Segurança de famosos, ‘Bradock’ é preso por se passar por delegado no Rio

Empresário de 47 anos, que já trabalhou em eventos de Romário, é suspeito de usar distintivo e arma para abastecer veículos sem pagar; polícia investiga ao menos três episódios.
Redação NC News
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O empresário Silvio Cesar Ferreira de Novaes Alves, de 47 anos, conhecido como Bradock, foi preso nesta quarta-feira (28) no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Dono de uma empresa de segurança privada e conhecido por trabalhar em eventos de celebridades, ele é suspeito de se passar por delegado da Polícia Civil para abastecer veículos em postos de combustíveis e sair sem pagar.

A prisão foi realizada por agentes da 42ª Delegacia de Polícia, que investigavam pelo menos três episódios semelhantes. Segundo a corporação, Bradock utilizava um distintivo e uma pistola calibre .40 para dar credibilidade à falsa identidade policial. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e indiciado por furto mediante fraude.

Polícia Civil investiga falsos agentes com fuzis em área de milícia

Quem é Bradock, empresário preso no Rio?

Silvio Cesar Ferreira de Novaes Alves atua no setor de segurança privada e ganhou visibilidade nas redes sociais ao divulgar fotografias ao lado de atletas, artistas e outras personalidades.

Com mais de 130 mil seguidores no Instagram, o empresário se apresentava como profissional de segurança de celebridades. Entre os registros publicados estão imagens ao lado do senador e ex-jogador Romário, além de outros nomes conhecidos do esporte e do entretenimento.

Sua empresa já prestou serviços de segurança em festas relacionadas a Romário e em eventos de outras personalidades.

As fotografias divulgadas nas redes sociais mostram a proximidade profissional do empresário com o ambiente de eventos e entretenimento, mas não indicam qualquer envolvimento das celebridades nas irregularidades investigadas.

Bradock também tentou ingressar na política. Em 2024, disputou uma vaga de vereador na cidade do Rio de Janeiro pelo Solidariedade.

Na ocasião, recebeu 1.219 votos, não foi eleito e ficou na condição de suplente.

Como funcionava o suposto golpe nos postos de gasolina?

A investigação começou após a denúncia do gerente de um posto de combustíveis localizado na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes.

Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, Bradock chegou ao estabelecimento em 4 de setembro, utilizando um distintivo no peito e portando uma arma de fogo.

Ele teria se apresentado como delegado e afirmado que havia esquecido a carteira na delegacia.

Depois de abastecer o veículo, prometeu retornar para quitar a dívida e deixou um aparelho celular antigo como garantia.

O pagamento, entretanto, não foi realizado.

O gerente aguardou 18 dias antes de procurar a Polícia Civil para registrar a ocorrência.

Durante esse período, conversou com funcionários de outros estabelecimentos e descobriu que situações semelhantes teriam ocorrido anteriormente.

Os investigadores identificaram pelo menos três episódios envolvendo a mesma estratégia.

Um deles teria ocorrido em 24 de agosto, também na Avenida das Américas. Outro caso teria acontecido aproximadamente dois meses antes.

Distintivo de segurança privada era usado para simular autoridade policial

De acordo com a delegada Talita Stivanello, responsável pela investigação, o distintivo utilizado pelo empresário possuía a inscrição de segurança privada parcialmente encoberta.

A forma como o objeto era apresentado teria contribuído para que funcionários dos postos acreditassem estar diante de uma autoridade policial.

Além do distintivo, a presença de uma arma de fogo reforçava a aparência de autoridade.

Segundo a Polícia Civil, a combinação desses elementos era utilizada para convencer os funcionários a liberar os abastecimentos sem pagamento imediato.

Os investigadores apuram a responsabilidade do empresário nos episódios identificados e procuram outras possíveis vítimas.

Polícia encontrou pistola e munições com o empresário

Após identificar o suspeito, a Polícia Civil solicitou à Justiça sua prisão preventiva.

O pedido foi negado, mas os investigadores receberam autorização para cumprir um mandado de busca e apreensão na residência do empresário.

Na manhã desta quarta-feira, agentes monitoraram a saída de Bradock do condomínio onde mora.

Durante a abordagem, os policiais encontraram uma pistola calibre .40 na cintura do investigado, que recebeu voz de prisão.

Em seguida, a equipe cumpriu o mandado judicial na residência.

A operação resultou na apreensão de três carregadores, 35 munições intactas, um distintivo de segurança privada e um coldre, além da arma encontrada durante a abordagem.

Segundo a Polícia Civil, o empresário possuía autorização da Polícia Federal para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho, mas não tinha permissão para circular armado.

A autorização de posse também havia sido cassada em julho de 2026, conforme informações da investigação.

Qual é a diferença entre posse e porte de arma?

A distinção entre posse e porte de arma é importante para compreender o motivo da prisão em flagrante.

A posse autoriza, dentro das condições legais, a manutenção de uma arma de fogo em local determinado, como residência ou estabelecimento profissional.

O porte, por sua vez, permite que a pessoa transporte ou carregue a arma fora desses locais, observadas as exigências e restrições estabelecidas pela legislação.

Segundo a Polícia Civil, Bradock não possuía autorização válida para circular com a pistola encontrada em sua cintura.

Por isso, foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

A investigação sobre os abastecimentos sem pagamento resultou também em seu indiciamento por furto mediante fraude.

Polícia procura outras possíveis vítimas

A 42ª Delegacia de Polícia orientou que proprietários, gerentes e funcionários de postos de combustíveis que tenham enfrentado situações semelhantes procurem a unidade para registrar ocorrência.

Os investigadores pretendem verificar se a estratégia atribuída ao empresário foi utilizada em outros estabelecimentos do Rio de Janeiro.

O suspeito deverá passar por audiência de custódia, procedimento em que a Justiça avalia a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da medida.

Até a divulgação das informações consultadas nesta quarta-feira, não havia sido localizada uma manifestação da defesa de Silvio Cesar Ferreira de Novaes Alves sobre as acusações.

A prisão em flagrante e o indiciamento não representam condenação criminal.

Próximos passos

A Polícia Civil continuará analisando as denúncias e poderá ouvir novas vítimas para esclarecer a quantidade de ocorrências atribuídas ao empresário.

A investigação também deverá examinar o uso do distintivo, a situação documental da arma de fogo e as circunstâncias dos abastecimentos realizados sem pagamento.

O material reunido poderá ser encaminhado ao Ministério Público, responsável por avaliar a apresentação de eventual denúncia criminal.

Bradock terá direito à defesa e à contestação das provas durante os procedimentos judiciais.

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