Nunes Marques dá 24 horas para Meta prestar esclarecimentos sobre “Exército do Lula”

Presidente do TSE cobra informações sobre mensagens supostamente apagadas do canal administrado por André Janones, após questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, apresente esclarecimentos sobre o canal “Exército do Lula”. A determinação ocorre em meio à disputa judicial entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais.

O pedido está relacionado a documentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro, que acusa o canal administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) de disseminar conteúdos irregulares e coordenar a divulgação de mensagens políticas. Entre os pontos questionados está a suposta exclusão de 499 publicações.

A decisão mantém a análise das atividades do canal pela Justiça Eleitoral, mesmo após sua reativação. A Meta deverá prestar esclarecimentos sobre os documentos apresentados, enquanto o tribunal busca verificar o histórico das publicações e eventuais irregularidades.

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A determinação de Nunes Marques exige que a empresa responsável pelo WhatsApp se manifeste sobre as informações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro.

O objetivo é esclarecer questões relacionadas ao funcionamento do canal, ao histórico das mensagens publicadas e aos registros que possam contribuir para a análise das acusações.

A Justiça Eleitoral também determinou a preservação dos registros relacionados ao “Exército do Lula”, medida destinada a permitir a fiscalização posterior das atividades da página.

O prazo de 24 horas diz respeito à manifestação solicitada à plataforma. A determinação não representa uma conclusão definitiva sobre a existência de irregularidades.

Campanha de Flávio Bolsonaro aponta 499 mensagens apagadas

A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou ao TSE um levantamento segundo o qual 499 mensagens teriam sido excluídas do canal administrado por André Janones.

De acordo com os documentos apresentados, parte dessas publicações continha críticas ao candidato do PL e mensagens relacionadas a temas como aposentadorias e benefícios sociais.

A coligação sustenta que o canal seria utilizado para orientar seguidores a compartilhar conteúdos em outras plataformas, ampliando o alcance das publicações.

A campanha também afirma que algumas mensagens apagadas já haviam sido consideradas falsas pela Justiça Eleitoral.

Essas informações fazem parte das alegações apresentadas no processo e precisam ser examinadas pelas autoridades competentes.

A exclusão de mensagens, isoladamente, não comprova a prática de um ilícito eleitoral.

Relatório anterior do TSE não identificou novas notícias falsas

A controvérsia ganhou novos desdobramentos depois que a área técnica do TSE analisou publicações do canal.

Em relatório divulgado em 12 de outubro, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação informou não ter identificado, entre as mensagens examinadas de 2 a 11 de outubro, novas publicações que reproduzissem conteúdos já considerados falsos pela Corte.

O documento, entretanto, apontou limitações na análise, especialmente porque determinadas mensagens haviam sido apagadas ou editadas.

A equipe técnica também identificou práticas de mobilização coordenada e amplificação de conteúdos, sem que isso significasse, por si só, a comprovação das acusações apresentadas pela campanha adversária.

A preservação dos registros mantidos pela plataforma passou a ser considerada importante para esclarecer as divergências sobre o conteúdo originalmente divulgado.

Canal “Exército do Lula” já foi suspenso e reativado

O canal de WhatsApp se tornou alvo de decisões judiciais divergentes durante o segundo turno.

Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão da página após um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, decidiu restabelecer o funcionamento do canal.

Cueva avaliou que a suspensão integral não poderia ser mantida nos termos do procedimento utilizado e ressaltou a necessidade de analisar as acusações no processo judicial correspondente.

Em 13 de outubro, Nunes Marques voltou a determinar restrições ao funcionamento do “Exército do Lula”, desta vez apontando a ausência de comunicação formal do endereço eletrônico à Justiça Eleitoral.

Após a regularização do registro, o presidente do TSE autorizou a retomada das atividades.

No dia 14, a plataforma recebeu ordem para restabelecer integralmente o canal, incluindo a possibilidade de novas publicações e entrada de seguidores.

André Janones administra canal com milhões de seguidores

O “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones, que utiliza a ferramenta para distribuir mensagens políticas e mobilizar apoiadores da candidatura de Lula.

O canal ultrapassou a marca de 4 milhões de inscritos durante a disputa eleitoral, tornando-se uma das principais ferramentas digitais de comunicação de apoiadores do presidente.

A campanha de Flávio Bolsonaro questiona o funcionamento da página e afirma que determinadas orientações de compartilhamento poderiam favorecer a circulação coordenada de conteúdos irregulares.

Janones, por sua vez, contestou as decisões de suspensão e classificou as restrições como censura.

As divergências também provocaram manifestações públicas de Lula, que criticou decisões adotadas pela Presidência do TSE.

O que acontece agora com o “Exército do Lula”?

Com o canal reativado, a discussão judicial continua concentrada na análise das publicações e na eventual responsabilidade dos envolvidos.

A Meta deverá apresentar os esclarecimentos solicitados no prazo estabelecido pelo ministro Nunes Marques.

Os registros preservados pela plataforma poderão auxiliar na verificação de mensagens apagadas, editadas ou compartilhadas durante o período eleitoral.

A análise também deverá considerar as decisões já adotadas pelo TSE sobre conteúdos específicos, além dos limites legais aplicáveis à propaganda eleitoral na internet.

Até o momento, não há decisão definitiva que estabeleça a responsabilidade de Lula, de sua campanha ou de André Janones pelas irregularidades apontadas na representação de Flávio Bolsonaro.

O caso permanece sob acompanhamento da Justiça Eleitoral na reta final do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.

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