A Polícia Civil de São Paulo investiga uma sequência de ocorrências envolvendo 19 corpos encontrados na capital paulista e na Grande São Paulo desde setembro de 2026. O levantamento ganhou destaque nesta quinta-feira (22), após novas descobertas de cadáveres em diferentes pontos da cidade. Apesar dos boatos que circulam nas redes sociais, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) voltou a afirmar que não há indícios de atuação de um assassino em série.

Entre as vítimas estão pessoas encontradas dentro de sacos plásticos, enroladas em cobertores, amarradas e com sinais de violência. Alguns corpos apresentavam mutilações ou estavam em avançado estado de decomposição. A polícia investiga as circunstâncias de cada ocorrência e considera a possibilidade de que parte dos homicídios esteja relacionada a conflitos criminosos e execuções determinadas por integrantes de facções.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico, e a diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, reforçaram que os casos apresentam características diferentes e que, até o momento, não existem provas de que tenham sido cometidos por uma única pessoa.
PM mata suspeito e encontra mulher esquartejada na Marginal Tietê, em SP
Corpos foram encontrados em diferentes regiões de São Paulo
O levantamento de 19 corpos reúne ocorrências registradas em ruas, terrenos baldios, rodovias, represas e áreas de mata da capital e de municípios da Região Metropolitana.
Na distribuição apresentada pelo levantamento, quatro ocorrências foram registradas na Zona Sul da capital, quatro na Zona Leste, três na Zona Norte e duas na Zona Oeste. Outros quatro registros aconteceram no ABC Paulista, enquanto Embu das Artes e Santana de Parnaíba tiveram uma ocorrência cada.
Entre os 19 corpos, foram contabilizados 11 homens e três mulheres. Em outros cinco casos, o estado dos restos mortais ainda não permitia determinar o sexo das vítimas.
Sete cadáveres foram encontrados dentro de sacos ou envolvidos em cobertores. A repetição dessas características contribuiu para a circulação de especulações sobre uma possível ligação entre as mortes.
A Polícia Civil, entretanto, ressalta que a forma de abandono dos corpos, isoladamente, não é suficiente para estabelecer uma relação entre os crimes.
Novos corpos foram encontrados nesta semana

A sequência de ocorrências teve novos registros na quarta-feira (21) e na quinta-feira (22), incluindo descobertas nas proximidades da Marginal Tietê.
Na quarta-feira, um homem de 43 anos foi encontrado morto em uma área de mata próxima à Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, na região do Tremembé, Zona Norte da capital.
A vítima estava desaparecida desde 16 de outubro e foi localizada em avançado estado de decomposição. O caso foi registrado como homicídio no 20º Distrito Policial, na Água Fria.
Na mesma madrugada, policiais militares encontraram partes do corpo de uma mulher na região da Marginal Tietê, durante uma ocorrência que terminou com um suspeito morto em confronto com a polícia.
Segundo a Polícia Militar, dois homens teriam atirado contra os agentes durante uma tentativa de abordagem. Um deles morreu, enquanto o outro conseguiu fugir. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do confronto e a relação dos envolvidos com o corpo encontrado.
Já na quinta-feira (22), outro cadáver foi localizado nas proximidades do Rio Tietê, na Zona Oeste da capital. A vítima estava em estado de decomposição, e as autoridades solicitaram exames para esclarecer a identidade e a causa da morte.
Também houve o registro de um corpo encontrado na região de Sapopemba, Zona Leste de São Paulo.
Polícia volta a descartar boato sobre serial killer

A hipótese de que um assassino em série estaria agindo em São Paulo começou a circular nas redes sociais após a divulgação de imagens e informações sobre corpos encontrados em sacos plásticos e cobertores.
A Secretaria da Segurança Pública afirma, porém, que não existem elementos que indiquem uma autoria comum para os homicídios investigados.
Em reunião realizada nesta quinta-feira (22), o secretário Osvaldo Nico e a diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, reforçaram que as investigações apontam para circunstâncias e possíveis motivações distintas.
A polícia informou que, entre os casos analisados pelo DHPP na capital, já havia suspeitos identificados em seis ocorrências. Em dois casos, a Justiça havia decretado prisões preventivas.
Esses avanços, segundo as autoridades, reforçam a necessidade de analisar individualmente cada investigação, sem atribuir todas as mortes a uma única pessoa.
A ausência de indícios de um assassino em série não significa que os homicídios estejam esclarecidos. A identificação de autores, vítimas e motivações ainda depende do andamento dos inquéritos.
Suspeita de envolvimento do PCC também é investigada

Uma das linhas de investigação considera que parte das mortes pode estar relacionada ao chamado tribunal do crime, prática de julgamentos clandestinos atribuída a organizações criminosas.
Nessas situações, integrantes de facções impõem punições a pessoas acusadas de descumprir regras estabelecidas pelo próprio grupo. As punições podem incluir agressões, tortura e assassinatos.
Investigadores avaliam a possibilidade de participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parte das ocorrências.
Entretanto, não há confirmação de que todos os corpos encontrados tenham relação com a facção ou que as mortes tenham sido determinadas por uma mesma organização.
Entre as possíveis motivações analisadas pela polícia também estão conflitos relacionados ao tráfico de drogas, dívidas e crimes de natureza sexual.
A apuração considera as circunstâncias de cada vítima, possíveis ameaças anteriores, informações fornecidas por familiares e elementos encontrados nos locais dos crimes.
Identificação de vítimas depende de exames periciais
Outro desafio enfrentado pelos investigadores é identificar os corpos encontrados em estado avançado de decomposição ou com mutilações.
Quando não é possível realizar a identificação por impressões digitais, os peritos podem recorrer a exames de antropologia e odontologia forense.
A análise da arcada dentária, por exemplo, permite comparar características dos restos mortais com registros odontológicos anteriores.
Informações fornecidas por familiares de pessoas desaparecidas também podem contribuir para o reconhecimento das vítimas.
Além da identificação, os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) podem ajudar a determinar as causas das mortes e identificar sinais de violência.
Esses resultados são importantes para esclarecer se os crimes ocorreram nos locais onde os corpos foram encontrados ou se as vítimas foram transportadas após a morte.
O que já se sabe sobre as investigações?
Até esta quinta-feira (22), o levantamento reunia 19 corpos encontrados na capital e na Grande São Paulo desde setembro.
O número representa a quantidade de cadáveres incluídos no levantamento, e não uma confirmação de que todas as mortes sejam homicídios ou tenham relação entre si.
A Polícia Civil já identificou suspeitos em parte dos casos e trabalha com diferentes hipóteses para explicar os crimes.
As autoridades também reforçam que não existem evidências suficientes para confirmar os boatos sobre um assassino em série.
A suspeita de participação de organizações criminosas permanece como uma das linhas de investigação, mas ainda depende da produção de provas específicas.
Próximos passos
A Polícia Civil continuará investigando as ocorrências separadamente, com compartilhamento de informações entre as equipes responsáveis pelos inquéritos.
O DHPP deverá aprofundar a análise de laudos periciais, depoimentos, imagens de câmeras de segurança e outros elementos que possam ajudar na identificação dos responsáveis.
Nos casos em que ainda não foi possível reconhecer as vítimas, os trabalhos de identificação também prosseguem.
A expectativa é que os resultados das perícias e o avanço das investigações permitam esclarecer as motivações das mortes, identificar eventuais conexões entre os casos e responsabilizar os envolvidos.
Até o momento, a orientação das autoridades é não tratar os boatos sobre a atuação de um serial killer como informação confirmada.