Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação no Brasil durante o segundo turno das eleições presidenciais. A manifestação foi publicada nas redes sociais após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e colocou o empresário no centro da repercussão internacional do resultado.
Trump Jr. questionou a reação da imprensa americana à medida judicial e sugeriu que a cobertura seria diferente caso a decisão tivesse ocorrido sob um governo conservador. A crítica foi feita em meio à contestação anunciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição.
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Trump Jr. acusa imprensa americana de dois pesos e duas medidas
Em uma publicação nas redes sociais, Donald Trump Jr. criticou a extensão do horário de votação das 17h para as 19h. Para ele, a imprensa dos Estados Unidos reagiria de maneira mais contundente se uma medida semelhante fosse tomada por um governo conservador.
“Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na imprensa mainstream americana perderia a cabeça, mas acho que eles estão apenas escolhendo ficar em silêncio porque é tudo pela causa”.
A declaração foi interpretada como uma crítica à atuação da imprensa americana e um sinal de apoio às críticas feitas por aliados de Flávio Bolsonaro. A manifestação, porém, representa a avaliação política de Trump Jr. e não comprova, por si só, que a decisão judicial tenha alterado o resultado das urnas.
Decisão sobre o horário de votação virou alvo de críticas
A decisão de Cristiano Zanin foi tomada após relatos de problemas no transporte público que poderiam dificultar o deslocamento de eleitores. Inicialmente, o ministro determinou a extensão do horário até as 19h. Posteriormente, esclareceu que a medida deveria ser aplicada às seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação.
Nas seções já fechadas, os votos registrados deveriam ser computados normalmente. A decisão também ocorreu em meio a pedidos relacionados à logística do pleito apresentados pelas campanhas que disputavam a Presidência, embora com justificativas e alcances diferentes.
Críticas de Trump Jr. se somam à contestação de Flávio Bolsonaro
Após a derrota para Lula, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular a eleição. O senador relacionou sua iniciativa à decisão sobre o horário de votação e declarou que não reconhecia o resultado diante das circunstâncias que apontou.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram; vamos pedir anulação dessas eleições”.
Até a manhã de segunda-feira, 26 de outubro, Donald Trump não havia se pronunciado publicamente sobre a vitória de Lula nem sobre a decisão de Zanin, segundo a CNN Brasil. A crítica de seu filho, portanto, não deve ser confundida com uma manifestação oficial do presidente americano.
Publicação amplia repercussão internacional
A contestação também ganhou alcance nas redes sociais por meio de Jason Miller, conselheiro de Trump, que divulgou uma versão em inglês do discurso de Flávio Bolsonaro. A iniciativa ajudou a levar as críticas ao resultado brasileiro para o público americano.
A vitória de Lula recebeu atenção de veículos internacionais, que analisaram o resultado como um revés para Flávio Bolsonaro e para setores da direita alinhados politicamente a Donald Trump. Nesse contexto, a publicação de Trump Jr. tornou-se mais um elemento da repercussão política da eleição brasileira fora do país.
O que se sabe sobre a tentativa de anular a eleição
O anúncio de Flávio Bolsonaro representa a intenção de apresentar um questionamento judicial, não uma decisão de anulação do pleito. As críticas à extensão do horário de votação também não demonstram, por si só, que tenha ocorrido fraude ou que a medida tenha sido determinante para o resultado.
O esclarecimento do STF estabeleceu que as seções já encerradas teriam seus votos computados normalmente, enquanto aquelas que ainda permaneciam abertas poderiam seguir recebendo eleitores até as 19h. A eventual contestação deverá ser examinada pelas instâncias competentes, com base nos argumentos e nas provas apresentados.
Com a manifestação de Donald Trump Jr. e a promessa de recurso de Flávio Bolsonaro, a eleição brasileira passou a ocupar também o debate político nas redes internacionais. Por enquanto, as críticas públicas expressam a posição de seus autores, enquanto qualquer consequência jurídica depende da análise formal das medidas que vierem a ser apresentadas.