Willer Tomaz foi o maior apostador do Brasil em 2025 e movimentou R$ 5 bilhões em bets, aponta Fazenda

Advogado Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em bets e realizou depósitos superiores a R$ 258 milhões; relatório aponta falhas na fiscalização de plataforma de apostas.
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O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior apostador do Brasil em 2025, segundo uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda. O documento, divulgado nesta terça-feira (20), aponta que ele movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas online ao longo do ano.

De acordo com o levantamento, Tomaz realizou depósitos superiores a R$ 258 milhões em plataformas de apostas, quase o dobro do valor depositado pelo segundo maior apostador identificado pela fiscalização. O advogado também acumulou cerca de R$ 200 milhões em saques. Considerando as operações de entrada e saída de recursos nas plataformas autorizadas, a movimentação chegou a aproximadamente R$ 350 milhões.

Os dados fazem parte de uma nota técnica de 25 páginas, assinada pelo subsecretário de Monitoramento e Fiscalização do Ministério da Fazenda, Carlos Resende. O relatório também aponta possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro adotados pela empresa responsável pela plataforma Blaze.

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Como Willer Tomaz movimentou R$ 5 bilhões em apostas?

O valor bilionário identificado pelo Ministério da Fazenda representa o volume acumulado de apostas realizadas durante 2025. Isso não significa que o advogado tenha depositado ou perdido R$ 5 bilhões de recursos próprios.

Nas plataformas de jogos, valores recebidos como prêmios podem ser utilizados novamente em outras apostas. Dessa forma, o mesmo dinheiro pode circular diversas vezes, elevando o total movimentado sem que exista um depósito equivalente ao valor final registrado.

Segundo a nota técnica, Willer Tomaz apresentou o maior volume de depósitos entre os apostadores identificados nas plataformas autorizadas no país. A diferença em relação ao segundo colocado foi expressiva, com valores quase duas vezes maiores.

O documento também identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, que levantaram questionamentos sobre os mecanismos de controle utilizados pelas operadoras para acompanhar clientes que realizam transações de grande valor.

Ministério da Fazenda aponta falhas na fiscalização da Blaze

A análise da Secretaria de Prêmios e Apostas identificou possíveis irregularidades nos procedimentos de prevenção à lavagem de dinheiro da Foggo Entertainment, empresa responsável pela operação da Blaze no Brasil.

Segundo o relatório, a operadora não teria adotado mecanismos adequados para identificar, monitorar e avaliar determinadas movimentações financeiras realizadas por clientes de alto volume.

A legislação brasileira exige que empresas autorizadas a explorar apostas mantenham procedimentos de identificação dos usuários e mecanismos para detectar operações suspeitas.

O descumprimento dessas obrigações pode resultar em sanções administrativas, conforme a gravidade das irregularidades identificadas.

As conclusões da fiscalização não significam, por si só, que todos os recursos movimentados tenham origem ilícita ou que o advogado tenha cometido crime. Eventuais responsabilidades dependem da apuração dos órgãos competentes.

Advogado perdeu R$ 163 milhões e acionou a Justiça

O nome de Willer Tomaz já havia aparecido em outra disputa envolvendo apostas online. Em setembro, o advogado entrou na Justiça de São Paulo para tentar recuperar aproximadamente R$ 163 milhões que afirmou ter perdido na Blaze.

Na ação, Tomaz alegou ter desenvolvido dependência em jogos de azar, condição conhecida como ludopatia, e sustentou que a plataforma não teria adotado medidas suficientes para impedir a continuidade das apostas.

Documentos apresentados no processo apontaram ganhos de aproximadamente R$ 4,8 bilhões e perdas de R$ 4,963 bilhões em jogos realizados durante 2025, resultando em um prejuízo líquido de cerca de R$ 163 milhões.

A defesa argumentou que a empresa tinha conhecimento do elevado volume de operações e deveria ter adotado medidas de proteção ao consumidor.

A Blaze contestou as alegações e afirmou ter disponibilizado mecanismos de controle, incluindo ferramentas de limitação de depósitos e autoexclusão.

Em decisão divulgada na última sexta-feira (16), a Justiça de São Paulo negou o pedido de ressarcimento apresentado pelo advogado. O entendimento foi de que ele assumiu voluntariamente os riscos relacionados às apostas. A decisão ainda pode ser questionada por meio dos recursos cabíveis.

Qual é a ligação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro?

Willer Tomaz mantém uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026.

O advogado também aparece em investigações conduzidas pela Polícia Federal que analisam suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis operações de lavagem de dinheiro.

Uma das frentes de investigação envolve a relação entre Tomaz e o senador. O procedimento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Flávio Bolsonaro nega manter vínculos financeiros ou societários com o advogado. A proximidade pessoal entre os dois não comprova participação do candidato nas movimentações financeiras identificadas pelo Ministério da Fazenda.

Willer Tomaz também contesta as suspeitas de irregularidades e sustenta a legalidade dos recursos utilizados em suas operações.

Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha participado das apostas realizadas pelo advogado.

Investigações sobre movimentações financeiras continuam

O levantamento do Ministério da Fazenda acrescenta novas informações às apurações sobre operações financeiras realizadas em plataformas de apostas no Brasil.

Além da origem e da circulação dos recursos, os órgãos de fiscalização analisam se as empresas cumpriram as obrigações legais relacionadas à identificação de clientes e à prevenção de movimentações suspeitas.

O caso também ocorre na reta final da eleição presidencial. O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está marcado para domingo (25).

As investigações deverão esclarecer se houve irregularidades nas operações identificadas e se existem elementos suficientes para responsabilizar os envolvidos. Até a conclusão das apurações, permanecem assegurados os direitos de defesa e a presunção de inocência.

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