A mineradora Kinross recuperou em apenas sete meses um investimento de aproximadamente US$ 33 milhões realizado na mina Morro do Ouro, em Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais. O recurso foi aplicado na implantação de um sistema que permite aproveitar partículas de ouro antes desperdiçadas durante o processamento mineral. Segundo a empresa, a iniciativa também gerou mais de US$ 100 milhões em fluxo de caixa adicional.
Os resultados foram apresentados pelo engenheiro especialista em processos da Kinross, Alvimar Sousa, durante o Workshop Opex 2026, realizado em junho, em Belo Horizonte.
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Tecnologia permite recuperar ouro que seria perdido no processamento
O projeto, conhecido como Gravity, consiste na implantação de um circuito de separação por gravidade na etapa de moagem do minério. O sistema aproveita a diferença de densidade entre os minerais para concentrar partículas de ouro antes que elas avancem para outras fases do tratamento industrial.
A tecnologia foi desenvolvida para enfrentar uma das dificuldades da operação em Paracatu: a baixa concentração de ouro no minério extraído, estimada em aproximadamente 0,4 grama por tonelada. Durante a moagem, parte do metal pode se tornar excessivamente fina, dificultando sua recuperação e aumentando as perdas nas etapas seguintes.
Segundo Alvimar Sousa, o objetivo do investimento era melhorar em 3,1% a recuperação global de ouro da planta industrial, reduzindo a quantidade de metal descartada nos rejeitos.
“O objetivo principal do projeto foi obter um ganho de 3,1% na recuperação global da planta. Isso significa reduzir a quantidade de ouro que estamos enviando para o rejeito”, explicou o engenheiro.

Produção adicional chega a 22 mil onças de ouro
Os resultados apresentados pela Kinross indicam uma produção adicional entre 19 mil e 22 mil onças de ouro nos períodos avaliados de 2024 e 2025. A empresa não detalhou, na divulgação consultada, a quantidade exata acrescentada em cada ano.
O incremento financeiro associado à iniciativa ultrapassou US$ 100 milhões em fluxo de caixa, indicador que representa recursos adicionais gerados pela operação e não deve ser confundido com lucro líquido ou faturamento total.
O retorno sobre o investimento, estimado inicialmente em dois anos, foi alcançado em sete meses, conforme os resultados divulgados pela mineradora. A eficiência está relacionada às características do minério de Paracatu, onde, segundo Sousa, entre 60% e 70% do ouro apresenta condições favoráveis à recuperação por gravidade.
Kinross estuda ampliar operação de ouro em Paracatu
A mina Morro do Ouro é uma das principais operações da Kinross no mundo. Em 2025, a unidade produziu 601,3 mil onças equivalentes de ouro, ante 528,6 mil no ano anterior. O crescimento foi de aproximadamente 13,8%, embora não possa ser atribuído exclusivamente ao novo sistema de recuperação.
Além das melhorias operacionais, a companhia avalia a possibilidade de prolongar a vida útil da mina além de 2034, prazo atualmente considerado para o encerramento das atividades. A decisão dependerá de fatores como reservas disponíveis, custos de produção e condições do mercado internacional de ouro.
Em Paracatu, os investimentos em tecnologia integram a estratégia de aumentar o aproveitamento do minério já extraído e melhorar a eficiência econômica da operação.