Uma reação alérgica a frutos do mar pode provocar dificuldade para respirar, queda brusca da pressão arterial e até uma parada cardiorrespiratória. O risco ganhou atenção após a morte da enfermeira brasileira Amanda Marinho Nascimento, de 29 anos, durante a lua de mel em Portugal, na quarta-feira (21). A jovem tinha histórico de alergia a camarão e passou mal cerca de duas horas depois de comer em um restaurante.
Segundo relatos de familiares, Amanda estava acompanhada do marido, Tiago Nascimento, na cidade de Leiria. O casal havia se casado no dia 10 de outubro e tinha retorno ao Brasil previsto para esta sexta-feira (23).
De acordo com o marido, a enfermeira experimentou um pedaço de lula empanada, acreditando que fosse peixe. Após o almoço, começou a apresentar sintomas de uma reação alérgica grave, incluindo falta de ar e inchaço no pescoço. Ela recebeu atendimento médico, mas não resistiu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
O episódio chama a atenção para a anafilaxia, reação alérgica grave que pode ocorrer após a ingestão de alimentos como camarão, lagosta, caranguejo e outros frutos do mar.
Por que uma alergia a camarão pode provocar a morte?
Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a anafilaxia acontece quando o sistema imunológico apresenta uma resposta exagerada a uma substância, como proteínas presentes em determinados alimentos.
Nos casos graves, essa reação pode provocar o estreitamento das vias respiratórias e a queda acentuada da pressão arterial. Sem tratamento rápido, a pessoa pode perder a consciência e sofrer uma parada cardiorrespiratória.
A gravidade varia de uma pessoa para outra. Quem já apresentou sintomas leves em episódios anteriores pode desenvolver uma reação mais intensa em uma nova exposição. Os sintomas geralmente aparecem nos primeiros minutos após o contato com o alimento, mas também podem surgir algumas horas depois.
Quais são os sinais de uma reação alérgica grave?
A ASBAI orienta que alguns sintomas exigem atendimento médico imediato, especialmente quando aparecem logo após a ingestão de um alimento.
Entre os principais sinais estão:
- Dificuldade para respirar, chiado no peito ou tosse persistente;
- Inchaço na língua, nos lábios, no rosto ou na garganta;
- Coceira intensa, vermelhidão e placas na pele;
- Tontura, fraqueza, desmaio ou queda da pressão;
- Dor abdominal intensa, vômitos repetidos ou diarreia.
Atenção: uma pessoa pode apresentar anafilaxia mesmo sem manchas vermelhas ou coceira na pele. Dificuldade respiratória ou sinais de queda de pressão após contato com um alérgeno já são motivos para suspeitar de uma reação grave.
Quem tem alergia a camarão também pode reagir à lula?
Sim, embora isso não aconteça com todas as pessoas. O camarão pertence ao grupo dos crustáceos, assim como lagostas e caranguejos. Já a lula e o polvo são moluscos.
Apesar dessa diferença, os animais podem apresentar proteínas semelhantes, capazes de provocar reações alérgicas em pessoas sensibilizadas. Uma dessas proteínas é a tropomiosina, associada a casos de alergia a frutos do mar.
Segundo a ASBAI, pessoas com alergia a camarão devem ser avaliadas por um alergista antes de consumir outros crustáceos e moluscos. A possibilidade de reação cruzada existe, mas não significa que todos os pacientes sejam alérgicos aos mesmos alimentos.
Peixes, por sua vez, pertencem a outro grupo e não provocam necessariamente reações em quem é alérgico a camarão. Também existe o risco de contato cruzado, quando utensílios, superfícies ou equipamentos utilizados no preparo de frutos do mar entram em contato com outros alimentos.
No caso de Amanda, os relatos familiares apontam que ela ingeriu lula empanada. Não foi possível determinar, apenas pelas informações divulgadas, qual componente específico da refeição desencadeou a reação.
O que fazer se alguém tiver uma reação alérgica grave?
A anafilaxia é uma emergência médica. A orientação da ASBAI é iniciar o atendimento imediatamente, sem esperar que os sintomas piorem.
Acione o socorro médico
No Brasil, ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
Utilize adrenalina autoinjetável, se disponível
Para pacientes com indicação médica e dispositivo prescrito, a adrenalina deve ser aplicada imediatamente na parte externa da coxa. É o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia.
Evite que a pessoa fique em pé ou caminhe
Em geral, a orientação é mantê-la deitada, com as pernas elevadas. Se houver dificuldade respiratória importante, pode ser necessário manter o tronco elevado, conforme a condição da pessoa.
Não ofereça alimentos, bebidas ou medicamentos por via oral. Antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina no tratamento da anafilaxia. Mesmo que os sintomas melhorem depois da aplicação de adrenalina, a pessoa precisa de avaliação médica, porque a reação pode voltar.
Como prevenir alergias a camarão e frutos do mar?
Pessoas com histórico de alergia alimentar devem procurar um médico alergista para identificar os alimentos responsáveis pelas reações e receber orientações específicas.
A prevenção inclui verificar os ingredientes das refeições, informar a condição aos funcionários de restaurantes e evitar alimentos quando houver dúvidas sobre a composição ou a possibilidade de contato cruzado.
Também é importante observar os rótulos dos produtos industrializados, que devem informar a presença de ingredientes alergênicos conforme as regras sanitárias. Para pacientes com risco de anafilaxia, o médico pode recomendar um plano de emergência e a disponibilidade de adrenalina autoinjetável.
A orientação dos especialistas é não realizar testes de consumo por conta própria para descobrir se determinada alergia desapareceu. A investigação deve ser acompanhada por um profissional de saúde.