A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa nos mercados internacionais nesta segunda-feira (26). Ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos registraram quedas expressivas no pré-mercado, eanquanto o ETF EWZ, que acompanha uma carteira de companhias brasileiras em Nova York, recuou mais de 25% em determinados momentos da sessão preliminar.
Entre os papéis pressionados estavam os recibos de ações da Petrobras, do Itaú Unibanco e do Bradesco, além de empresas como Nubank e Mercado Livre. A reação refletiu a revisão das expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e esperavam mudanças na condução da política econômica brasileira.
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Ações brasileiras caem forte no exterior após vitória de Lula
Os ativos brasileiros negociados nos Estados Unidos sofreram perdas acentuadas após a confirmação da vitória de Lula. Segundo dados divulgados pela Reuters e reproduzidos pela CNN Brasil, as ações da Petrobras recuavam cerca de 20% em determinado momento do pré-mercado, enquanto os papéis do Itaú caíam 28,5% e os do Bradesco, 26,8%. O Nubank também registrava queda expressiva.
O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, também apresentou forte desvalorização. As cotações variaram durante as negociações, e os percentuais registrados no exterior não devem ser confundidos com o resultado do pregão regular da Bolsa brasileira, que ainda não havia começado naquele momento.
As oscilações refletem uma mudança rápida nas expectativas dos investidores. Após o primeiro turno, a possibilidade de alternância de poder havia contribuído para a valorização de ativos brasileiros, em meio à expectativa de uma agenda econômica considerada mais favorável por parte do mercado.
Por que os investidores reagiram negativamente?
Uma das principais preocupações está relacionada à política fiscal, ou seja, à forma como o governo administra receitas, despesas e endividamento público. Investidores temem que dúvidas sobre o controle das contas públicas mantenham os juros elevados e aumentem a incerteza sobre o crescimento econômico.
Parte do mercado apostava que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir espaço para reformas e medidas de ajuste fiscal. Com a reeleição de Lula, essas expectativas foram revistas, provocando uma onda de vendas de ativos brasileiros negociados no exterior.
“A vitória surpreendente de Lula vai frustrar as esperanças de reformas que melhorariam as finanças públicas e fortaleceriam as perspectivas de crescimento”.
A avaliação representa a perspectiva de um analista sobre as expectativas dos investidores. O desempenho dos ativos nos próximos dias dependerá também das decisões econômicas do governo, das condições internacionais e dos sinais sobre o equilíbrio das contas públicas.
Petrobras, Itaú e Bradesco estão entre os papéis pressionados
As perdas atingiram diferentes setores da economia. Bancos e empresas financeiras estiveram entre os destaques negativos, em um movimento associado à preocupação com os juros, o crédito e as perspectivas de crescimento. A
Petrobras também registrou forte recuo nos recibos negociados nos Estados Unidos.
Os chamados ADRs são recibos negociados no mercado americano que representam ações de companhias estrangeiras. Eles permitem que investidores negociem papéis de empresas brasileiras em dólar e, por isso, podem apresentar movimentos diferentes dos observados na Bolsa brasileira, especialmente quando os mercados estão abertos em horários distintos.
Além das expectativas sobre o novo mandato presidencial, o preço desses ativos pode ser influenciado pela cotação do dólar, pelos juros americanos, pelos preços internacionais das commodities e pelas perspectivas específicas de cada companhia.
EWZ funciona como termômetro do mercado brasileiro
O EWZ é um fundo de índice negociado nos Estados Unidos que reúne ações de empresas brasileiras. Como pode ser negociado enquanto a B3 está fechada, costuma ser acompanhado por investidores como um indicador preliminar do sentimento do mercado internacional em relação ao Brasil.
Apesar disso, uma queda expressiva do EWZ não determina automaticamente o tamanho da variação do Ibovespa na abertura. Diferenças de liquidez, horários de negociação, câmbio e composição das carteiras podem provocar movimentos distintos entre os dois mercados.
Dólar e juros entram no radar dos investidores
A reação dos ativos brasileiros também elevou a atenção sobre o câmbio e os juros futuros. Quando investidores reduzem a exposição ao Brasil, o real pode sofrer pressão de desvalorização, enquanto as taxas exigidas para financiar o governo e as empresas podem subir, dependendo das condições de mercado.
Uma eventual alta do dólar pode encarecer produtos importados e insumos negociados internacionalmente, com possíveis efeitos sobre os custos das empresas e a inflação. Ao mesmo tempo, juros persistentemente elevados tendem a aumentar o custo do crédito e dificultar decisões de consumo e investimento.
Esses efeitos, contudo, não são automáticos nem dependem exclusivamente do resultado eleitoral. O comportamento dos mercados também responde à política monetária, ao cenário econômico global, aos preços de energia e às medidas anunciadas pelo governo.
A abertura da B3 será decisiva para avaliar o impacto
Como as quedas mais intensas foram registradas em negociações no exterior, o comportamento do mercado brasileiro precisaria ser observado após a abertura do pregão regular. A liquidez e o volume de ordens de compra e venda podem alterar os preços em relação às cotações registradas durante a sessão preliminar americana.
Investidores devem acompanhar especialmente o Ibovespa, o dólar, os contratos de juros futuros e os comunicados do governo sobre a política econômica. A composição da equipe econômica e as medidas apresentadas para as contas públicas também podem influenciar a avaliação de risco do país.
Mercado aguarda sinais da política econômica do novo mandato
A forte reação inicial evidencia a distância entre as expectativas de parte dos investidores e o resultado das urnas. O movimento, porém, não significa que as perdas serão mantidas ao longo dos próximos pregões: preços podem mudar conforme novas informações sobre a economia, as decisões do governo e o cenário internacional.
O principal foco dos agentes financeiros será a sinalização sobre o controle das despesas, a trajetória da dívida pública e a relação entre o Executivo e o Congresso. Medidas consideradas consistentes para a gestão fiscal podem reduzir parte das incertezas, enquanto dúvidas prolongadas podem manter a volatilidade.
Por enquanto, a queda dos ativos brasileiros negociados nos Estados Unidos representa uma reação inicial à reeleição de Lula e à revisão das apostas políticas do mercado. O impacto sobre a economia real dependerá da duração desse movimento, das condições financeiras e das decisões que forem tomadas durante o novo mandato.