Um ex-funcionário do rapper Eminem confessou ter roubado e vendido músicas inéditas do artista na internet. Joseph Strange, de 48 anos, admitiu a violação criminosa de direitos autorais nesta quinta-feira (22), perante a Justiça federal dos Estados Unidos. Ele recebeu aproximadamente US$ 50 mil pela venda dos arquivos e agora pode ser condenado a até cinco anos de prisão.
Strange trabalhou durante 14 anos com Eminem, cujo nome verdadeiro é Marshall Mathers, e tinha acesso aos computadores e discos rígidos utilizados pelo artista para armazenar suas gravações. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o ex-funcionário copiou pelo menos dez arquivos de áudio sem autorização e os comercializou pela internet.
As músicas acabaram sendo divulgadas em plataformas digitais e ultrapassaram 8 milhões de acessos até novembro de 2025. O prejuízo estimado pelas autoridades americanas em relação à violação dos direitos autorais chega a US$ 750 mil, aproximadamente R$ 3,75 milhões, considerando uma cotação ilustrativa de R$ 5 por dólar.
Relembre “Lose Yourself”, um dos maiores sucessos de Eminem, artista que teve gravações inéditas comercializadas sem autorização por um ex-funcionário.
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Como ex-funcionário conseguiu roubar músicas inéditas de Eminem?
Joseph Strange trabalhou com o rapper entre 2007 e 2021, em um estúdio localizado em Ferndale, no estado de Michigan. Durante esse período, uma de suas responsabilidades era ajudar a instalar e operar os sistemas de computadores utilizados na produção musical.
A função permitia que ele tivesse acesso a discos rígidos protegidos por senha, nos quais Eminem armazenava gravações em diferentes etapas de desenvolvimento. Algumas músicas estavam em processo de criação, enquanto outras já haviam passado por procedimentos profissionais de preparação para possíveis lançamentos.
De acordo com os documentos judiciais, Strange aproveitou esse acesso para copiar, sem autorização, pelo menos dez arquivos de áudio.
O material pertencia ao rapper e não estava disponível para distribuição comercial. Parte das gravações sequer tinha previsão de lançamento.

Músicas foram vendidas por US$ 50 mil na internet
Entre julho e agosto de 2024, Strange vendeu e transmitiu pelo menos dez arquivos musicais a compradores pela internet.
As negociações renderam aproximadamente US$ 50 mil, valor que equivale a cerca de R$ 250 mil na conversão ilustrativa utilizada nesta reportagem.
Segundo o Departamento de Justiça, Eminem não tinha conhecimento das transações e não autorizou a reprodução ou comercialização do material.
Depois das vendas, os arquivos passaram a circular em diferentes ambientes digitais e chegaram a plataformas públicas de streaming.
A divulgação ocorreu sem que o rapper pudesse decidir quais gravações seriam lançadas, em que momento chegariam ao público ou se deveriam permanecer inéditas.

Gravações vazadas ultrapassaram 8 milhões de acessos
A investigação identificou que os arquivos comercializados ilegalmente tiveram mais de 8 milhões de acessos até novembro de 2025.
Os dados foram fornecidos por plataformas de streaming e utilizados pelas autoridades para dimensionar o alcance da divulgação não autorizada.
O Departamento de Justiça estimou em pelo menos US$ 750 mil o valor associado à violação dos direitos autorais.
Esse montante não representa o dinheiro recebido pelo ex-funcionário, que foi de aproximadamente US$ 50 mil. Trata-se de uma estimativa relacionada à infração envolvendo as gravações.
As autoridades também destacaram que algumas músicas estavam sendo preparadas profissionalmente para possíveis lançamentos, inclusive com procedimentos de masterização.
Entretanto, não havia garantia de que todas seriam disponibilizadas comercialmente. A decisão sobre o lançamento caberia ao próprio Eminem e à sua equipe.

Justiça americana aponta abuso de confiança
O caso foi investigado pelo FBI, com participação das autoridades federais americanas e colaboração do estúdio ligado ao rapper.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (22), o procurador-geral assistente A. Tysen Duva afirmou que Strange utilizou indevidamente a confiança recebida durante sua relação profissional com Eminem.
“Joseph Strange abusou de uma posição de confiança para copiar e vender ilegalmente músicas inéditas pertencentes a Eminem, lucrando com obras que ainda não estavam autorizadas para distribuição pública”, declarou Duva, em tradução livre.
O representante do Departamento de Justiça acrescentou que a conduta comprometeu direitos legais e artísticos relacionados às gravações.
Para as autoridades, o caso evidencia os riscos associados ao acesso indevido a arquivos protegidos dentro da indústria musical.
Defesa afirma que ex-funcionário está arrependido
Após a confissão, a defesa de Joseph Strange afirmou que ele reconhece sua responsabilidade pelo ocorrido e demonstra arrependimento.
O advogado Wade Fink argumentou que o caso possui circunstâncias mais complexas do que a descrição de um roubo de músicas e mencionou as consequências do processo para a família do acusado.
Apesar das críticas à forma como o episódio foi apresentado publicamente, a defesa confirmou que Strange assumiu a responsabilidade por sua conduta.
A confissão foi apresentada no processo por violação criminosa de direitos autorais. A pena definitiva ainda não foi estabelecida.
Quando será a sentença do ex-funcionário de Eminem?
Joseph Strange tem sentença marcada para 27 de janeiro de 2027, perante a Justiça federal dos Estados Unidos.
Ele poderá receber uma pena de até cinco anos de prisão. No entanto, esse é o limite máximo previsto para o crime, e não significa que a punição será necessariamente aplicada em sua totalidade.
O juiz responsável deverá considerar as diretrizes federais de aplicação de penas, os elementos apresentados no processo e as circunstâncias da confissão.
Até o momento, Eminem não anunciou planos de lançar oficialmente as músicas envolvidas no vazamento.
