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Trump perde maioria no Congresso: democratas conquistam Câmara e Senado nos EUA

Oposição avança em estados tradicionalmente republicanos e muda o equilíbrio de poder em Washington; nova composição do Congresso assume em janeiro de 2027.
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Trump perde o controle da maioria no Congresso dos Estados Unidos após o Partido Democrata conquistar a Câmara dos Representantes e o Senado nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump, que perderá o apoio da maioria republicana nas duas Casas do Congresso a partir de janeiro de 2027.

A vitória foi confirmada por projeções eleitorais durante a madrugada desta quarta-feira (4). No Senado, o bloco democrata alcançou pelo menos 54 das 100 cadeiras, incluindo dois independentes alinhados ao partido. Na Câmara, os democratas ultrapassaram os 218 assentos necessários para garantir a maioria. A apuração de algumas disputas ainda estava em andamento.

As eleições, conhecidas como midterms, ocorreram na metade do segundo mandato de Trump e foram marcadas por preocupações dos eleitores com o custo de vida, a inflação e a guerra com o Irã. O resultado encerra a perspectiva de continuidade do controle republicano simultâneo da Casa Branca e do Congresso.

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Democratas vencem em estados tradicionalmente republicanos

Uma das principais surpresas da eleição foi o avanço democrata em estados que historicamente apoiam o Partido Republicano. A oposição conquistou pelo menos sete cadeiras no Senado que estavam sob controle republicano, incluindo disputas no Texas, Kansas, Iowa, Ohio, Maine e nas Carolinas do Norte e do Sul.

No Texas, James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1988. O resultado ganhou destaque porque Trump havia vencido no território por ampla margem nas eleições presidenciais de 2024.

No Kansas, Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall. O estado não elegia um democrata para o Senado desde 1932. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu uma disputa que também representou uma mudança importante no cenário político estadual.

A oposição também registrou avanços na Câmara dos Representantes e em eleições para governos estaduais, ampliando a dimensão da derrota republicana.

O que muda para Donald Trump com a vitória democrata?

A principal consequência será a redução da capacidade do presidente de aprovar projetos com o apoio de uma maioria parlamentar de seu próprio partido.

Com o controle das duas Casas, os democratas poderão bloquear ou modificar propostas do governo, influenciar a elaboração do orçamento federal e ampliar a fiscalização sobre as decisões da administração Trump.

A nova maioria também terá condições de comandar comissões parlamentares, convocar autoridades para prestar esclarecimentos e abrir investigações sobre atos do Executivo.

No Senado, os democratas passarão a controlar a análise de indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo integrantes do governo e magistrados federais.

Isso significa que Trump deverá negociar com parlamentares da oposição para avançar em iniciativas que dependam de aprovação legislativa.

A mudança também poderá ter reflexos internacionais. Antes da votação, o NC News explicou como uma vitória democrata poderia afetar a relação dos Estados Unidos com o Brasil, especialmente em questões comerciais, diplomáticas e de fiscalização das ações da Casa Branca.

Trump ainda terá poder de veto

Apesar da derrota nas urnas, Donald Trump continuará exercendo as atribuições constitucionais da Presidência, incluindo a possibilidade de vetar projetos aprovados pelo Congresso.

Antes das eleições, o republicano já havia sinalizado que poderia recorrer ao veto presidencial caso os democratas conquistassem o controle do Legislativo.

Para derrubar um veto, deputados e senadores precisam reunir uma maioria de dois terços dos votos em cada Casa, uma exigência superior à maioria simples necessária para aprovar diversas propostas.

O presidente também continuará responsável pela condução da política externa e pelo comando das Forças Armadas, embora o Congresso tenha poderes relacionados ao orçamento, à fiscalização e à aprovação de determinadas medidas.

A possibilidade de uma mudança no equilíbrio de forças já vinha sendo discutida antes da apuração. Em reportagem publicada na terça-feira (3), o NC News mostrou como as eleições americanas colocavam à prova o poder político de Trump e poderiam transformar o Congresso.

Quando os democratas assumem o controle do Congresso?

A nova composição do Congresso americano está prevista para assumir em 3 de janeiro de 2027, quando começa a legislatura eleita nas votações de novembro.

Até essa data, os republicanos continuarão controlando as duas Casas na composição atual.

Os resultados representam uma mudança importante para os dois últimos anos do mandato de Donald Trump, que termina em janeiro de 2029.

Com a apuração ainda em andamento em alguns estados e distritos, os números definitivos de cadeiras poderão sofrer alterações. O controle democrata das duas Casas, porém, já foi confirmado pelas projeções eleitorais.

A partir de janeiro, o principal desafio político em Washington será a relação entre um presidente republicano e um Congresso controlado pela oposição, especialmente em temas como orçamento, imigração, economia e política externa.

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