A indústria moageira e analistas do setor alertam que o Brasil deve importar cerca de 8 milhões de toneladas de trigo na próxima safra para suprir a demanda interna. O fenômeno ocorre devido à redução da área plantada no Paraná e no Rio Grande do Sul, motivada pela baixa rentabilidade e pela alta de insumos como fertilizantes e diesel. O movimento, registrado nesta temporada em todo o território nacional, é impulsionado por tensões geopolíticas que encareceram o frete e o petróleo, forçando moinhos a repassarem os custos gradualmente ao consumidor final.
Produção em queda e custos recordes
No Paraná, estado que lidera a produção nacional, o cultivo de trigo pode atingir o menor patamar em 25 anos. O desânimo dos produtores é justificado pela matemática do campo: os gastos com embalagens subiram 25%, enquanto o preço da tonelada do grão no mercado interno saltou mais de R$ 200. No Rio Grande do Sul, o valor pago ao produtor mal cobre as despesas, fazendo com que muitos desistam do grão ou reduzam o investimento em tecnologia, o que afeta a qualidade da farinha.
Além disso, o cenário internacional não colabora. Problemas climáticos nos Estados Unidos e a instabilidade no Oriente Médio dificultam a oferta de ureia e encarecem a logística global.
O impacto no bolso: Reajustes graduais
Para o consumidor, a conta já começou a chegar. Representantes do setor moageiro indicam que os preços de pães, biscoitos e massas já sofrem reajustes há pelo menos 40 dias. A expectativa é que o aumento inicial de 10% seja apenas o começo, com projeções de que o impacto total supere os 20% até o fim da safra.

Com os estoques nacionais de alta qualidade praticamente esgotados, a solução será recorrer ao mercado externo, especialmente à Argentina. Se as projeções de importação de 8 milhões de toneladas se confirmarem, o Brasil superará o Egito, tornando-se o principal comprador de trigo do planeta.
As informações apresentadas nesta matéria foram baseadas em dados e projeções de mercado fornecidos pelo Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná), pelo Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná), pela TF Consultoria Agroeconômica e por entidades setoriais como a Abitrigo e a Abimapi.