O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse nesta quarta-feira (21), em ato de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, que aceita o desafio de Lula (PT) de quebrar os sigilos telefônico e bancário. Mas impôs condições: o presidente teria de abrir também os dados de Marcola, ex-assessor da Presidência, do Instituto Lula e do cartão corporativo da primeira-dama, Janja da Silva.
Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE e ao STF um documento que autoriza a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de familiares, desde que Flávio faça o mesmo.
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As condições de Flávio
Segundo Flávio, é Marcola quem “abria as portas” para Lulinha, filho do presidente, fazer negócios nos ministérios. “Eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, afirmou.
Flávio acrescentou outras exigências: “Pra eu abrir meu sigilo, você vai abrir o sigilo do Instituto Lula”. E ainda: o petista teria de liberar os dados do cartão corporativo dele e de Janja.
As declarações foram feitas durante o ato e não equivalem a conclusões judiciais sobre os fatos citados. O material não traz resposta da campanha de Lula.
Ataques e acusações
A seis dias do segundo turno, Flávio intensificou o tom contra o adversário. Acusou Lula de corrupção, questionou o patrimônio da família presidencial e levantou suspeitas sobre negócios de Lulinha. Disse ainda que o presidente persegue adversários e prejudica estados e municípios governados pela oposição, e citou São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.
O aborto no discurso
O tema ganhou espaço na fala do candidato. Ao comentar ação do PSOL no STF, Flávio disse que defenderá a vida desde a concepção e acusou o partido de querer liberar o aborto até a 12ª semana de gestação. Afirmou também que, se Lula vencer, novas indicações ao Supremo poderiam favorecer a ampliação do direito ao aborto.
No fim, pediu votos para o PL e disse que pretende governar com referências religiosas e uma orientação diferente da atual gestão.
Reta final
O discurso ocorre em um momento de ataques cruzados e de disputa por eleitores conservadores e indecisos, grupo que, segundo a Quaest, dobrou na última semana.