O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (23) que pretende voltar sua atenção para Cuba depois de lidar com o Irã. Durante um comício na Flórida, o republicano também disse que deverá enviar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para concluir um possível acordo com o governo cubano.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana, marcado por restrições econômicas, pressões diplomáticas e divergências sobre o futuro político da ilha. Trump não explicou quais medidas pretende adotar em relação a Cuba nem apresentou detalhes sobre o acordo mencionado.
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Trump promete voltar atenção dos EUA para Cuba
Durante o discurso na Flórida, Trump relacionou a situação cubana à atuação americana no Oriente Médio e indicou que pretende tratar diretamente das relações com Havana depois de abordar a questão iraniana.
“Cuidaremos de Cuba na volta do Irã… e depois enviaremos Marco Rubio para finalizar o acordo.”
O presidente não esclareceu a que etapa das negociações se referia, tampouco informou quando Rubio poderia viajar a Cuba.
A fala também não representa a confirmação de um acordo diplomático. Até o momento, não foram anunciados compromissos formais entre os dois governos decorrentes da declaração.
Estados Unidos e Cuba divergem sobre negociações
A possibilidade de um entendimento entre Washington e Havana vem sendo discutida publicamente nas últimas semanas, mas os dois países apresentam versões diferentes sobre o andamento dos contatos.
No início de outubro, a principal representante diplomática cubana em Washington, Lianys Torres Rivera, afirmou que os governos mantinham canais de comunicação, mas não participavam de negociações formais.
Segundo a diplomata, os contatos incluíam reuniões, telefonemas e mensagens, sem que houvesse uma agenda definida para a retomada de conversas oficiais.
O governo americano, por outro lado, sustentou que havia negociações em andamento e acusou as autoridades cubanas de resistirem a propostas apresentadas por Washington.
A divergência evidencia a ausência de informações consensuais sobre o estágio de um eventual acordo.
Marco Rubio tem papel central na política americana para Cuba
O secretário de Estado Marco Rubio, mencionado por Trump como responsável por finalizar um possível entendimento, tem defendido mudanças na condução política e econômica de Cuba.
Filho de imigrantes cubanos, Rubio é uma das principais figuras do governo americano nas discussões sobre as relações com a ilha.
Em declarações anteriores, o secretário afirmou que Washington espera uma mudança de rumo das autoridades cubanas.
O governo Trump também vem defendendo alterações no sistema político do país, enquanto Havana rejeita negociações que envolvam a substituição de seu modelo de governo.

Pressão econômica amplia crise na ilha
As relações entre Estados Unidos e Cuba são marcadas por um embargo econômico americano que já dura mais de seis décadas.
Em 2026, o governo Trump intensificou as restrições e a pressão sobre o fornecimento de petróleo à ilha, agravando dificuldades relacionadas à escassez de combustíveis e aos apagões.
Washington justifica suas medidas como parte de sua política de segurança nacional e de pressão por mudanças em Cuba.
O governo cubano, por sua vez, considera as sanções uma violação de sua soberania e responsabiliza as restrições americanas por parte das dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
A crise energética também é agravada por problemas estruturais e pela deterioração da infraestrutura elétrica cubana.
Havana diz estar aberta ao diálogo, mas rejeita imposições
Autoridades cubanas já manifestaram disposição para manter conversas com os Estados Unidos, desde que o diálogo respeite a soberania do país.
O chanceler Bruno Rodríguez afirmou anteriormente que Cuba permanece aberta a relações comerciais e diplomáticas, mas o governo cubano rejeita exigências de Washington para mudanças em seu sistema político.
A representante diplomática Lianys Torres Rivera também afirmou que Cuba considera inegociável a imposição externa de alterações em sua estrutura de governo.
Essas posições mostram que, embora existam canais de comunicação, permanecem obstáculos importantes para a conclusão de um acordo.
Declaração ocorre em meio às tensões com o Irã
Ao mencionar que pretende tratar de Cuba depois do Irã, Trump associou duas frentes importantes de sua política externa.
O governo americano mantém uma postura de pressão sobre Teerã, especialmente em relação às questões de segurança regional e ao programa nuclear iraniano.
A declaração desta sexta-feira, entretanto, não estabeleceu um cronograma para uma solução envolvendo o Irã nem explicou de que maneira essa situação condicionaria os próximos passos em relação a Cuba.
Também não houve anúncio de operação militar contra Havana.
O que pode acontecer agora?
A principal expectativa passa a ser a eventual divulgação de informações oficiais sobre uma missão de Marco Rubio ou sobre os termos do acordo mencionado pelo presidente americano.
Para que exista um entendimento formal, será necessário esclarecer quais compromissos Washington e Havana estariam dispostos a assumir.
Até esta sexta-feira (23), a declaração de Trump representa uma sinalização política sobre suas intenções, e não a confirmação de que um acordo tenha sido concluído.
As relações entre os dois países continuam marcadas por divergências diplomáticas, pressões econômicas e disputas sobre a soberania cubana.