Quantos eleitores tem no Brasil: SP, MG e RJ têm 40% do voto

Análise do peso dos principais estados no eleitorado brasileiro e os movimentos políticos antes do segundo turno.
Redação NC News
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Às vésperas do segundo turno presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fecharam a campanha neste sábado (24) disputando palmo a palmo os maiores colégios eleitorais do Brasil, enquanto o petista tenta reverter uma vantagem de 2,2 milhões de votos do 1º turno e o senador busca consolidar a liderança no Sudeste.

Disputa concentrada nos maiores colégios eleitorais do país

São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reúnem cerca de 40% dos eleitores brasileiros e definem a reta final da disputa. São 34,1 milhões de eleitores em São Paulo, 16,3 milhões em Minas e 12,8 milhões no Rio. Foi nesses três estados que Flávio Bolsonaro venceu com margem confortável no 1º turno, embora Lula tenha levado a capital paulista.

Além do peso numérico, o Sudeste concentrou 14 milhões dos eleitores que se abstiveram no 1º turno. Esses ausentes entraram no radar das duas campanhas como o grande prêmio de última hora, ao lado dos indecisos. Enquanto aliados de Lula trabalham para ampliar ainda mais a dianteira do petista no Nordeste, o presidente mirou diretamente a vantagem do adversário em São Paulo, Minas e Rio.

Na prática, as campanhas deslocaram carros de som, militância, lideranças regionais e estrutura de segurança para atos de massa em avenidas e orlas das capitais, alterando rotina de comércio, transporte e policiamento em trechos de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Qual o maior colégio eleitoral do Brasil?

O maior colégio eleitoral do Brasil é o estado de São Paulo, com 34,1 milhões de eleitores registrados. Em seguida vêm Minas Gerais, com 16,3 milhões, e o Rio de Janeiro, com 12,8 milhões. Juntos, os três somam cerca de 40% de todos os eleitores do país e viraram o eixo central da eleição deste ano.

Esses números ajudam a explicar por que Lula escolheu encerrar a campanha na Avenida Paulista e por que Flávio Bolsonaro repetiu a aposta em Minas e Rio. Na avaliação de estrategistas dos dois lados, quem sair melhor nesses três estados hoje tem grandes chances de vencer a disputa nacional amanhã.

Lula endurece críticas e aposta em mar de gente em Copacabana e na Paulista

Pela manhã, Lula participou de um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, em clima de comício de despedida. Em cima de um carro de som, voltou a mirar diretamente o adversário e a família Bolsonaro, criticando a aproximação com interesses externos. “O Brasil não é quintal de ninguém”, afirmou o presidente, em referência a relações com o governo de Donald Trump e aliados próximos da família do senador.

Em meio ao trajeto pela orla, um pneu furado obrigou a troca do veículo e acabou virando momento de fala improvisada. Lula elevou o tom, chamando Flávio Bolsonaro de “miliciano” e dizendo que o país corre risco de ver o território “cheio de milicianos” caso o rival vença. “As pessoas têm direito de não concordar com todas as políticas públicas que fizemos, mas deixar de votar em um trabalhador para votar num miliciano é demais. Eles vão encher o território de milicianos”, disse.

O presidente também resgatou o caso de Ana Clara, menina morta por um tiro de fuzil disparado por um policial defendido por Flávio Bolsonaro. “Essa mãe perdeu a filha. Cada mulher desse país não pode votar num miliciano”, afirmou, ligando o episódio à pauta de segurança pública explorada pelo adversário.

Lula usou o microfone para associar uma eventual gestão de Flávio à privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), à revisão da jornada 6×1 e ao engavetamento de projetos como o transporte público gratuito nos fins de semana. Ao agradecer a presença dos apoiadores, classificou a cena no Rio como um dos momentos “mais bonitos” da campanha.

À tarde, o presidente cruzou a Avenida Paulista em carro aberto ao lado do vice, Geraldo Alckmin (PSB), repetindo o tom de confiança. “Amanhã eu serei eleito presidente outra vez. Estou com sabor de vitória na boca”, declarou em entrevista antes do ato. Ele disse enxergar na mobilização popular a prova de que “a sociedade brasileira resolveu assumir a responsabilidade de dizer que a eleição não é uma coisa de partido político”, e voltou a chamar Flávio de “miliciano que não pode ir para o Palácio do Planalto”.

No percurso, a multidão lotou todos os 14 quarteirões da avenida, com predominância de vermelho, bandeiras do PT, cartazes contra a família Bolsonaro e também camisetas amarelas da seleção brasileira. Em um trecho em que o carro não avançava, Lula desceu do veículo oficial, subiu em um trio destinado à imprensa e seguiu de lá, empunhando uma bandeira do Brasil e um exemplar da Constituição.

