O próximo presidente da República assumirá o comando do país em janeiro de 2027 com uma série de desafios para o agronegócio brasileiro. Entre as principais questões estão a oferta de crédito rural, os custos de produção, a infraestrutura de transporte, a segurança jurídica e a necessidade de preparar as atividades agropecuárias para eventos climáticos extremos.
O setor também terá de lidar com exigências crescentes dos mercados internacionais, transformações tecnológicas e a busca por maior produtividade. Embora o agronegócio reúna atividades com realidades diferentes, como agricultura, pecuária e agroindústria, esses temas influenciam diretamente a competitividade da produção brasileira.
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Os dez principais desafios do próximo governo para o agronegócio
1. Ampliar o acesso ao crédito rural
O financiamento da produção é uma das principais preocupações dos agricultores e pecuaristas. Recursos para custeio, investimentos em máquinas e modernização das propriedades são fundamentais para o planejamento das safras.
O desafio do próximo governo será ampliar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos e médios produtores, e buscar condições de financiamento compatíveis com a realidade econômica das atividades rurais.
2. Reduzir os custos de produção
Fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis, energia elétrica e equipamentos representam despesas importantes para o agronegócio.
A dependência brasileira de insumos importados aumenta a exposição do setor às oscilações cambiais e aos preços internacionais.
A redução dessa vulnerabilidade exige medidas voltadas à competitividade da indústria nacional, à eficiência produtiva e à diversificação de fornecedores.
3. Melhorar a infraestrutura de transporte
A movimentação da produção agrícola depende de rodovias, ferrovias, hidrovias, armazéns e portos.
Problemas de infraestrutura podem elevar o custo do frete, provocar perdas e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros.
O próximo governo terá de avaliar investimentos e concessões capazes de melhorar o escoamento das safras, especialmente nas regiões de expansão agrícola.
4. Enfrentar os efeitos das mudanças climáticas
Secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e alterações no regime de precipitações afetam o planejamento das atividades agropecuárias.
O fortalecimento dos sistemas de previsão meteorológica, dos mecanismos de seguro rural e das tecnologias de adaptação será importante para reduzir prejuízos.
Também será necessário ampliar o acesso dos produtores a práticas de conservação do solo, manejo eficiente da água e recuperação de áreas degradadas.
5. Fortalecer o seguro rural
O seguro rural é um instrumento de proteção financeira diante de perdas provocadas por eventos climáticos e outros riscos cobertos pelas apólices.
Entretanto, o custo da contratação e as limitações de cobertura ainda representam obstáculos para parte dos produtores.
A ampliação do alcance desse mecanismo e a previsibilidade dos recursos destinados à subvenção dos prêmios estarão entre os temas que exigirão atenção do governo federal.
6. Ampliar mercados para os produtos brasileiros
O agronegócio brasileiro depende tanto do mercado interno quanto das exportações de produtos como soja, milho, carnes, café e açúcar.
A abertura de novos destinos comerciais, a manutenção de acordos sanitários e a redução de barreiras comerciais são fatores importantes para a competitividade do setor.
O próximo governo também terá de acompanhar as exigências de rastreabilidade e sustentabilidade adotadas por parceiros internacionais.
7. Combater o desmatamento ilegal e fortalecer a regularização ambiental
A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental continuará no centro das discussões nacionais e internacionais.
O desafio envolve combater atividades ilegais, garantir o cumprimento da legislação e oferecer instrumentos para que produtores possam regularizar suas propriedades.
A recuperação de áreas degradadas e o aumento da produtividade em terras já utilizadas também aparecem como alternativas para conciliar produção e conservação ambiental.
8. Garantir segurança jurídica no campo
A previsibilidade das regras é considerada importante para investimentos de longo prazo no agronegócio.
Questões fundiárias, licenciamento ambiental, regularização de imóveis e interpretação das normas podem gerar incertezas para produtores, empresas e comunidades.
O próximo governo terá de lidar com essas demandas respeitando a legislação, os direitos territoriais e as decisões judiciais.
9. Incentivar tecnologia e inovação agropecuária
Agricultura de precisão, automação, melhoramento genético, conectividade rural e sistemas de monitoramento podem contribuir para aumentar a eficiência da produção.
A adoção dessas tecnologias, porém, depende de investimentos, assistência técnica e acesso à internet no campo.
O fortalecimento da pesquisa agropecuária e da capacitação profissional será essencial para ampliar os benefícios da inovação entre produtores de diferentes portes.
10. Conciliar produção, abastecimento e preços dos alimentos
Além de sua participação nas exportações, o agronegócio tem papel fundamental no abastecimento do mercado brasileiro.
O próximo governo terá de acompanhar fatores que afetam a oferta de alimentos, incluindo custos de produção, condições climáticas, logística e funcionamento das cadeias de distribuição.
O desafio será criar condições para uma produção eficiente e economicamente sustentável, sem perder de vista a segurança alimentar da população.
Decisões dependerão das prioridades do governo eleito
Embora os dez desafios estejam relacionados, as soluções envolvem diferentes áreas da administração pública, incluindo agricultura, economia, meio ambiente, infraestrutura e relações exteriores.
Algumas medidas dependem diretamente de decisões do Poder Executivo. Outras exigem aprovação do Congresso Nacional, participação de governos estaduais ou investimentos da iniciativa privada.
O resultado do segundo turno definirá quem conduzirá essas discussões a partir de 2027.
Independentemente do vencedor, o desempenho do agronegócio continuará condicionado a fatores internos e externos, como preços internacionais, condições climáticas, disponibilidade de crédito e demanda pelos produtos brasileiros.