Janones diz que “Exército do Lula” voltou com força e que direita perdeu espaço nas redes

Deputado afirma que mobilização digital mudou o cenário da campanha presidencial; canal no WhatsApp ultrapassou 4,4 milhões de seguidores após voltar a funcionar por decisão do TSE.
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O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que a mobilização digital em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou força no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo o parlamentar, o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, voltou a funcionar e ajudou a reduzir a vantagem que a direita mantinha nas redes sociais.

Em declarações divulgadas nesta sexta-feira (16), Janones sustentou que a estratégia de comunicação adotada pelos apoiadores de Lula mudou a dinâmica da disputa virtual contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O deputado avalia que a oposição perdeu parte do espaço que ocupava no ambiente digital, especialmente depois da intensificação das publicações coordenadas por sua comunidade.

A avaliação ocorre após uma série de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspenderam e posteriormente permitiram a retomada das atividades do canal. Com mais de 4,4 milhões de seguidores, o grupo se tornou uma das principais ferramentas de mobilização de apoiadores do presidente na reta final da campanha.

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Janones afirma que direita perdeu vantagem na mobilização digital

Responsável pela organização do “Exército do Lula”, Janones considera que a esquerda conseguiu reagir à atuação de grupos ligados ao bolsonarismo nas plataformas digitais. Para ele, a campanha de Lula passou a contar com uma rede mais organizada de apoiadores, capaz de compartilhar conteúdos e ampliar a circulação de mensagens favoráveis ao presidente.

O parlamentar havia criticado anteriormente a comunicação da campanha petista no primeiro turno. Na avaliação dele, o grupo político demorou a reconhecer a importância da disputa de narrativas nas redes sociais, o que teria contribuído para o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas.

A nova estratégia busca estimular a participação direta dos eleitores, com orientações para compartilhamento de vídeos, mensagens e publicações em diferentes plataformas.

Apesar da avaliação otimista de Janones, o crescimento de uma comunidade digital não significa, por si só, que a campanha tenha conquistado mais votos. A influência desse tipo de mobilização sobre o resultado eleitoral depende de fatores que vão além do número de seguidores.

André Janones afirma que a mobilização do “Exército do Lula” fortaleceu a presença digital da campanha presidencial.

Exército do Lula ultrapassa 4,4 milhões de seguidores

O canal administrado por André Janones ganhou milhões de seguidores depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A comunidade reúne apoiadores interessados em divulgar conteúdos da campanha de Lula e participar de ações de mobilização nas redes.

Por meio do WhatsApp, o deputado publica áudios, vídeos e orientações para que os integrantes ampliem o alcance das mensagens. Uma das estratégias consiste em incentivar cada participante a convidar outras pessoas para o grupo.

O crescimento também transformou as convocações de Janones em assunto nas redes sociais. A expressão “Pessoal, urgente”, frequentemente utilizada pelo parlamentar no início de suas mensagens, virou meme e passou a ser reproduzida por internautas.

O próprio Lula participou das brincadeiras sobre a mobilização. Em vídeo divulgado na quinta-feira (15), o presidente afirmou, em tom de humor, que poderia utilizar o celular da primeira-dama, Janja da Silva, para entrar na comunidade.

Levantamento aponta melhora de Lula nas redes sociais

Dados da empresa de análise digital Datrix indicam uma mudança no ambiente das redes sociais durante o segundo turno. O levantamento identificou melhora no saldo de sentimento das publicações relacionadas a Lula e redução do indicador positivo associado a Flávio Bolsonaro.

Segundo a análise, o saldo de sentimento sobre Lula passou de -20,3 para -2,2 no período observado. O indicador de Flávio caiu de 28,5 para 9,1. Os números representam métricas de percepção nas plataformas monitoradas, e não percentuais de intenção de voto.

A pesquisa também identificou mudanças na estratégia de publicação do presidente, com maior utilização de vídeos e conteúdos curtos. O crescimento da comunidade organizada por Janones coincidiu com a melhora dos indicadores digitais, embora os dados não comprovem que o canal tenha sido o único responsável pela mudança.

Canal voltou a funcionar após disputa no TSE

O “Exército do Lula” foi alvo de questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral. A oposição acusou a comunidade de disseminar desinformação e pediu providências contra o funcionamento do canal.

Janones negou as acusações. O caso passou por decisões sucessivas no TSE, incluindo determinações de suspensão e autorizações provisórias para a retomada das atividades.

Em uma das etapas do processo, a Justiça Eleitoral exigiu o registro formal do canal como instrumento de propaganda eleitoral. Após a regularização, a comunidade foi autorizada a voltar a publicar conteúdos e receber novos seguidores.

O funcionamento foi restabelecido na quarta-feira (14), permitindo que Janones retomasse a mobilização digital na reta final do segundo turno.

Disputa entre Lula e Flávio entra na reta final

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificam as estratégias para conquistar eleitores ainda indecisos e mobilizar suas bases de apoio.

As redes sociais ocupam papel importante nessa disputa, permitindo que candidatos e apoiadores divulguem mensagens diretamente aos eleitores, sem depender exclusivamente dos formatos tradicionais de propaganda.

Para Janones, a retomada do canal representa uma oportunidade de ampliar a presença digital da campanha petista. A avaliação de que a direita perdeu espaço, entretanto, permanece como uma interpretação política do deputado, e não como uma conclusão definitiva sobre a preferência dos eleitores.

Nos próximos dias, o desafio das duas campanhas será transformar visibilidade, engajamento e mobilização virtual em participação efetiva nas urnas.

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