A qualidade do ar em Manaus apresentou melhora nesta quarta-feira (21), após dias de fumaça intensa provocada pelas queimadas no Amazonas. A mudança coincide com uma redução de 65,8% nos focos de incêndio registrados no estado, segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Por volta das 5h30, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram concentrações de partículas finas entre 27,4 e 33,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em diferentes pontos da capital. A maior parte das estações indicava qualidade do ar moderada, enquanto o sensor do Parque 10 de Novembro, na Zona Centro-Sul, apresentava classificação boa.
Apesar da melhora, a situação ainda exige atenção. Municípios da Região Metropolitana continuam registrando níveis elevados de poluição, e parte das escolas de Manaus permanece com as atividades presenciais suspensas para proteger estudantes e profissionais da educação.
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Focos de incêndio caem 65,8% no Amazonas
Dados do Painel do Fogo, do Censipam, mostram que o Amazonas registrou 461 focos de incêndio no período de 11 a 21 de outubro.
No intervalo anterior, entre 1º e 11 de outubro, foram contabilizados 1.348 focos.
A comparação entre os períodos, de mesma duração, representa uma redução de 65,8% nas detecções.
- Período anterior: 1.348 focos de incêndio;
- Período mais recente: 461 focos de incêndio;
- Redução registrada: 65,8%.
A queda ocorre após semanas de incêndios florestais que atingiram diferentes regiões do Amazonas e provocaram o transporte de grandes quantidades de fumaça até Manaus.
Entretanto, a redução dos focos detectados por satélite não significa necessariamente que todos os incêndios tenham sido controlados.
O Ministério Público de Contas do Amazonas alertou, em boletim divulgado na terça-feira (20), que a presença de nuvens pode dificultar a identificação de focos de calor pelos satélites.
Por isso, o órgão recomenda manter o monitoramento ambiental e as verificações em campo.
Qualidade do ar melhora, mas cidades ainda registram poluição
Os dados do sistema Selva mostram que a qualidade do ar melhorou em diferentes bairros de Manaus.
Na manhã desta quarta-feira, a maioria dos sensores indicava concentrações de partículas finas classificadas como moderadas.
O resultado representa uma mudança em relação aos dias anteriores, quando a fumaça provocou índices considerados muito ruins, péssimos e até perigosos.
A melhora, porém, não ocorreu de maneira uniforme em toda a região.
Em Iranduba, na Região Metropolitana, a concentração de partículas chegou a 96 µg/m³, índice classificado como ruim pelo sistema.
Já em Itapiranga, o monitoramento apontou qualidade do ar péssima.
As diferenças demonstram que a poluição pode continuar elevada em determinados municípios, mesmo quando os indicadores da capital apresentam redução.
Fumaça provocou centenas de atendimentos de saúde
A crise ambiental também trouxe consequências para a saúde da população.
Entre os dias 1º e 18 de outubro, Manaus registrou 607 atendimentos relacionados à exposição à fumaça, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais.
A poluição atmosférica provocada pelas queimadas pode causar irritação nos olhos, tosse, desconforto na garganta e dificuldades respiratórias.
Pessoas com asma, bronquite e outras doenças respiratórias podem apresentar agravamento dos sintomas.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares também estão entre os grupos que exigem maior atenção.
Mesmo com a melhora dos indicadores, as autoridades recomendam evitar atividades físicas intensas ao ar livre quando houver presença de fumaça e acompanhar as atualizações dos sistemas de monitoramento.
Incêndios atingiram diferentes regiões do Amazonas
O Amazonas enfrenta uma sequência de incêndios florestais desde o fim de agosto, com ocorrências na Região Metropolitana de Manaus e em municípios do interior.
Em Itacoatiara, um incêndio na região do Rio Urubu permaneceu ativo por mais de 40 dias.
O município também registrou um incêndio de grandes proporções na região do Lago do Canaçari, onde mais de 1,3 mil hectares foram atingidos.
Na capital, um incêndio em um terreno localizado no Distrito Industrial II durou mais de 48 horas e contribuiu para a deterioração das condições atmosféricas.
A fumaça produzida pelas queimadas alcançou Manaus e municípios como Itacoatiara, Manacapuru e Autazes.
Além da quantidade de incêndios, a direção dos ventos, a umidade e a ocorrência de chuvas influenciam a concentração de poluentes na atmosfera.
Melhora não significa fim da crise ambiental
Embora os indicadores desta quarta-feira representem um alívio para Manaus, especialistas e órgãos de monitoramento alertam que a situação ainda não está completamente normalizada.
A presença de partículas finas no ar continua exigindo acompanhamento, especialmente em áreas onde a fumaça permanece concentrada.
Além disso, as condições meteorológicas podem provocar novas oscilações na qualidade do ar.
A redução dos focos detectados também precisa ser acompanhada por verificações em campo para confirmar a situação dos incêndios.
O monitoramento permanece essencial para orientar medidas de proteção à saúde, decisões sobre o funcionamento das escolas e ações de combate às queimadas.
A população pode acompanhar os indicadores por meio do sistema Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, e de plataformas oficiais de monitoramento ambiental.