Guerra e combustíveis fazem mercado elevar previsão da inflação para 5,04%, acima do teto oficial

Reflexo do conflito entre EUA e Irã puxa os preços para cima pela 11ª semana seguida no Boletim Focus. Especialista da FGV alerta que pressão sobre o petróleo deve frear o ritmo de queda da taxa Selic.
Redação NC News
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A expectativa do mercado financeiro para a inflação do Brasil em 2026 rompeu o limite máximo estabelecido pelo governo. O Boletim Focus, pesquisa divulgada nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central (BC), elevou a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,92% para 5,04% neste ano. É a décima primeira semana consecutiva de revisão para cima.

O novo percentual estoura o teto da meta inflacionária perseguida pelo BC, que é de 3%, com margem de tolerância de até 4,5%. A principal força empurrando os preços para o alto vem do exterior: a escalada do conflito no Oriente Médio, que encarece os combustíveis, somada à alta recente dos alimentos no mercado interno — que já haviam pressionado o índice de abril.

Para Joelson Sampaio, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), a tensão geopolítica é o grande motor dessa piora nas estimativas.

“A projeção de aumento da inflação é decorrente principalmente do efeito dos conflitos, da guerra que existe hoje entre os Estados Unidos, o Irã e outros países envolvidos, que tem afetado muito o petróleo”, explica o economista. “Ele tem vários impactos, diretos e indiretos, na economia e em termos de pressão de preço, o que acaba trazendo desafios para a inflação no Brasil.”

Queda de juros em ritmo mais lento

Para tentar domar a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 14,5% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa sofreu um corte mais tímido, de 0,25 ponto percentual. O Focus projeta que a Selic encerre 2026 em 13,25%, mas o caminho até lá será mais cauteloso.

Segundo Sampaio, embora o mercado ainda espere cortes, o cenário global exige freio na empolgação. “O ritmo desacelerou, mas isso de alguma forma já está contemplado na ata do Copom. É uma redução que tende a ser arrefecida por conta dessa pressão de inflação que nós temos nos últimos indicadores, causada principalmente pelos conflitos entre EUA e Irã”, pontua o professor da FGV. O próximo encontro do Copom ocorre nos dias 16 e 17 de junho.

Crescimento e Dólar

Se a inflação preocupa o bolso do consumidor, a perspectiva para a atividade econômica apresentou uma leve melhora. Nesta edição do documento, as instituições financeiras elevaram a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 de 1,85% para 1,89%.

No mercado de câmbio, a estabilidade foi mantida: os analistas consultados pelo Banco Central estimam que o dólar encerre o ano cotado a R$ 5,17.

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