Nem todo filme de terror precisa seguir o caminho mais conhecido. Enquanto algumas produções apostam em sustos repentinos e criaturas familiares, outras encontram espaço para explorar o horror corporal, o medo psicológico e situações em que a própria realidade parece perder o controle.
Com o Halloween movimentando os cinemas, selecionamos cinco filmes que estão em cartaz no Brasil e oferecem experiências diferentes dentro do gênero. A lista passa por uma história de transformação física, uma ameaça sobrenatural, um surto de proporções assustadoras e outras formas de colocar o público em desconforto.
Filmes em cartaz
1. Cara-de-Barro (2026) — O horror de perder a própria identidade
Dirigido por James Watkins, Cara-de-Barro acompanha Matt Hagen, um homem cuja trajetória de ascensão é interrompida por uma transformação física devastadora. Desfigurado após se envolver com figuras perigosas de Gotham, ele passa a enfrentar uma realidade em que seu próprio corpo se torna parte do pesadelo.

O que chama atenção na produção é a aproximação entre o universo dos quadrinhos e o terror corporal. Em vez de apresentar apenas mais uma história de herói e vilão, o filme trabalha com deformação, identidade e perda de controle. O medo não está somente na aparência monstruosa, mas na experiência de deixar de reconhecer a si mesmo.
É uma proposta interessante para quem gosta de horror físico e histórias sombrias. A presença de um personagem conhecido da DC também dá outra dimensão à experiência, mas o que sustenta a curiosidade é justamente a possibilidade de enxergar esse universo por uma perspectiva mais perturbadora.
Onde assistir: Cinemas. Em cartaz em diversas salas brasileiras.
2. A Caixa do Demônio (2026) — Uma presença que não pretende deixar suas vítimas em paz
Dirigido por Daniel Stamm, A Caixa do Demônio acompanha Ellen, que, após a morte da mãe, muda-se para uma cidade pequena e acolhe o primo Winthrop, um veterano enigmático. A convivência acaba colocando os dois diante de uma entidade sobrenatural que passa a perseguir o rapaz.

O filme aposta no terror sobrenatural e na construção de uma ameaça que não pode ser enfrentada por meios convencionais. A presença de Carla Gugino ajuda a dar peso à história, enquanto o mistério em torno do primo funciona como motor para o conflito.
Não é necessariamente uma reinvenção do gênero, mas pode interessar a quem gosta de histórias de entidades, perseguições e tensão crescente. Seu ponto de partida está na pergunta sobre até onde alguém pode ir para proteger uma pessoa quando o perigo parece impossível de compreender.
Onde assistir: Cinemas, com sessões em número limitado.
3. Zona Zero (2026) — O medo de um surto sem controle
Dirigido por Yeon Sang-ho, o longa sul-coreano acompanha a professora Se Jeong durante uma conferência de biotecnologia que termina em desastre. Um vírus de rápida mutação é liberado, os infectados começam a se transformar e as autoridades isolam a instalação enquanto o surto se espalha.

O interesse está na combinação de terror de infecção, ação e sobrevivência. O isolamento transforma o espaço em uma armadilha, enquanto a ameaça biológica cria uma corrida contra o tempo. É um tipo de horror que trabalha com o medo de perder o controle de uma situação coletiva.
Yeon Sang-ho já demonstrou familiaridade com histórias de sobrevivência e criaturas, e aqui a proposta volta a explorar o comportamento humano diante de uma catástrofe. Para quem gosta de terror com ritmo acelerado e ambientes tomados pelo caos, é uma alternativa ao sobrenatural tradicional.
Os realizadores do longa também são responsáveis pela surpresa de 2016 “Invasão Zumbi” (ou “Busanhaeng”), que estreou no Festival de Cannes de 2016 e fez grande sucesso no ocidente.
Onde assistir: Cinemas, em exibição limitada.
4. Outra Mamãe (2026) — Quando o lugar mais seguro deixa de ser seguro
Dirigido por Rob Savage, o filme acompanha Bela, uma menina de oito anos que começa a enfrentar uma presença sinistra que surge de seu armário. A entidade, chamada por ela de “Outra Mamãe”, torna-se cada vez mais ameaçadora para a criança e sua família.

A ideia mais interessante está na maneira como o terror invade a intimidade doméstica. O armário, o quarto e a figura materna são elementos associados à infância e à proteção, mas a história transforma esses espaços e referências em fontes de insegurança.
Com Jessica Chastain no elenco, a produção aposta no horror psicológico e sobrenatural. É uma escolha para quem prefere o medo construído aos poucos, especialmente quando a ameaça se mistura à rotina e torna difícil distinguir imaginação de perigo real.
Onde assistir: Cinemas, com exibição em poucas salas.
5. Resident Evil (2026) — Sobreviver é apenas o começo
Dirigido por Zach Cregger, o novo filme acompanha um entregador encarregado de levar um pacote a um hospital remoto. A missão aparentemente simples se transforma em uma luta pela sobrevivência quando ele acaba no meio de um surto e precisa enfrentar criaturas mutantes.

A franquia Resident Evil já tem uma relação antiga com o horror de criaturas, mas a nova produção aposta em uma situação mais direta: um protagonista comum, um destino isolado e uma ameaça que cresce rapidamente. O resultado aproxima o filme do terror de sobrevivência e do horror corporal.
A premissa pode agradar tanto quem acompanha a franquia quanto quem procura um filme de ritmo intenso, com monstros e tensão constante. A ideia de um simples trabalho de entrega se transformar em uma jornada desesperada dá ao longa um ponto de partida fácil de acompanhar.
Onde assistir: Cinemas, em sessões limitadas.