A Polícia Civil de São Paulo descartou motivação política ou homofóbica na morte do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, espancado após participar de um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Santos, no litoral paulista.
Segundo os investigadores, o engenheiro foi vítima de um latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte. A conclusão foi apresentada pelo delegado seccional de Santos, Rubens Eduardo Barazal Teixeira, durante entrevista coletiva realizada na quarta-feira (28).
De acordo com a investigação, os suspeitos integravam um grupo que praticava roubos e furtos de celulares e correntes na região. Na mesma madrugada em que Marcelo foi agredido, os envolvidos teriam cometido pelo menos outros cinco crimes semelhantes.
A polícia informou que oito pessoas foram identificadas como suspeitas de participação no ataque, sendo seis adolescentes e dois adultos. Até a quarta-feira, três adolescentes haviam sido apreendidos.
Grupo transmitiu agressão pelas redes sociais
O crime aconteceu na madrugada de sábado (24), quando Marcelo acompanhava uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada em apoio à candidatura de Lula.
Em determinado momento, o engenheiro se afastou do evento para ir ao banheiro. Durante o percurso, foi abordado por integrantes do grupo criminoso, que o cercaram, roubaram seus pertences e passaram a agredi-lo.
Parte da violência foi transmitida ao vivo pela rede social TikTok. Um dos adultos identificados pela investigação seria o responsável pela conta utilizada para divulgar as imagens e teve a prisão temporária decretada.
Entre os adolescentes investigados está um jovem de 17 anos, praticante de boxe, suspeito de ter desferido o soco que derrubou Marcelo. Ele foi localizado no município de Itariri, no interior paulista, após fugir para a casa da avó.
Segundo a Polícia Civil, parte dos investigados já possuía antecedentes por atos infracionais relacionados a roubos e furtos. As autoridades continuam realizando buscas para localizar os demais envolvidos.
Engenheiro morreu após ser hospitalizado
Marcelo foi encontrado desacordado por amigos na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, depois de não retornar ao evento.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou a vítima à Santa Casa de Santos. Devido à gravidade dos ferimentos, ele foi transferido para o Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mas não resistiu.
O engenheiro cursava mestrado na Unifesp. Em nota, a instituição lamentou a morte e cobrou a identificação e responsabilização dos envolvidos.
A Polícia Civil segue investigando a participação individual dos suspeitos e orienta que outras pessoas vítimas de roubos ou furtos na região, naquela madrugada, procurem uma delegacia para registrar a ocorrência.