contra trabalhadores de uma associação de catadores de materiais recicláveis de Bauru.
O Ministério Público passou a investigar a atuação de pessoas ligadas à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), que mantinha contratos com a prefeitura.
Segundo os investigadores, o monitoramento de comunicações entre pessoas envolvidas nas denúncias revelou indícios de possíveis pedidos de propina e tentativas de interferência no processo de concessão dos serviços de resíduos.
Com o avanço das diligências, a investigação passou a alcançar integrantes da administração municipal e representantes de empresas privadas.
Os investigadores suspeitam que o grupo tenha buscado influenciar etapas da licitação para beneficiar interesses particulares.

Primeira fase da operação resultou na prisão de sete pessoas
A primeira fase da Operação Cavalo de Troia foi deflagrada em 9 de setembro de 2026, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.
Entre os investigados estavam ex-integrantes da administração municipal, representantes da empresa Estre Ambiental e pessoas ligadas à associação de catadores.
Na ocasião, foram presos a ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan, o ex-secretário de Negócios Jurídicos Vitor João de Freitas Costa e a ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente Sara Moura de Jesus.
A operação também atingiu o empresário Hamilton Libório Agle, ligado à Estre Ambiental, além de outros investigados apontados pelo Ministério Público como possíveis participantes do esquema.
Após a divulgação das investigações, a Prefeitura de Bauru anunciou a exoneração de integrantes da administração municipal e informou que adotaria medidas para revisar procedimentos relacionados aos contratos investigados.
A Justiça posteriormente recebeu acusações apresentadas pelo Ministério Público contra investigados da operação. O recebimento de uma denúncia, porém, não significa reconhecimento de culpa.
Prefeitura de Bauru diz que vai colaborar com as autoridades
Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Prefeitura de Bauru confirmou a presença de equipes do Gaeco nas dependências do Executivo municipal.
A administração informou que ainda não havia recebido comunicação oficial sobre o objeto específico da nova ação.
“Até o momento, o Município não foi oficialmente informado sobre o objeto da ação”, afirmou a prefeitura.
Em outro trecho do comunicado, a administração declarou: “A Prefeitura permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”.
A prefeitura também informou que acompanha o andamento da operação.
Até a divulgação das informações, não havia sido apresentada uma manifestação específica da defesa de Renato Purini sobre a prisão desta sexta-feira.

Prefeita Suéllen Rosim não é alvo da operação desta sexta-feira
Embora os policiais tenham realizado buscas na residência onde Suéllen Rosim mora com o marido, a prefeita não figura entre os alvos da ação desta sexta-feira, conforme as informações divulgadas.
A chefe do Executivo municipal também enfrenta questionamentos políticos relacionados ao processo de concessão dos serviços de gestão de resíduos.
Na Câmara Municipal de Bauru, uma Comissão Processante foi instalada para analisar uma denúncia envolvendo a atuação da prefeita no procedimento licitatório.
Em 5 de outubro, os integrantes da comissão decidiram dar continuidade à apuração após a análise da defesa prévia apresentada por Suéllen.
A defesa da prefeita sustenta que o procedimento de contratação tinha finalidade pública legítima e que ela não foi responsável pela elaboração técnica da modelagem da concessão.
A comissão municipal e a investigação criminal conduzida pelo Gaeco são procedimentos distintos, com objetos e responsabilidades que precisam ser analisados separadamente.
O que acontece agora com a Operação Cavalo de Troia?
Com a prisão de Renato Purini, a investigação avança sobre a possível participação de outros integrantes da administração municipal nas irregularidades relacionadas à concessão dos serviços de resíduos.
Os documentos e equipamentos recolhidos durante as buscas poderão ser analisados pelo Ministério Público para identificar eventuais responsabilidades e esclarecer o funcionamento das operações investigadas.
As autoridades também deverão detalhar os fundamentos da prisão e os próximos procedimentos judiciais relacionados ao secretário.
Enquanto isso, a Prefeitura de Bauru afirma que continuará colaborando com os investigadores. O processo de apuração segue em andamento, e os suspeitos têm direito à defesa e ao contraditório.