Uma nova versão da Mona Lisa, uma das pinturas mais famosas do mundo, está chamando atenção para a luta contra o câncer de mama. Em um mural instalado em Milão, na Itália, a personagem retratada originalmente por Leonardo da Vinci aparece com o vestido abaixado, revelando cicatrizes de uma mastectomia bilateral, cirurgia que consiste na retirada das duas mamas.
A obra foi criada pelo artista italiano aleXsandro Palombo e instalada em frente ao Istituto Nazionale dei Tumori (INT), centro especializado em pesquisa e tratamento do câncer. A intervenção artística faz parte das ações de conscientização realizadas em outubro e busca dar visibilidade às mulheres que enfrentaram a doença e passaram por procedimentos cirúrgicos.
A iniciativa foi apresentada em referência ao Dia de Conscientização sobre o Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro. Ao transformar um dos rostos mais conhecidos da história da arte, o artista propõe uma reflexão sobre as marcas físicas do tratamento, a recuperação das pacientes e a importância do diagnóstico precoce.
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Na releitura criada por aleXsandro Palombo, a Mona Lisa mantém elementos visuais associados à pintura original, mas apresenta uma característica que altera a interpretação da personagem: as cicatrizes deixadas pela retirada das duas mamas.
A imagem representa uma mulher que passou pelo tratamento do câncer de mama e carrega no próprio corpo as marcas da cirurgia.
O mural foi instalado em frente ao Istituto Nazionale dei Tumori, instituição fundada em 1928 e reconhecida pela atuação na pesquisa, no diagnóstico e no tratamento de doenças oncológicas.
Ao escolher a Mona Lisa, Palombo utiliza uma figura conhecida internacionalmente para ampliar a discussão sobre uma realidade vivida por milhares de mulheres.
A representação também chama atenção para a pouca visibilidade das cicatrizes de mastectomia em imagens públicas e representações tradicionais da beleza feminina.
A proposta é mostrar que as transformações provocadas pelo tratamento fazem parte da história de quem enfrenta a doença e não devem ser motivo de vergonha ou exclusão. 
O que é a mastectomia e quando ela é indicada?
A mastectomia é uma cirurgia utilizada no tratamento de determinados casos de câncer de mama. O procedimento consiste na retirada total de uma ou das duas mamas, dependendo das características da doença e da avaliação médica.
No mural de Milão, a personagem aparece com cicatrizes de uma mastectomia bilateral, realizada quando há indicação para a retirada de ambas as mamas.
Nem todas as pacientes diagnosticadas com câncer de mama precisam passar por esse tipo de procedimento.
Em algumas situações, é possível realizar uma cirurgia conservadora, que remove o tumor e preserva parte da mama.
A escolha do tratamento depende de fatores como o tamanho e a localização do tumor, a extensão da doença, as características biológicas do câncer e as condições clínicas da paciente.
Além da cirurgia, o tratamento pode envolver radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, conforme a indicação da equipe médica.
No Brasil, pacientes submetidas à retirada total ou parcial da mama em decorrência do câncer têm direito à reconstrução mamária pelo Sistema Único de Saúde (SUS), observadas as condições clínicas e a indicação médica.
A reconstrução pode contribuir para a recuperação física e emocional, mas a decisão de realizar o procedimento deve considerar as necessidades e preferências de cada paciente.
Brasil estima mais de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar aproximadamente 78.610 novos casos da doença por ano no período de 2026 a 2028.
Embora seja muito mais comum em mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens.
A idade é um dos principais fatores de risco, com aumento da incidência a partir dos 40 anos. O histórico familiar e determinadas alterações genéticas também podem influenciar a probabilidade de desenvolvimento da doença.
O diagnóstico em estágios iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar o prognóstico das pacientes.

Quais são os principais sinais de alerta do câncer de mama?
O aparecimento de um nódulo na mama é um dos sinais mais conhecidos do câncer, mas não é a única alteração que merece atenção.
Segundo orientações do Ministério da Saúde e do INCA, mudanças persistentes no formato da mama, na pele ou no mamilo também devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
- Caroço endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho na mama;
- Alterações na pele, incluindo aspecto semelhante à casca de laranja;
- Retração da pele ou mudança no formato do mamilo;
- Saída espontânea de secreção com sangue pelo mamilo;
- Feridas ou irritações persistentes na região da mama;
- Presença de caroços na axila;
- Aumento progressivo do volume da mama acompanhado de alterações na pele.
A presença desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. No entanto, é importante procurar avaliação médica para identificar a causa e verificar a necessidade de exames complementares. 
Diagnóstico precoce e mamografia são fundamentais
A mamografia é um dos principais exames utilizados para identificar alterações suspeitas nas mamas, inclusive antes do aparecimento de sintomas.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento populacional com mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres fora dessa faixa etária podem receber orientações individualizadas conforme seus fatores de risco e avaliação médica.
Quando existem sintomas ou alterações suspeitas, a investigação médica não deve esperar a idade recomendada para o rastreamento de rotina.
Entre os cuidados que ajudam a reduzir o risco da doença estão a prática regular de atividades físicas, a manutenção de um peso saudável e a redução do consumo de bebidas alcoólicas.
Essas medidas não eliminam completamente a possibilidade de desenvolver câncer de mama, mas fazem parte das estratégias de promoção da saúde.
Arte amplia debate sobre autoestima e recuperação
Além de chamar atenção para o diagnóstico precoce, a Mona Lisa reinterpretada por Palombo coloca em evidência as mudanças corporais que podem ocorrer durante o tratamento oncológico.
As cicatrizes da mastectomia, muitas vezes associadas a experiências difíceis, aparecem na obra como parte da trajetória de sobrevivência da personagem.
A intervenção artística também convida o público a refletir sobre os padrões de beleza e sobre a forma como mulheres submetidas a cirurgias são representadas socialmente.
Ao ocupar um espaço público em frente a uma instituição de referência no tratamento do câncer, o mural aproxima a arte das discussões sobre saúde, acolhimento e qualidade de vida.
A mensagem ganha destaque durante o Outubro Rosa, campanha que busca ampliar o acesso à informação e incentivar o cuidado contínuo com a saúde das mamas.