O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato de campanha em Ipatinga, no Vale do Aço, nesta sexta-feira (16). Na cidade onde foi derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, o petista usou o fim da escala de trabalho 6×1 e a tradição operária da região para tentar conquistar o eleitorado antes da votação de 25 de outubro.
Durante o discurso na Avenida Selim José de Sales, Lula relembrou sua atuação sindical e as mobilizações trabalhistas em municípios como Timóteo, Coronel Fabriciano e João Monlevade. O presidente afirmou que a região tem uma ligação histórica com a defesa dos direitos dos trabalhadores.
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“Não é possível que a região mais operária de Minas Gerais, aquela que produz grande parte da riqueza deste país, vote em um direitista”, declarou.
O presidente esteve acompanhado da senadora eleita Marília Campos (PT), do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), do senador eleito Rui Costa (PT-BA) e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Lula perdeu para Flávio Bolsonaro em Ipatinga
A visita ocorreu em um município onde o candidato do PL conquistou ampla vantagem no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Flávio Bolsonaro recebeu 61,11% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 31,47%, uma diferença de 29,64 pontos percentuais.
O resultado mantém uma tendência registrada em 2022. Naquele ano, Jair Bolsonaro (PL) venceu Lula em Ipatinga nos dois turnos. Na votação decisiva, o então presidente recebeu 65,12% dos votos, contra 34,88% do petista.
Antes de chegar ao Vale do Aço, Lula participou de um ato de campanha em Juiz de Fora, na Zona da Mata, também nesta sexta-feira.
Fim da escala 6×1 vira tema de campanha
A passagem de Lula por Minas ocorreu no mesmo dia em que o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141, que determina o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
Pelas novas regras, os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana. A mudança começará a valer após dois meses, com jornada máxima de 42 horas semanais. A redução para 40 horas ocorrerá 14 meses depois da promulgação.
A aprovação se tornou um dos principais temas da disputa presidencial. Embora tenha criticado anteriormente a proposta, Flávio Bolsonaro votou a favor da mudança no Senado. Lula, por sua vez, tem usado a medida para reforçar seu discurso em defesa dos direitos trabalhistas na reta final da campanha.