Arábia Saudita reduz embargo à carne de aves do Brasil após foco de doença em SC

Restrição, que antes abrangia Santa Catarina, passa a atingir apenas uma área de 10 quilômetros ao redor do foco da doença de Newcastle; outros países mantêm suspensões.
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A Arábia Saudita decidiu reduzir as restrições às importações de carne de aves do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A suspensão, que inicialmente atingia os produtos avícolas de todo o estado catarinense, passará a ficar limitada a um raio de 10 quilômetros ao redor da propriedade onde a doença foi identificada.

A mudança foi comunicada pelas autoridades sauditas à Embaixada do Brasil em Riade e já consta em orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aos auditores responsáveis pela certificação sanitária das exportações. A flexibilização ocorre dois dias depois de o país anunciar restrições aos produtos catarinenses e permite que estabelecimentos fora da área delimitada voltem a atender às exigências sanitárias desse mercado.

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Restrição saudita passa a atingir apenas área próxima ao foco

A nova orientação consta em um ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), encaminhado na quinta-feira (22) aos servidores do Ministério da Agricultura.

O documento estabelece que não poderão receber certificação para exportação à Arábia Saudita os produtos avícolas provenientes da área de restrição sanitária de 10 quilômetros ao redor do foco da doença.

Antes da atualização, a orientação brasileira considerava a suspensão das exportações de carne e produtos cárneos de aves de todo o estado de Santa Catarina.

A mudança acompanha a comunicação recebida pela representação diplomática brasileira em Riade.

Até a divulgação das informações na sexta-feira (23), ainda não havia uma manifestação pública formal da autoridade sanitária saudita sobre a decisão.

Arábia Saudita está entre os principais compradores de frango brasileiro

O mercado saudita ocupa uma posição importante nas exportações brasileiras de carne de frango.

Entre janeiro e setembro de 2026, o país importou aproximadamente 327,8 mil toneladas do produto brasileiro, volume equivalente a cerca de 8% dos embarques nacionais no período.

A Arábia Saudita figura entre os três principais destinos da proteína brasileira.

Santa Catarina, por sua vez, responde por mais de 20% das exportações nacionais de carne de frango e concentra frigoríficos e cooperativas com atuação no comércio internacional.

Por isso, a abrangência territorial das restrições sanitárias tem importância para as empresas exportadoras do estado.

Com a nova orientação, a suspensão deixa de alcançar automaticamente toda a produção catarinense destinada ao mercado saudita.

Doença de Newcastle foi identificada em granja de perus

O foco da doença de Newcastle foi confirmado em um estabelecimento comercial de criação de perus localizado no município de Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina.

A enfermidade é provocada por um vírus altamente contagioso que afeta aves domésticas e silvestres.

Dependendo da variante viral, pode causar problemas respiratórios, alterações neurológicas e elevada mortalidade nos plantéis.

Após a confirmação do foco, o Ministério da Agricultura e os órgãos estaduais de defesa sanitária iniciaram medidas de contenção para impedir a disseminação do vírus.

As ações incluem restrições à movimentação de animais, fiscalização de propriedades e procedimentos de limpeza e desinfecção.

Mais de 350 propriedades passaram por vistorias

As equipes de defesa agropecuária intensificaram o monitoramento sanitário na região afetada.

Segundo informações divulgadas na atualização sobre o caso, 352 propriedades comerciais e de subsistência foram vistoriadas.

Também foram instalados quatro postos de controle de trânsito para fiscalizar a movimentação e realizar procedimentos de desinfecção de veículos.

As medidas buscam identificar possíveis sinais da doença em outras criações e reduzir o risco de propagação do vírus.

A delimitação da área de restrição permite concentrar parte das medidas de controle no entorno da propriedade afetada, conforme os protocolos sanitários aplicáveis.

México mantém suspensão para todo o Brasil

Enquanto a Arábia Saudita reduziu a abrangência do embargo, outros países continuam adotando restrições às importações de produtos avícolas brasileiros.

O México mantém a suspensão de determinadas categorias de produtos provenientes de todo o território nacional.

A medida inclui carne e miúdos de aves, aves vivas, ovos férteis e outros produtos previstos nas exigências sanitárias mexicanas.

Segundo as informações encaminhadas ao governo brasileiro, as autoridades mexicanas não estabeleceram uma data de corte para a aplicação das restrições.

A Malásia também mantém restrições nacionais para determinados produtos avícolas, com regras específicas para os estados malaios de Sabah e Sarawak.

As condições variam conforme o produto e os acordos sanitários estabelecidos com cada mercado importador.

China estabelece regras para cargas já embarcadas

A China informou ao governo brasileiro que aceitará cargas de carne de aves embarcadas até 20 de outubro de 2026.

A data corresponde à suspensão da habilitação de 14 frigoríficos catarinenses após a confirmação do foco da doença de Newcastle.

A decisão estabelece uma referência para o tratamento das cargas que já estavam em trânsito antes da aplicação das restrições.

O governo brasileiro continua acompanhando as exigências dos países importadores e orientando os estabelecimentos exportadores sobre as condições de certificação.

Outros mercados mantêm restrições aos produtos catarinenses

Além da China, diferentes parceiros comerciais mantêm suspensões que abrangem produtos avícolas provenientes de Santa Catarina.

Entre os destinos citados nas orientações sanitárias estão Chile, Cazaquistão, Paraguai, Peru, Turquia, Ucrânia e países vinculados à União Aduaneira Euroasiática.

Outros mercados adotam restrições limitadas à área de 10 quilômetros ao redor do foco.

Há ainda países que permitem a importação de determinados produtos submetidos a tratamentos térmicos específicos.

Essas diferenças decorrem dos protocolos sanitários firmados com cada importador e das características dos produtos comercializados.

Carne de frango inspecionada continua segura para consumo

O Ministério da Agricultura reforça que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma propriedade não significa que a carne de frango comercializada regularmente no Brasil esteja contaminada.

As restrições impostas pelos países importadores têm caráter sanitário e seguem regras destinadas a reduzir o risco de disseminação de doenças entre criações de aves.

O governo brasileiro mantém contato com as autoridades dos mercados compradores para apresentar informações sobre as medidas de controle adotadas e buscar a normalização das exportações.

A evolução das restrições dependerá das avaliações sanitárias e das exigências de cada país.

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