A disparada do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a pressão sobre os preços da gasolina e do diesel no Brasil. A valorização da moeda americana encarece a importação de combustíveis e amplia a diferença entre os valores praticados no mercado interno e as referências internacionais.
Em reportagem publicada em 27 de outubro no UOL Carros, a colunista Paula Gama explica que o diesel está mais exposto ao risco de reajustes, já que o Brasil depende de importações para complementar o abastecimento. Apesar da pressão, especialistas ouvidos pela jornalista ressaltam que ainda não há garantia de aumentos imediatos nas bombas.
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Dólar mais caro pressiona combustíveis
No primeiro pregão após o segundo turno das eleições, em 26 de outubro, o dólar chegou a superar R$ 5,60, depois de fechar a sexta-feira anterior cotado a R$ 4,99. A movimentação refletiu mudanças nas expectativas do mercado financeiro sobre a política econômica e fiscal do próximo mandato.
Como petróleo e derivados são negociados internacionalmente em dólares, a desvalorização do real aumenta o custo de importação mesmo quando as cotações internacionais não sobem. O impacto final depende da duração da alta cambial, dos preços dos derivados e das decisões comerciais das refinarias.
Diesel enfrenta maior pressão por reajustes
Segundo dados da
Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), citados por Paula Gama, em 23 de outubro o diesel vendido pela Petrobras apresentava defasagem média de R$ 3,53 por litro em relação à referência internacional. Na gasolina, a diferença era de R$ 0,58 por litro.
Essas diferenças indicam que os preços domésticos estavam abaixo das referências usadas para comparar os custos de importação. Com o dólar em alta, a defasagem pode aumentar, caso outros fatores não compensem a pressão cambial.
O economista Tiago Velloso, ouvido pelo UOL Carros, destaca que o diesel merece atenção especial porque o país depende de compras externas para complementar a oferta nacional. Ainda assim, a defasagem, por si só, não significa que a Petrobras anunciará reajustes nas próximas semanas.
Possíveis aumentos podem afetar fretes e alimentos
Um eventual aumento do diesel pode ter efeitos além dos motoristas. Como o transporte rodoviário tem papel importante na distribuição de mercadorias no Brasil, custos maiores com combustível podem pressionar os fretes e, consequentemente, os preços de alimentos e outros produtos.
Petrobras pode adiar reajustes
A Petrobras não repassa automaticamente todas as oscilações do dólar e do petróleo internacional. Sua estratégia comercial permite considerar diferentes referências de mercado e suavizar movimentos de curto prazo, o que pode evitar mudanças imediatas nos preços cobrados das distribuidoras.
Entretanto, manter os preços internos muito abaixo das referências internacionais por um período prolongado pode se tornar difícil. O economista Ari Francisco de Araujo Junior, coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec BH, afirma, segundo a reportagem, que uma defasagem elevada e persistente cria limitações para a manutenção dessa estratégia.
Subsídios do governo ajudam a conter o diesel
O governo federal também utiliza subsídios para reduzir a pressão sobre o diesel. Por meio desse mecanismo, produtores e importadores habilitados recebem compensações financeiras para comercializar o combustível conforme as condições previstas no programa.
De acordo com os dados apresentados por Paula Gama, as medidas foram alteradas ao longo de 2026, em resposta às oscilações do mercado internacional. Como esses benefícios são temporários e envolvem recursos públicos, sua continuidade depende de novas decisões do governo e das condições fiscais.
Se os subsídios forem reduzidos ou encerrados enquanto o dólar e os preços internacionais permanecerem elevados, a pressão para reajustes no mercado doméstico poderá aumentar.
Economistas divergem sobre o tamanho do impacto
Os especialistas ouvidos pelo UOL Carros não apresentam uma previsão única para os próximos reajustes. Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, avalia que a combinação entre câmbio elevado, pressões internacionais sobre o petróleo e limitações fiscais pode favorecer aumentos nos combustíveis.
Outros economistas ressaltam que a trajetória do dólar ainda pode mudar e que uma queda nas cotações internacionais dos derivados poderia compensar parte da desvalorização do real. A evolução do mercado externo e as decisões da Petrobras serão determinantes para o comportamento dos preços.
Gasolina e diesel vão subir?
Até o momento retratado pela reportagem, não havia um percentual definido para eventuais aumentos da gasolina ou do diesel. A pressão cambial aumenta o risco de reajustes, mas não significa que eles ocorrerão automaticamente ou em uma data específica.
O preço final nos postos também depende de tributos, custos de distribuição e revenda, mistura de biocombustíveis e condições regionais de mercado. Por isso, mesmo uma mudança nos preços das refinarias não é necessariamente repassada integralmente ao consumidor.
O principal fator a acompanhar será a duração da alta do dólar, junto com o comportamento dos preços internacionais dos combustíveis e a política comercial da Petrobras. Quanto mais persistente for a pressão, maior poderá ser a dificuldade de manter os preços domésticos nos níveis atuais.
Com informações de Paula Gama, colunista do UOL Carros.