Eva Marie Saint causa da morte e fortuna reveladas aos 102 anos

A atriz premiada faleceu em Los Angeles aos 102 anos, deixando um legado no cinema clássico.
Redação NC News
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Eva Marie Saint, uma das últimas grandes estrelas da Era de Ouro de Hollywood, morre aos 102 anos em sua casa em Los Angeles, de causas naturais, segundo comunicado do porta-voz da família. A atriz, vencedora do Oscar e dona de uma carreira de mais de seis décadas em cinema, televisão, teatro e rádio, estava cercada por familiares e pessoas próximas.

Quem foi Eva Marie Saint e qual sua importância em Hollywood?

Nascida em 4 de julho de 1924 em Newark, Nova Jersey, Eva Marie Saint tornou-se um dos rostos mais emblemáticos do cinema clássico americano ao unir delicadeza, rigor técnico e uma presença em cena que marcou gerações de cinéfilos. Dona de duas estrelas na Calçada da Fama e de mais de 60 anos de carreira, ela simbolizava uma conexão direta com o período em que os grandes estúdios moldaram a identidade de Hollywood.

Inicialmente inclinada à carreira de professora, Saint descobriu a atuação na faculdade e passou pelo rádio e pela televisão ao vivo antes de chegar aos palcos da Broadway. A formação no Actors Studio, em Nova York, ajudou a transformar a jovem tímida em uma intérprete refinada, capaz de transitar do drama social ao suspense de espionagem com a mesma naturalidade.

Em 1953, sua atuação na peça “The Trip to Bountiful” lhe rendeu o Theatre World Award e chamou a atenção do diretor Elia Kazan, que a escolheria para sua estreia no cinema. A partir daí, Eva Marie Saint entrou para o grupo de atrizes que ajudaram a redefinir o papel da mulher nas telas — menos decorativo, mais complexo, moralmente ativo e psicologicamente rico.

Ao longo da vida, conciliou os sets com a família. Casou-se em 1951 com o diretor Jeffrey Hayden, com quem teve dois filhos, e manteve o casamento até a morte dele. Recusou papéis para estar mais presente em casa, sem abrir mão de participar de projetos marcantes em diferentes fases da indústria.

Carreira marcada por clássicos e prêmios

O salto para o cinema veio em 1954 com “Sindicato de Ladrões”, drama sobre estivadores e corrupção sindical no porto de Nova York. Ao lado de Marlon Brando, ela viveu Edie Doyle, jovem católica determinada a enfrentar os criminosos que mataram o irmão. O filme se tornou um clássico e levou oito estatuetas do Oscar, incluindo a de Melhor Atriz Coadjuvante para Saint, logo em sua estreia nas telonas.

Grávida de seu primeiro filho, Darrell Hayden, ela recebeu o prêmio em uma das cerimônias mais lembradas da história da Academia. Ao subir ao palco, brincou com a plateia ao dizer: “Posso ter o bebê aqui mesmo!”. Dois dias depois, daria à luz o filho.

Anos depois, em 1959, ela consolidaria seu status de estrela definitiva com “Intriga Internacional”, suspense dirigido por Alfred Hitchcock. No filme, interpretou Eve Kendall, uma espiã sedutora que se envolve com o publicitário vivido por Cary Grant em uma trama de identidade trocada, perseguições e conspirações.

A parceria com Hitchcock rendeu algumas das sequências mais icônicas do cinema, como a escalada no Monte Rushmore e o jogo de sedução à beira da linha do que os estúdios permitiam na época. Em um dos diálogos espirituosos do longa, ela dispara ao personagem de Grant: “Nunca faço amor de estômago vazio” — frase que acabou suavizada na versão final para “Nunca falo de amor de estômago vazio”. “Intriga Internacional” recebeu três indicações ao Oscar e se firmou como referência do gênero.

Saint trabalhou com alguns dos diretores mais importantes de seu tempo. Com Otto Preminger, esteve em “Êxodo”; com John Frankenheimer, em “Quando o Amor Acaba” e “Grand Prix”; com Vincente Minnelli, em “Adeus às Ilusões”; e com Norman Jewison, na sátira da Guerra Fria “Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!”.

Na televisão, voltou a ganhar protagonismo a partir dos anos 1980. Em 1990, levou um Emmy pelo drama “People Like Us” e se tornou presença constante em minisséries e telefilmes. Já para o público mais jovem, ficou especialmente lembrada por papéis tardios, como Martha Kent em “Superman: O Retorno” e participações em produções como “Um Conto do Destino”.

Qual foi a causa da morte de Eva Marie Saint aos 102 anos?

Eva Marie Saint morreu aos 102 anos de causas naturais, em sua residência em Los Angeles. De acordo com o porta-voz da família, ela partiu pacificamente, cercada por familiares e pessoas próximas, o que deve reduzir especulações sobre sua saúde e o quadro nos últimos dias.

Até idades muito avançadas, a atriz aparecia em eventos, documentários e homenagens dedicadas ao cinema clássico, frequentemente celebrada como uma das últimas testemunhas diretas do funcionamento dos grandes estúdios e da transição de Hollywood para modelos de produção mais modernos.

Legado, impacto e próximos desdobramentos

A morte de Eva Marie Saint encerra um elo raro e vivo com a Era de Ouro de Hollywood e deve impulsionar uma onda de revisitas à sua obra por cinéfilos, estudiosos e instituições culturais. Para o cinema clássico, a perda significa menos uma intérprete em atividade e mais o fim de um testemunho direto sobre métodos de direção, bastidores de set e rotinas de grandes estrelas do século passado.

Arquivos, cinematecas, festivais e canais especializados tendem a organizar retrospectivas de seus filmes mais emblemáticos, enquanto premiações podem dedicar in memoriam reforçado à atriz. No meio acadêmico, a trajetória de Saint — que atravessa cinema, TV, teatro e rádio, conciliando carreira com vida familiar — deve seguir como caso de estudo sobre a versatilidade artística e o papel das mulheres no entretenimento.

Nos próximos meses, são esperados documentários, livros, exposições e especiais televisivos que revisitem desde os bastidores de “Sindicato de Ladrões” e “Intriga Internacional” até sua virada para a televisão e seus trabalhos tardios. Para fãs de cinema clássico, a notícia funciona também como um convite a rever seus filmes e contribuir para que o nome de Eva Marie Saint siga vivo muito além desta despedida.

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