Soja, café e açúcar caem no exterior após eleição e disparada do dólar

Desvalorização do real aumenta a competitividade das exportações brasileiras e pressiona as cotações internacionais.
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Os preços internacionais da soja, do café e do açúcar caíram nesta segunda-feira (26), após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais brasileiras e a forte desvalorização do real frente ao dólar. O movimento reflete a expectativa de que a moeda brasileira mais fraca aumente a competitividade dos produtos agrícolas do país no mercado internacional.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja recuaram até 1,7%, atingindo o menor nível em dois meses. O açúcar caiu até 3,6%, enquanto o café arábica perdeu até 3,3% no início das negociações. Já o café robusta chegou ao menor patamar em dois anos.

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Lula foi reeleito presidente do Brasil, em uma disputa que provocou reações nos mercados financeiros e pressionou o real frente ao dólar.

Por que a alta do dólar pressiona as commodities?

Como o Brasil é um dos principais fornecedores globais de soja, café e açúcar, a desvalorização do real pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos em relação aos concorrentes internacionais. Com a conversão das receitas de exportação em moeda local, os produtores também recebem mais reais por cada dólar faturado.

Esse cenário pode estimular a oferta brasileira no mercado externo e pressionar as cotações internacionais das commodities agrícolas. O efeito é especialmente relevante para o açúcar e o café, setores nos quais o país ocupa posição de destaque nas exportações mundiais.

Soja brasileira ganha espaço na China

A relação comercial entre Brasil e China também está no radar dos investidores. O país asiático é o maior importador mundial de soja, e o Brasil vem ampliando sua participação nesse mercado.

Nos primeiros nove meses de 2026, a soja brasileira respondeu por quase 80% das importações chinesas do produto, segundo dados citados pela Bloomberg. A perspectiva de manutenção de uma relação comercial próxima entre os dois países pode reforçar a posição brasileira como fornecedora da commodity.

Uma participação maior do Brasil na demanda chinesa pode reduzir o espaço destinado à soja dos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre os preços negociados no mercado americano.

A soja brasileira está no centro das atenções do mercado internacional, com o dólar e as exportações influenciando os preços da commodity.

Açúcar e café também registram perdas

O mercado de açúcar apresentou uma das quedas mais expressivas da sessão, com recuo de até 3,6% nos contratos futuros mais negociados. O café arábica caiu até 3,3%, enquanto o robusta atingiu o menor nível em dois anos.

Para analistas do mercado, o movimento está relacionado à expectativa de que a desvalorização da moeda brasileira favoreça as exportações do país e amplie a disponibilidade dos produtos no comércio internacional.

O café brasileiro enfrenta pressão nos mercados internacionais, com a desvalorização do real influenciando a competitividade das exportações.

Mercado acompanha efeitos da eleição

A reação dos mercados ocorre após o resultado das eleições presidenciais brasileiras, que contrariou as expectativas de parte dos investidores. A vitória de Lula provocou forte pressão sobre o real e aumentou a volatilidade nos mercados financeiros.

Além dos efeitos cambiais sobre as commodities, investidores acompanham os possíveis desdobramentos da política econômica brasileira e da relação do país com seus principais parceiros comerciais, especialmente os Estados Unidos e a China.

Os próximos movimentos dos preços dependerão da evolução do câmbio, da demanda internacional e das condições de oferta dos produtos agrícolas. Para o agronegócio brasileiro, a desvalorização do real pode favorecer a competitividade das exportações, mas também altera as receitas e os custos dos produtores.

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