O advogado Igor Veloso, pai de Gustavo Feitosa, de 3 anos, afirmou à Polícia Civil que passou cerca de seis horas dirigindo depois de perceber que o filho estava morto, antes de procurar as autoridades. Segundo ele, a demora ocorreu porque não sabia como comunicar a morte da criança à mãe, Sabrina da Silva Feitosa.
O relato foi apresentado em um novo depoimento divulgado pela TV Anhanguera. Questionado sobre o que fez durante o período, Igor disse que ficou circulando de carro e mencionou os conflitos anteriores que mantinha com Sabrina. “Eu não tinha o que dizer para a mãe desse menino, por isso eu saí”, afirmou.
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Caso Gustavo: morte de criança completa um mês e investigação avança
A morte de Gustavo ocorreu em 2 de agosto de 2026, na residência do pai, em Palmas, no Tocantins. A criança apresentava lesões em diferentes partes do corpo e sinais de violência sexual, conforme apontou o laudo do Instituto Médico Legal (IML).
Igor e a madrasta do menino, Kathellen Moreira da Silva, estão presos preventivamente. Os dois foram indiciados em setembro e se tornaram réus após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Pai admitiu agressões contra a criança
Durante o interrogatório, Igor reconheceu que agrediu o filho na noite em que ele morreu. Segundo sua versão, ficou irritado ao encontrar Gustavo na piscina da residência sem autorização, depois de a criança quase se afogar.
O pai contou que sacudiu o menino, fazendo com que ele batesse a cabeça contra uma parede. Em seguida, admitiu ter dado chutes e pisões nas costas e na barriga da criança.
Igor atribuiu as lesões identificadas pela perícia às agressões que confessou, mas negou ter cometido violência sexual. “Essas lesões foram dos chutes que eu dei, e eu não vou assumir uma coisa que eu não fiz”, declarou.
O laudo do IML apontou que Gustavo morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por ferimentos graves. Os exames também identificaram hematomas na cabeça e no intestino, além de laceração anal e sinais de violência sexual.
Madrasta relatou o que aconteceu na residência
Em depoimento, Kathellen afirmou que estava no quarto com a filha bebê quando ouviu barulhos vindos do cômodo onde Igor estava com Gustavo e outro filho, de 11 anos.
Segundo seu relato, ela tentou entrar no quarto, mas foi impedida pelo companheiro. A madrasta contou que, posteriormente, os dois discutiram por telefone e ela decidiu permanecer no quarto da bebê.
Na manhã seguinte, Kathellen disse que entrou no cômodo para buscar um medicamento e encontrou Gustavo deitado de lado. Ela afirmou ter percebido um movimento nos olhos da criança ao acender a luz, mas saiu do local.
A defesa da madrasta sustenta que ela não presenciou as agressões e afirma que Igor a impediu de entrar no quarto. Também alega que ela só soube da morte do menino no dia seguinte.
Entenda as acusações contra o pai e a madrasta
Igor Veloso responde por vicaricídio, estupro de vulnerável, tortura e fraude processual. Kathellen foi denunciada por vicaricídio, sob a acusação de omissão diante das agressões contra o enteado, e fraude processual.
O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido no contexto de conflitos entre Igor e Sabrina, mãe da criança. A investigação também apurou que os pais mantinham disputas judiciais desde 2023.
O caso aconteceu poucos dias depois de uma decisão judicial determinar que Igor pagasse pensão alimentícia ao filho.
As defesas dos dois apresentaram posicionamentos distintos. A defesa de Igor afirmou que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo. Já os representantes de Kathellen sustentam que ela não participou das agressões e que sua inocência será demonstrada na Justiça.
Os dois permanecem presos enquanto respondem à ação penal. A condição de réus não representa condenação, e ambos têm direito à presunção de inocência.