A participação das mulheres na gestão do agronegócio brasileiro alcançou um novo patamar. Segundo o estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, as mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais identificados como responsáveis por decisões no país.
O levantamento, desenvolvido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com Serasa Experian, Fran6 Pesquisa e Sistema FAESP/SENAR, também aponta que mais de 816 mil produtoras atuam como codiretoras, dividindo responsabilidades administrativas e estratégicas nas propriedades rurais.
Os números evidenciam a presença feminina em atividades que vão além da produção agrícola, incluindo planejamento financeiro, negociação de contratos, gestão de equipes, uso de tecnologias e comercialização de produtos.
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Mulheres ampliam participação nas decisões do agronegócio
A pesquisa analisa as transformações na atuação feminina ao longo de uma década e mostra que as mulheres ocupam uma parcela expressiva dos espaços de decisão nas propriedades rurais.
O percentual de 40% considera o universo de produtores rurais decisores analisado pelo estudo. Portanto, não significa que quatro em cada dez cargos executivos de todas as empresas do agronegócio sejam ocupados por mulheres.
A distinção é importante porque o agronegócio reúne diferentes atividades, desde a produção dentro das fazendas até a indústria de alimentos, a logística, os serviços financeiros e a comercialização.
Nas propriedades rurais, a presença feminina pode ocorrer tanto na direção individual dos negócios quanto na administração compartilhada com familiares e outros responsáveis pela produção.
Formação e tecnologia contribuem para a mudança
A ampliação da participação feminina acompanha transformações na administração das propriedades rurais brasileiras.
Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas digitais de gestão, análise de dados e plataformas de comercialização passaram a integrar a rotina de diferentes segmentos do setor.
Essas mudanças exigem conhecimentos técnicos e administrativos, além de capacidade de planejamento e acompanhamento dos custos de produção.
A pesquisa da ABAG relaciona a evolução da presença feminina ao acesso à formação, à tecnologia, à gestão e ao crédito rural.
A sucessão familiar também integra esse cenário. Em propriedades administradas por diferentes gerações, mulheres passaram a assumir responsabilidades antes concentradas em outros integrantes da família.
Produtoras ganham destaque em diferentes atividades
O avanço da liderança feminina pode ser observado em segmentos como cafeicultura, pecuária leiteira, produção de queijos artesanais e agricultura empresarial.
Em Minas Gerais, por exemplo, produtoras atuam na administração de propriedades, no desenvolvimento de marcas próprias e na comercialização de alimentos para mercados nacionais e internacionais.
A atuação inclui desde o acompanhamento da produção até o beneficiamento, a definição de preços, a negociação com compradores e a organização financeira dos empreendimentos.
O crescimento da participação feminina também amplia o debate sobre governança e sucessão no campo, especialmente nas propriedades familiares.
Crédito rural e desigualdade de renda continuam entre os desafios
Apesar do avanço na gestão, as mulheres ainda enfrentam obstáculos para ampliar sua participação econômica no setor.
Entre os desafios estão o acesso ao financiamento, a disponibilidade de assistência técnica, a divisão das responsabilidades familiares e a presença em entidades representativas do agronegócio.
A desigualdade de renda também permanece como uma questão relevante. Estudos internacionais da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) identificam diferenças de remuneração entre homens e mulheres que trabalham em atividades agrícolas.
Essas diferenças não devem ser confundidas com os dados brasileiros sobre participação nas decisões das propriedades, pois os indicadores medem aspectos distintos da realidade rural.
A ampliação do acesso ao crédito e à capacitação é considerada importante para que mais produtoras possam investir, modernizar suas atividades e expandir seus negócios.
Liderança feminina entra na agenda do setor
A participação das mulheres também ganhou espaço em eventos e discussões sobre o futuro do agronegócio brasileiro.
Em outubro, o Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026), realizado em São Paulo, incluiu uma programação dedicada à liderança feminina, com debates sobre sucessão, governança, inovação e oportunidades de mercado.
O tema ganhou destaque em 2026, declarado pela Organização das Nações Unidas como Ano Internacional da Mulher Agricultora.
A iniciativa busca ampliar a atenção internacional às condições de trabalho, à participação econômica e às oportunidades disponíveis para mulheres que atuam na produção de alimentos.
No Brasil, os dados da ABAG ajudam a dimensionar essa participação e oferecem referências para discussões sobre políticas de desenvolvimento rural, financiamento e qualificação profissional.