Mateus Simões no centro da crise: contrato de R$ 237 milhões envolve entidade criada por suspeito de vínculo com o PCC

Após dez dias sem manifestação pública sobre a prisão de um dos fundadores da Renapsi, governo mineiro suspendeu contrato milionário somente após repercussão nacional do caso. Nos bastidores, interlocutores apontam influência política de aliados do Palácio Tiradentes na articulação da contratação.
Redação NC News
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A decisão do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), de suspender o contrato de R$ 237,6 milhões firmado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) com a Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi) não encerrou a crise política em torno da contratação. Pelo contrário: ampliou os questionamentos sobre os critérios adotados para selecionar a entidade responsável pela execução de um dos maiores programas sociais do governo estadual.

O contrato previa a execução do programa Evolução Jovem, voltado à inserção produtiva de 10 mil estudantes da rede estadual em situação de vulnerabilidade social. A parceria foi assinada em março de 2026, ainda durante a gestão do então governador Romeu Zema (Novo), mas em um contexto de forte influência política do grupo que atualmente integra o núcleo do Palácio Tiradentes.

A suspensão ocorreu em 8 de maio de 2026, horas após reportagem da Folha de S.Paulo revelar que Adair Antônio de Freitas Meira, apontado como um dos fundadores da Renapsi, havia sido preso dez dias antes, em 29 de abril, durante a Operação Contaminatio, da Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras que, segundo investigadores, teriam relação com integrantes do Primeiro Comando da Capital.

A demora do governo mineiro em reagir ao caso passou a ser um dos principais focos de pressão política. Integrantes do próprio Executivo, sob condição de anonimato, relataram desconforto interno com o fato de a suspensão ter ocorrido somente após a ampla repercussão pública do caso.

“Até a reportagem ser publicada, o entendimento interno era de que não havia impedimento jurídico formal relacionado ao contrato. A mudança de postura ocorreu após o aumento da pressão política e da repercussão pública”, afirmou um interlocutor ligado ao governo.

Adair Meira é conhecido no meio político goiano por sua atuação empresarial e institucional. Ele preside a Fundação Pró-Cerrado e participou da fundação do Sistema Sagres de Comunicação. Sua prisão provocou repercussão nos bastidores políticos de Brasília e também em Minas Gerais.

Embora a Renapsi sustente oficialmente que Adair não possui cargo de gestão nem vínculo administrativo atual com a entidade, investigadores da Polícia Civil paulista afirmam suspeitar que ele mantenha influência sobre a organização.

Nos bastidores do governo mineiro, interlocutores também mencionam proximidade política entre Adair Meira e o ex-deputado federal Marcelo Aro, considerado uma das figuras mais influentes do grupo político ligado a Mateus Simões. Aro ocupou cargos estratégicos no governo estadual e ainda é apontado, por aliados e integrantes da administração, como um importante articulador político da atual gestão.

“Marcelo nunca aparece formalmente nas decisões administrativas, mas seu peso político dentro do governo é conhecido nos bastidores”, afirmou uma fonte ligada ao Executivo estadual.

A contratação da Renapsi, no entanto, já despertava questionamentos antes mesmo da operação policial em São Paulo.

Outro ponto ainda sem esclarecimento detalhado envolve a escolha de uma entidade sediada em Goiás para executar um programa social de grande escala em Minas Gerais. Representantes do terceiro setor mineiro questionam se organizações locais, com experiência consolidada em aprendizagem e assistência social, não teriam capacidade técnica para assumir o projeto.

Nota de esclarecimento do governo de Minas 

O Governador Mateus Simões determinou a suspensão de qualquer pagamento relacionado ao termo de parceria firmado com a entidade Renapsi (Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração), assim que tomou conhecimento dos fatos divulgados pela imprensa envolvendo o fundador da instituição. Determinou, ainda, que sejam adotadas as medidas para rescisão de qualquer contratação com a entidade.

O Estado também instaurou procedimento de due diligence junto à Controladoria-Geral do Estado (CGE) para apuração e avaliação do caso, com análise técnica e jurídica das informações relacionadas à entidade.

A administração estadual reafirma que acompanha o caso com rigor e adotará todas as medidas necessárias para garantir a legalidade, a transparência e a proteção do interesse público.

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