Ao elogiar a mobilização construída a partir de grupos de mensagens coordenados pelo deputado André Janones (Rede-MG), Lula chegou a dizer que o país tem hoje “o maior exército democrático do mundo. Um exército maior da paz, maior que o da Rússia e da China”, numa tentativa de contrapor a narrativa de força militar usada pela direita nos últimos anos.

Além de Alckmin e da primeira-dama Janja, estavam no palanque nomes como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, reforçando a frente ampla que sustenta a candidatura petista.

Flávio Bolsonaro foca em Minas e aposta em imagem de força no Sudeste

Flávio Bolsonaro começou o último dia de campanha em Belo Horizonte, onde liderou uma motociata que saiu da Praça do Papa em direção à Praça da Liberdade, região Centro-Sul da capital mineira. O senador ficou em cima de um carro de som, cercado por seguranças e apoiadores, mas preferiu não discursar ao longo do trajeto.

O ato reuniu parte do núcleo duro do bolsonarismo no Sudeste. Estavam presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que foi um dos principais articuladores da mobilização nas redes sociais. O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) e os deputados federais Lucas Pavanato (PL-SP) e Domingos Sávio (PL-MG) também acompanharam a carreata.

Na chegada à Praça da Liberdade, Nikolas Ferreira pegou o microfone para uma fala rápida, conduziu uma oração do Pai Nosso e, em gesto simbólico, chutou um boneco de plástico com a imagem de Lula. O ato foi aplaudido por apoiadores e serviu de material para novas peças de campanha nas redes.

Em vídeo divulgado nas plataformas digitais, gravado ao lado de Tarcísio e Cleitinho, Flávio reforçou a importância do desempenho no Sudeste. “Tem uma tradição de que quem ganha em Minas e São Paulo ganha o Brasil”, afirmou o candidato, apostando no histórico desses estados como termômetro da eleição nacional.

Depois de Belo Horizonte, o senador seguiu para a Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, onde encerrou a campanha com uma caminhada de cerca de um quilômetro ao som de trios elétricos, saindo da Praça do Ó em direção ao condomínio Vivendas da Barra, onde a família Bolsonaro tem casa.

Dessa vez, Flávio discursou brevemente, agradecendo a presença dos apoiadores. “Vocês estão fazendo parte dessa história”, disse, prometendo “anos de felicidade, prosperidade, liberdade e vitória porque o Brasil vai vencer”. Ao lado dele estavam o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), os deputados Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), além do senador eleito Dalagnol e da esposa, Fernanda.

Entre os participantes, havia famílias com crianças, motociclistas, praticantes de jiu-jítsu e membros da família Gracie, referência na modalidade, saudados pelo cerimonial. A cena lembrou atos bolsonaristas de campanhas anteriores, com muita camisa da seleção, bandeiras verde-amarelas, faixas “Fora Lula” e bandeiras de Israel. O Hino Nacional foi entoado em coro em diferentes momentos do percurso.

Quantos eleitores tem no Brasil?

Somando todos os estados, o Brasil tem hoje pouco mais de 180 milhões de eleitores registrados, dos quais cerca de 63,2 milhões estão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Só no Sudeste, foram 14 milhões de ausentes no 1º turno, de um total de 33 milhões de abstenções em todo o país, o que explica a ofensiva final para tentar levar parte desse contingente às urnas neste domingo.

A diferença de 2,2 milhões de votos aberta por Flávio Bolsonaro no 1º turno é considerada estreita diante do universo total de eleitores e pode ser revertida ou ampliada a depender da combinação entre comparecimento, voto dos indecisos e desempenho regional, especialmente no trio São Paulo–Minas–Rio e no Nordeste.

Entenda o contexto

No 1º turno, Flávio Bolsonaro venceu nos três maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, abriu frente expressiva sobre Lula, embora o petista tenha liderado na capital paulista. Em Minas, o placar foi mais apertado, com Lula vencendo em mais municípios, mas o senador garantindo a maioria nas cidades mais populosas, que concentram cerca de 70% do eleitorado. No Rio, a vantagem de Flávio foi ainda mais folgada.

Desde então, as campanhas reorganizaram prioridades. O entorno de Lula mira a redução do prejuízo no Sudeste e a ampliação da vantagem no Nordeste. Já Flávio tenta segurar a dianteira nas áreas mais populosas do país e conter eventuais perdas entre eleitores evangélicos, de baixa renda e mulheres, segmentos nos quais a rejeição ao senador é mais monitorada por marqueteiros.

Amanhã, Lula vota em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, e deve acompanhar a apuração em São Paulo. Flávio vota no Rio de Janeiro e segue para Brasília, onde pretende acompanhar a contagem com aliados. O resultado definirá não só o próximo presidente, mas também o peso de governadores e deputados que subiram nos palanques deste sábado em SP, MG e RJ, redesenhando o mapa de forças políticas para os próximos anos.

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