Qual o motivo da greve de ônibus em SP hoje?

Paralisação de trabalhadores da antiga Transwolff afeta cerca de 267 mil passageiros e 34 linhas; Prefeitura aciona ônibus emergenciais para reduzir os impactos.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Passageiros da zona sul de São Paulo foram surpreendidos por uma greve de ônibus na manhã desta segunda-feira (19). A paralisação de trabalhadores da antiga Transwolff comprometeu o funcionamento do transporte coletivo na região, afetando cerca de 267 mil usuários que dependem dos veículos para chegar ao trabalho, à escola e a outros compromissos.

O movimento começou nas primeiras horas da manhã, em uma garagem localizada em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista. Sem aviso prévio aos passageiros, a paralisação provocou dificuldades nos deslocamentos e levou a Prefeitura de São Paulo a acionar um esquema emergencial de ônibus para reduzir os transtornos.

Imagens da paralisação mostram os impactos da interrupção do serviço na rotina dos passageiros. A falta de aviso antecipado foi um dos principais fatores que dificultaram o planejamento dos deslocamentos nesta segunda-feira.
Imagens da paralisação mostram os impactos da interrupção do serviço na rotina dos passageiros. A falta de aviso antecipado foi um dos principais fatores que dificultaram o planejamento dos deslocamentos nesta segunda-feira.

Segundo a administração municipal, a greve atingiu os serviços do lote D10, identificado pelos ônibus de cor azul-claro. A Prefeitura informou inicialmente o acionamento do sistema emergencial para 34 linhas. Reportagens posteriores apontaram que a paralisação afetou até 67 linhas, embora nem todas tenham recebido atendimento emergencial. Os veículos do lote D11, de cor vinho, continuaram circulando normalmente.  

LEIA TAMBÉM
Greve de ônibus afeta 267 mil passageiros na zona sul de SP; prefeitura aciona Paese

Greve de ônibus provoca transtornos para passageiros na zona sul

A paralisação prejudicou moradores de bairros atendidos pelas linhas da antiga Transwolff, especialmente nas regiões de Parelheiros e Grajaú, onde o transporte coletivo é utilizado diariamente para o deslocamento até terminais e outras áreas da cidade.

Passageiros enfrentaram dificuldades para embarcar e precisaram procurar alternativas de transporte. No Terminal Varginha, ônibus de outras empresas foram mobilizados para atender parte da demanda, enquanto usuários aguardavam informações sobre o funcionamento das linhas.

A greve também ocorreu durante o horário de maior movimentação do transporte público. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a lentidão nas vias da zona sul chegou a 192 quilômetros no início da manhã.

Imagens da paralisação mostram os impactos da interrupção do serviço na rotina dos passageiros. A falta de aviso antecipado foi um dos principais fatores que dificultaram o planejamento dos deslocamentos nesta segunda-feira.

A administração municipal também solicitou reforço policial nas garagens envolvidas no movimento.
A administração municipal também solicitou reforço policial nas garagens envolvidas no movimento.

Por que os motoristas da antiga Transwolff entraram em greve?

Os trabalhadores reivindicam esclarecimentos sobre direitos trabalhistas, especialmente em relação aos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e às contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre as reclamações também estão questões relacionadas ao plano de saúde, ao vale-alimentação e às condições de trabalho.

Durante o protesto em frente à garagem de Parelheiros, funcionários exibiram uma faixa com a frase “Chega de silêncio”, em referência às cobranças por esclarecimentos sobre os benefícios e recolhimentos trabalhistas.

O sindicato da categoria, Sindimotoristas, informou que não havia recebido comunicação oficial sobre a paralisação e ressaltou a necessidade de diálogo para solucionar as reivindicações dos trabalhadores.

Prefeitura aciona Paese para atender passageiros

Para reduzir os impactos da greve, a Prefeitura de São Paulo acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), mecanismo que permite mobilizar ônibus de outras operadoras para substituir temporariamente linhas prejudicadas.

O atendimento emergencial foi anunciado inicialmente para 34 linhas do lote D10. Em atualizações divulgadas pela imprensa, a cobertura do sistema foi informada para 37 linhas, diante de um total de 67 linhas afetadas pela paralisação.

 

 

Apesar da greve, a CET manteve o rodízio municipal de veículos nesta segunda-feira. A restrição para automóveis com placas de final 1 e 2 continuou valendo nos horários habituais, das 7h às 10h e das 17h às 20h.
Apesar da greve, a CET manteve o rodízio municipal de veículos nesta segunda-feira. A restrição para automóveis com placas de final 1 e 2 continuou valendo nos horários habituais, das 7h às 10h e das 17h às 20h.

SPTrans afirma que salários e benefícios estão em dia

A SPTrans, responsável pela administração dos serviços da antiga Transwolff, afirmou que os pagamentos de salários e benefícios dos trabalhadores estão em dia e que as obrigações sob sua responsabilidade estão sendo cumpridas.

Sobre o FGTS e o INSS, a empresa municipal declarou que os depósitos estão sendo realizados integralmente em juízo, enquanto aguarda uma decisão judicial sobre os valores.

Em relação ao plano de saúde, a SPTrans informou que está em andamento um processo licitatório para a contratação de um novo fornecedor. Enquanto o procedimento não é concluído, os funcionários recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo.

A Prefeitura classificou a greve como ilegal, sob o argumento de que os trabalhadores não cumpriram o prazo de aviso prévio de 72 horas previsto para paralisações em serviços essenciais. Essa é a posição da administração municipal, e não uma conclusão judicial apresentada sobre o movimento.

Transwolff perdeu contrato após investigação sobre ligação com o PCC

Os serviços dos lotes D10 e D11 estão sob responsabilidade da SPTrans desde dezembro de 2025, quando a Prefeitura de São Paulo decretou a caducidade do contrato com a Transwolff.

A empresa havia sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo em abril de 2024, que investigou suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital.

Após a investigação, a Prefeitura interveio na operação da empresa e posteriormente encerrou o contrato. A defesa da Transwolff contesta as acusações relacionadas à investigação.

A administração municipal informou ainda que concluiu a contratação de uma empresa para retirar os adesivos da antiga operadora dos veículos, com previsão de início dos trabalhos nos próximos dias.

Greve de ônibus em São Paulo: há previsão de normalização?

Até as informações divulgadas no fim da manhã desta segunda-feira (19), não havia previsão oficial para o encerramento da paralisação.

Enquanto o movimento continuar, os passageiros devem acompanhar as atualizações sobre o funcionamento das linhas e o atendimento emergencial pelos canais oficiais da SPTrans.

A paralisação evidencia os impactos imediatos que interrupções no transporte coletivo podem provocar na rotina de milhares de moradores da zona sul, especialmente daqueles que dependem exclusivamente dos ônibus para seus deslocamentos diários.

Carregar Comentários