O crítico e produtor musical Solano Ribeiro de Faria morreu na madrugada deste sábado (31), aos 87 anos, em São Paulo. Considerado um dos nomes mais importantes da história dos festivais de Música Popular Brasileira (MPB) na televisão, ele estava internado em uma clínica, onde recebia cuidados paliativos após enfrentar o câncer em três ocasiões. A morte foi confirmada pela família.
Solano Ribeiro ficou conhecido por idealizar e organizar festivais que ajudaram a transformar a música brasileira nas décadas de 1960 e 1970. Sua atuação contribuiu para projetar artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Nara Leão e Geraldo Vandré. O velório foi marcado para este sábado, das 15h às 17h, em Vargem Grande Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo.
Quem foi Solano Ribeiro, produtor que marcou a história da MPB?
Solano Ribeiro foi um dos principais responsáveis pela consolidação dos festivais de música popular na televisão brasileira.
Nascido em 1939, ele iniciou sua trajetória artística no fim da década de 1950, quando estudou arte dramática e integrou a banda de rock The Avallons.
Também trabalhou como ator e participou do Teatro de Arena, em São Paulo, antes de direcionar sua carreira para a produção de programas musicais.
Em 1963, passou a coordenar a programação da TV Excelsior. A experiência abriu caminho para a criação de eventos que se tornariam fundamentais para a história da música brasileira.
Ao longo da carreira, atuou em produções das emissoras Excelsior, Record, Globo e Tupi, ajudando a transformar os festivais em grandes acontecimentos culturais.
Festival de 1965 ajudou a lançar Elis Regina
Um dos momentos mais importantes da trajetória de Solano Ribeiro aconteceu em 1965, quando produziu o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira, exibido pela TV Excelsior.
A competição foi vencida por Elis Regina, que interpretou “Arrastão”, composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
A apresentação se tornou um marco na carreira da cantora e ajudou a consolidar sua projeção nacional.
O evento também fortaleceu a expressão Música Popular Brasileira, cuja sigla MPB passou a identificar uma geração de compositores e intérpretes.
Mais do que competições musicais, os festivais criaram oportunidades para que artistas apresentassem suas composições a milhões de brasileiros.
Chico Buarque e Geraldo Vandré marcaram festival de 1966
No ano seguinte, Solano Ribeiro passou a produzir festivais na TV Record.
A edição de 1966 ficou marcada pela disputa entre duas canções que se tornaram clássicos da música brasileira.
De um lado estava “A Banda”, de Chico Buarque. Do outro, “Disparada”, composta por Geraldo Vandré e Théo de Barros e interpretada por Jair Rodrigues, Trio Marayá e Trio Novo.
As duas músicas dividiram o primeiro lugar da competição.
O resultado demonstrou a força de uma geração de artistas que utilizava os festivais para apresentar novas sonoridades e diferentes maneiras de retratar o Brasil.
A popularidade das apresentações também impulsionou a venda de discos e ampliou a presença da música brasileira na programação televisiva.
Festival de 1967 entrou para a história da televisão
Outro momento decisivo aconteceu em 1967, durante o terceiro Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record.
A edição reuniu artistas e composições que ajudaram a definir os rumos da música nacional.
A vencedora foi “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinan.
O festival também ficou marcado pelas discussões sobre a presença da guitarra elétrica na música brasileira, em uma época de disputas entre diferentes propostas artísticas.
Solano Ribeiro teve papel importante na organização desse encontro entre estilos e gerações.
Décadas depois, os acontecimentos daquela edição foram revisitados no documentário “Uma Noite em 67”, lançado em 2010.
O filme apresenta registros e depoimentos sobre os bastidores de uma das competições musicais mais conhecidas da televisão brasileira.
Produtor trabalhou em diferentes emissoras e festivais
A atuação de Solano Ribeiro não ficou restrita à TV Excelsior e à Record.
Ele também participou da realização do Festival Internacional da Canção de 1972, exibido pela TV Globo, e organizou o Festival Tupi de 1976.
Durante a ditadura militar, viveu um período na Alemanha, onde trabalhou com produção audiovisual e documentários.
Posteriormente, retornou ao Brasil e continuou envolvido em projetos de televisão e música.
Em 2000, voltou a trabalhar na organização de festivais na Globo. Cinco anos depois, participou da direção do Festival Cultura.
Sua trajetória atravessou diferentes períodos da indústria musical brasileira, desde os grandes programas de auditório até iniciativas voltadas à descoberta de novos artistas.
Solano Ribeiro também atuou no rádio e escreveu livro sobre festivais
Além da televisão, Solano Ribeiro participou da criação de projetos importantes no rádio.
Ele foi um dos sócios fundadores da Antena 1 e manteve atividades relacionadas à divulgação de novos talentos.
Desde 2006, apresentava o programa “Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil”, na Rádio Cultura de São Paulo.
A atração era dedicada à valorização de artistas e composições contemporâneas, preservando o interesse do produtor pela renovação da música brasileira.
Em 2003, lançou o livro “Prepare seu Coração: a História dos Grandes Festivais”.
Na obra, reuniu experiências e histórias dos bastidores das competições musicais que ajudaram a transformar a televisão e a indústria fonográfica do país.
Rádio Cultura lamenta morte do produtor
A Rádio Cultura prestou homenagem a Solano Ribeiro após a confirmação da morte.
Em manifestação pública, a emissora destacou a contribuição do produtor para a música brasileira e sua dedicação à apresentação de novos talentos.
Solano manteve vínculo com a rádio por duas décadas, período em que apresentou artistas de diferentes estilos e gerações.
Sua atuação foi especialmente importante por preservar a memória dos festivais e, ao mesmo tempo, abrir espaço para a produção musical contemporânea.
Qual foi a causa da morte de Solano Ribeiro?
Segundo informações confirmadas pela família, Solano Ribeiro enfrentou o câncer em três ocasiões.
Nos últimos tempos, estava internado em uma clínica de São Paulo, recebendo cuidados paliativos.
Esse tipo de assistência busca aliviar sintomas e oferecer conforto a pacientes que enfrentam doenças graves, considerando também suas necessidades emocionais e familiares.
A morte ocorreu na madrugada de sábado, 31 de outubro de 2026.
O velório foi marcado para acontecer das 15h às 17h, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo.
Legado de Solano Ribeiro permanece na música brasileira
A morte de Solano Ribeiro representa a perda de um profissional que participou diretamente da transformação da música popular brasileira em um fenômeno de televisão e de público.
Os festivais que ajudou a organizar revelaram artistas, impulsionaram compositores e apresentaram canções que atravessaram gerações.
Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Geraldo Vandré e outros nomes da MPB tiveram suas trajetórias marcadas por apresentações realizadas nesses eventos.
Além de preservar a história dos festivais em livros e documentários, Solano continuou incentivando novos artistas por meio do rádio.
Sua contribuição permanece associada a um período em que a televisão se tornou uma das principais vitrines para a música brasileira.