O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (22) novos detalhes sobre a queda do helicóptero que matou o cantor sertanejo Rick Sollo, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas em Santa Catarina. O relatório preliminar aponta condições meteorológicas adversas, registros anteriores de problemas mecânicos e limitações na recuperação de informações da aeronave.
O acidente aconteceu em 21 de setembro de 2026, na região de Urubici, na Serra catarinense. O helicóptero Bell 430, de matrícula PP-MGR, atingiu uma área montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim, a aproximadamente 1.686 metros de altitude. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu.
Entre as descobertas está a constatação de que o gravador de voz da cabine, conhecido como caixa-preta, não registrou as conversas do voo do acidente. Os investigadores também identificaram registros de falhas intermitentes nos geradores elétricos e relatos de problemas anteriores no piloto automático. Apesar das informações, o Cenipa ainda não estabeleceu uma causa definitiva para a tragédia.
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O que o Cenipa descobriu sobre a queda do helicóptero com Rick?
O relatório preliminar reúne informações sobre o trajeto, as condições meteorológicas, os sistemas da aeronave e os momentos anteriores ao impacto.
Segundo a investigação, o helicóptero atingiu a encosta norte do Morro Convento dos Padres, dentro do Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici.
O ponto de colisão fica a 1.686 metros de altitude, próximo ao cume da montanha, que alcança aproximadamente 1.790 metros.
A ocorrência foi classificada como CFIT, sigla em inglês para voo controlado contra o terreno. Essa classificação descreve situações em que uma aeronave em voo atinge involuntariamente o solo, uma montanha ou outro obstáculo.
A classificação não determina, por si só, o motivo do acidente. Os investigadores ainda precisam avaliar os fatores que contribuíram para a colisão.

Mau tempo e nuvens baixas dificultavam a visibilidade
As condições meteorológicas estão entre os principais elementos analisados pelo Cenipa.
No dia da tragédia, uma frente fria avançava pelo Sul do Brasil, provocando chuva, trovoadas e formação de nuvens baixas na região serrana de Santa Catarina.
Os registros meteorológicos indicavam risco de encobrimento de montanhas e redução da visibilidade.
Imagens captadas nas proximidades do Morro da Igreja, a cerca de oito quilômetros do local do acidente, mostraram nevoeiro intenso nas áreas mais elevadas.
Um vídeo gravado por um morador de Urubici, aproximadamente 2,5 quilômetros distante do ponto de impacto, também passou a integrar a investigação.
A gravação, com cerca de 18 segundos, mostra o helicóptero seguindo em direção à Serra da Boa Vista e desaparecendo em meio às nuvens.
Embora o cenário meteorológico seja considerado relevante, o relatório preliminar não permite afirmar que o mau tempo tenha sido a única causa da queda.
Caixa-preta não registrou conversas do voo
Uma das informações mais importantes reveladas pelo relatório envolve o gravador de voz da cabine, chamado tecnicamente de Cockpit Voice Recorder (CVR).
Apesar de a categoria de operação não exigir obrigatoriamente esse equipamento, o helicóptero estava equipado com um gravador da fabricante Honeywell.
Após a recuperação do aparelho, os investigadores encaminharam o material para análise em laboratório.
O resultado mostrou que não havia gravações de áudio correspondentes ao voo em que ocorreu o acidente.
Os arquivos recuperados continham apenas conversas antigas, relacionadas a uma atividade de manutenção realizada em data não determinada.
O Cenipa também identificou que o teste diário de funcionamento do gravador não constava na lista de verificações de rotina utilizada pelos pilotos.
A ausência do áudio limita a reconstrução das conversas e decisões tomadas dentro da cabine nos últimos minutos do voo.
Helicóptero apresentava histórico de falhas em sistemas
O documento também apresenta registros de problemas técnicos relatados nos meses anteriores ao acidente.
Entre eles estão falhas intermitentes nos geradores elétricos, especialmente em situações de umidade, como voos sob chuva ou dentro de nuvens.
Segundo os relatos reunidos pelos investigadores, os problemas persistiram mesmo após intervenções realizadas na aeronave.
Um mecânico havia recomendado que o helicóptero retornasse à oficina para novas verificações, mas esse retorno ainda não tinha ocorrido.
Também foram relatadas desconexões involuntárias do piloto automático durante voos anteriores.
Em março de 2026, um componente relacionado ao comando de arfagem, movimento que altera a inclinação do nariz da aeronave, precisou ser substituído.
No mesmo mês, o helicóptero realizou um pouso não programado no Rio Grande do Sul após apresentar vibração intensa.
O problema relacionado à vibração foi tratado e posteriormente reavaliado.
O Cenipa ainda não concluiu se algum desses registros técnicos teve participação direta na queda. A existência de falhas anteriores não significa necessariamente que elas estavam presentes no momento do acidente.
Vídeo e registros de radar ajudam a reconstruir últimos minutos
O helicóptero decolou do Aeródromo Costa Esmeralda, em Porto Belo, no litoral catarinense, às 10h49, com destino à Serra.
A programação inicial previa uma parada em Criciúma, mas as condições meteorológicas levaram à alteração do roteiro.
Após reabastecimento, a tripulação decidiu seguir diretamente para a região serrana.
Às 11h05, os pilotos estabeleceram contato com o Controle de Aproximação de Florianópolis.
Durante o deslocamento, os registros de radar mostraram que a aeronave ganhou altitude, alcançando aproximadamente 5.400 pés, equivalentes a 1.646 metros.
Por volta das 11h32, o helicóptero foi filmado seguindo em direção à região montanhosa.
Câmeras de segurança de uma residência próxima também registraram o som dos motores antes de uma interrupção abrupta.
O impacto ocorreu em uma área de vegetação densa e terreno íngreme, dificultando os trabalhos de localização e retirada dos destroços.
Quem eram as cinco vítimas do acidente?
A tragédia provocou a morte dos cinco ocupantes do helicóptero.
Entre as vítimas estavam o cantor Rick Sollo, integrante da dupla sertaneja Rick e Renner, o empresário Bruno Avelar de Souza e o videomaker Paulo Soares.

Também morreram o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
De acordo com o relatório, o comandante possuía mais de 11 mil horas de experiência em helicópteros e habilitação válida para voo por instrumentos.
O copiloto tinha 137 horas totais de voo e não possuía habilitação para operação por instrumentos.
Essas informações integram a análise do perfil operacional da tripulação, mas não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade dos pilotos.
Investigação continua e causa definitiva ainda não foi determinada
O Cenipa segue analisando os dados técnicos recolhidos no local do acidente.
Entre os materiais recuperados estão componentes eletrônicos, computadores de bordo, sistemas de navegação e unidades de controle dos motores.
Os investigadores tentam extrair informações que ajudem a compreender o funcionamento da aeronave e as circunstâncias dos últimos instantes do voo.
A Polícia Civil de Santa Catarina também conduz uma investigação própria, voltada à apuração de eventuais responsabilidades criminais.
Celulares e outros equipamentos eletrônicos encontrados entre os destroços poderão contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
O Cenipa deverá publicar um relatório final após concluir as análises técnicas e laboratoriais.
Até lá, as condições meteorológicas, os registros de falhas e os demais elementos apresentados permanecem como pontos investigados, sem uma conclusão definitiva sobre o que provocou a queda do helicóptero.