Feminicídios caem no Brasil, mas tentativas aumentam e chegam a 12 por dia

País registrou 1.082 mulheres assassinadas entre janeiro e setembro de 2026, queda de 4,5%; tentativas de feminicídio cresceram 10,4% no mesmo período
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O Brasil registrou uma queda de 4,5% nos feminicídios entre janeiro e setembro de 2026, mas os casos de tentativa de assassinato de mulheres por razões de gênero seguiram na direção contrária. Enquanto o número de mortes diminuiu, as tentativas de feminicídio aumentaram 10,4%, chegando à média de 12 ocorrências por dia no país. Os dados mostram que, apesar da redução dos crimes consumados, a violência contra mulheres continua em níveis elevados.

Nos primeiros nove meses deste ano, 1.082 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (20). A redução foi calculada em comparação com o mesmo período de 2025 e ocorreu principalmente no segundo e no terceiro trimestres, após um início de ano marcado pelo aumento das mortes.

A melhora no indicador nacional, porém, não foi registrada em todo o território brasileiro. Onze estados apresentaram crescimento nos feminicídios, mostrando que a redução ocorreu de maneira desigual. Especialistas alertam que os números precisam ser analisados com cautela, já que a quantidade de vítimas permanece elevada e o avanço das tentativas indica a continuidade da violência de gênero.

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Tentativas de feminicídio aumentam 10,4% no Brasil

O crescimento das tentativas de feminicídio é um dos principais pontos de preocupação do levantamento. Com uma média de 12 casos por dia, os registros indicam que, aproximadamente a cada duas horas, uma mulher é vítima de uma tentativa de assassinato motivada por razões de gênero no país.

O aumento de 10,4% contrasta com a redução das mortes consumadas. Isso significa que, embora menos mulheres tenham sido assassinadas no período analisado, os registros de ataques classificados como tentativas de feminicídio cresceram.

Especialistas apontam que parte dessa elevação pode estar relacionada ao aprimoramento dos registros policiais e à identificação mais precisa dos crimes. Entretanto, a melhoria na classificação das ocorrências não elimina a preocupação com a persistência da violência contra mulheres.

O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de gênero, incluindo situações de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação. Quando a vítima sobrevive a uma ação com intenção de matar nessas circunstâncias, o crime pode ser classificado como tentativa de feminicídio.

Queda nas mortes não ocorreu em todos os estados

Embora o resultado nacional indique redução de 4,5%, onze estados brasileiros registraram aumento no número de mulheres assassinadas por razões de gênero entre janeiro e setembro.

A diferença entre as unidades da Federação demonstra que o enfrentamento à violência contra mulheres apresenta resultados distintos pelo país. Fatores como acesso a serviços de proteção, estrutura policial, atendimento às vítimas e identificação dos crimes podem influenciar tanto a prevenção quanto o registro das ocorrências.

O comportamento dos indicadores também mudou ao longo de 2026. No primeiro trimestre, o Brasil havia registrado 399 vítimas de feminicídio, contra 371 no mesmo período de 2025, uma alta de 7,5%.

Nos meses seguintes, houve uma inversão dessa trajetória. Dados oficiais do Ministério da Justiça já apontavam redução de 2,5% no primeiro semestre e de 3,2% no acumulado até julho. Com a atualização até setembro, a queda chegou a 4,5%.

Brasil registrou mais de 1,5 mil feminicídios em 2025

O cenário atual ocorre após um ano de números elevados. Em 2025, o Brasil contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O total representou uma média superior a quatro mulheres assassinadas por dia e evidenciou a dimensão da violência de gênero no país.

O levantamento também mostrou que grande parte dos feminicídios acontece em contextos de violência doméstica e familiar, frequentemente envolvendo companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

A presença de ameaças, agressões anteriores, perseguições e descumprimento de medidas protetivas está entre os sinais de risco observados em diferentes casos de violência contra mulheres.

Por isso, especialistas defendem que a redução dos assassinatos precisa ser acompanhada de ações capazes de identificar situações de perigo antes que as agressões evoluam para tentativas de feminicídio ou mortes.

Governo amplia ações de combate à violência contra mulheres

O governo federal tem adotado medidas voltadas à prevenção da violência de gênero, à proteção das vítimas e à responsabilização dos agressores.

Entre as iniciativas está o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que busca fortalecer a atuação conjunta de diferentes órgãos públicos no enfrentamento desse tipo de crime.

Também foram desenvolvidas ações como a Operação Mulher Segura e iniciativas de integração dos serviços de atendimento e proteção às vítimas.

Além das operações policiais, as medidas protetivas de urgência continuam sendo um dos principais instrumentos previstos na Lei Maria da Penha. Elas podem determinar o afastamento do agressor, impedir aproximações e contatos e estabelecer outras restrições para preservar a segurança da mulher.

A legislação brasileira também passou por mudanças para ampliar a punição dos responsáveis por feminicídio. Com a Lei nº 14.994, de 2024, o crime passou a ter pena de 20 a 40 anos de reclusão, que pode chegar a 60 anos em situações com causas de aumento previstas em lei.

Como denunciar a violência contra mulheres

Mulheres em situação de violência podem buscar atendimento por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. O serviço é gratuito e oferece orientações sobre direitos, canais de denúncia e serviços especializados de proteção.

Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190.

As denúncias também podem ser realizadas em delegacias, especialmente nas Delegacias de Defesa da Mulher, onde houver atendimento especializado.

O aumento das tentativas de feminicídio reforça a necessidade de identificar ameaças e agressões antes que elas resultem em mortes. Apesar da redução registrada em 2026, os dados mostram que o enfrentamento à violência contra mulheres continua sendo um desafio para a segurança pública brasileira.

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