As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciaram nesta quinta-feira (22) um acordo para a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos à Presidência da República. O entendimento foi formalizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, a três dias do segundo turno das eleições.
Apesar do acordo, os dados ainda não foram liberados ao público. A divulgação depende de uma decisão do ministro André Mendonça, responsável pela análise do pedido na Justiça Eleitoral. As campanhas defendem que as informações sejam disponibilizadas de maneira simultânea, em uma plataforma de acesso público.
O entendimento foi alcançado depois de dias de negociações, troca de exigências e divergências sobre quais familiares, empresas e pessoas próximas aos candidatos deveriam ter suas informações incluídas. A campanha de Lula apresentou documentos ao tribunal, enquanto a equipe de Flávio afirmou que também cumprirá os termos acertados.
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O que prevê o acordo entre Lula e Flávio Bolsonaro?
O documento apresentado pelas campanhas prevê a autorização recíproca para a abertura dos sigilos dos candidatos, com divulgação pública das informações após os procedimentos determinados pela Justiça Eleitoral.
O pedido inclui dados bancários, fiscais e telefônicos, além de informações de familiares e pessoas jurídicas relacionadas aos presidenciáveis.
A proposta estabelece que os documentos sejam requisitados às instituições responsáveis, incluindo o Banco Central, a Receita Federal, instituições financeiras e operadoras de telefonia.
As campanhas também solicitaram que os registros sejam divulgados simultaneamente no sistema DivulgaCandContas, utilizado pela Justiça Eleitoral, ou em outro endereço eletrônico de acesso público.
A medida, entretanto, não representa uma quebra de sigilo já executada. Para que os documentos sejam disponibilizados, ainda são necessárias a análise judicial e as providências dos órgãos envolvidos.
Como começou a disputa pela abertura dos sigilos?
A discussão começou no domingo (18), durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar informações sobre suas movimentações financeiras e seu patrimônio.
Na terça-feira (20), a defesa do presidente apresentou ao TSE um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos.
O pedido também abrangia a primeira-dama Janja da Silva, os filhos do presidente e empresas relacionadas aos candidatos.
A autorização, porém, estava condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro.
Em resposta, o senador apresentou uma contraproposta com 19 exigências. Entre elas estavam a inclusão de pessoas ligadas ao governo federal, informações sobre o Instituto Lula e documentos relacionados a despesas da Presidência da República.
Na quarta-feira (21), a campanha petista afirmou que aceitava as condições apresentadas pelo adversário, desde que houvesse reciprocidade na divulgação dos dados.
Empresa ligada a Willer Tomaz esteve no centro do impasse
Um dos principais pontos de divergência envolveu a inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, relacionada ao advogado Willer Tomaz.
A campanha de Lula defendia que a empresa permanecesse entre as pessoas jurídicas abrangidas pela abertura de informações.
A equipe de Flávio Bolsonaro resistiu inicialmente à inclusão da companhia, mas o nome voltou a constar dos termos negociados entre as campanhas.
A referência à empresa faz parte da disputa sobre o alcance da divulgação de dados e não comprova, por si só, a existência de irregularidades ou crimes.
A definição sobre quais informações poderão ser requisitadas e divulgadas dependerá da análise do TSE e das exigências legais aplicáveis.
Campanhas compareceram ao TSE nesta quinta-feira
Representantes dos dois candidatos estiveram na sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, nesta quinta-feira (22), para tratar da formalização do acordo.
Pela campanha de Lula, participaram das articulações o presidente do PT, Edinho Silva, o senador Camilo Santana e o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi representada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri. O senador eleito Deltan Dallagnol também acompanhou as discussões e foi indicado para auxiliar na análise dos documentos apresentados.
O acordo prevê a apresentação das autorizações pelos dois lados, mas a entrega de documentos não deve ser confundida com a efetiva disponibilização pública dos sigilos.
A equipe de Flávio informou que pretende cumprir a entrega até as 23h59 desta quinta-feira.
O que falta para os sigilos serem divulgados?
O próximo passo será a análise do pedido pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral.
A Justiça Eleitoral deverá avaliar os termos do acordo, a abrangência das autorizações e os procedimentos necessários para a obtenção e eventual publicação dos documentos.
O fato de os candidatos concordarem com a abertura de seus próprios sigilos não significa que informações protegidas de terceiros possam ser divulgadas automaticamente.
Também será necessário verificar quais autorizações individuais e determinações judiciais são exigidas para o acesso aos registros de familiares, empresas e outras pessoas mencionadas nos pedidos.
As campanhas defendem que a divulgação aconteça antes do segundo turno, marcado para domingo (25), mas ainda não existe confirmação de que os documentos estarão disponíveis até a votação.
Acordo acontece na reta final das eleições de 2026
A discussão sobre a abertura de sigilos ganhou destaque nos últimos dias da campanha presidencial, em meio à troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Os dois candidatos defendem publicamente a divulgação de informações financeiras, embora tenham apresentado condições diferentes ao longo das negociações.
Com o acordo anunciado nesta quinta-feira, o impasse político sobre os termos da proposta avançou para uma nova etapa, que depende agora da Justiça Eleitoral.
Até que o TSE autorize e os órgãos responsáveis disponibilizem os documentos, não é possível afirmar que os sigilos foram efetivamente abertos ou que os dados possam ser consultados pela população.