A Receita Federal estendeu até 30 de dezembro o prazo para que pessoas físicas e jurídicas ingressem na transação tributária dos editais RFB nº 9 e nº 10 de 2026, ao mesmo tempo em que intensifica a fiscalização de mercadorias ilegais em Minas Gerais e vê o ambiente digital favorecer negócios como a marca de bolos Doce Aquarella, que inaugura hoje uma nova loja em São Paulo.
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Como a prorrogação da adesão à transação tributária afeta os contribuintes?
O novo prazo até 30 de dezembro amplia a janela para que contribuintes usem a transação tributária como saída negociada para débitos em discussão administrativa na Receita Federal, incluindo tributos e contribuições previdenciárias recolhidas por DARF. Na prática, empresas e pessoas físicas ganham tempo para mapear seus processos, comparar cenários e decidir se vale aderir aos descontos e parcelamentos previstos nos editais RFB nº 9 e nº 10.
A medida atinge apenas créditos ainda sob administração da Receita — não alcança, por exemplo, débitos já inscritos em dívida ativa da União, que seguem sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Mesmo assim, o universo de contribuintes potencialmente beneficiados é amplo, sobretudo aqueles com autos de infração ou discussões recentes que ainda não viraram cobrança judicial.
Especialistas em tributos veem impacto direto no caixa das empresas: aderir à transação pode reduzir multas e juros, alongar pagamentos e evitar bloqueios de bens e contas em eventuais execuções fiscais futuras. Do lado do Fisco, a prorrogação tende a aumentar a adesão, antecipar receita e reduzir o volume de litígios, liberando estrutura hoje consumida em contestações administrativas prolongadas.
Quais os critérios para participar da transação tributária prorrogada pela Receita?
Para entrar na negociação, o contribuinte precisa ter débitos em discussão administrativa que se enquadrem em uma das modalidades previstas nos editais RFB nº 9 e nº 10 de 2026. Na prática, o passo inicial é consultar a situação cadastral junto à Receita — pelos canais de atendimento eletrônico, com CPF ou CNPJ — e identificar quais créditos estão em fase administrativa, separando-os de eventuais dívidas já encaminhadas à cobrança pela Procuradoria.
Depois, é necessário checar, nos próprios editais, se esses débitos podem ser incluídos, quais faixas de desconto se aplicam, quantas parcelas são permitidas e quais são as condições específicas (como manutenção de regularidade futura, desistência de recursos administrativos ou confissão de dívida). Empresas com diferentes tipos de tributos em disputa podem ter de aderir a mais de uma modalidade, sempre observando a compatibilidade com o edital correspondente.
Embora o prazo tenha sido ampliado, as demais regras da transação tributária permanecem inalteradas: quem não cumprir as condições de pagamento ou descumprir exigências formais pode ter o acordo rescindido e voltar a responder pelo débito integral, com encargos. Por isso, especialistas recomendam simulações de fluxo de caixa antes da adesão.
Como a Receita Federal fiscaliza estabelecimentos e combate produtos falsificados?
Paralelamente à agenda de negociação de dívidas, a Receita Federal realiza hoje a Operação Fronteira Receita Federal 2026 em Montes Claros, no Norte de Minas. A ação mobiliza 29 servidores do órgão e policiais militares em oito estabelecimentos dos setores de vestuário e eletrônicos, dentro de uma ofensiva nacional iniciada na terça-feira.
Segundo o auditor fiscal Michael Lopes Teodoro, responsável pela ação, metade dos locais vistoriados pertence ao mesmo empresário e vendia mercadorias piratas como se fossem originais. “Desses oito estabelecimentos fiscalizados, quatro são do mesmo proprietário. Reforçamos que esses estabelecimentos estavam vendendo produtos falsificados como se fossem originais”, afirma.
Até o momento, o valor das mercadorias retidas em Montes Claros supera R$ 1 milhão. A operação mira contrabando, descaminho e circulação irregular de mercadorias, e integra um esforço conjunto com forças como polícias Federal e Rodoviária Federal, Exército e Marinha em diferentes pontos do país, de portos e aeroportos a lojas de rua.
O impacto é imediato no comércio local: produtos irregulares saem de circulação, reduzindo o risco ao consumidor que compra itens sem garantia ou certificação, e aliviando a concorrência desleal sobre lojistas que recolhem tributos e trabalham com mercadorias regulares. Para os responsáveis pelos estabelecimentos flagrados, o próximo passo tende a ser a abertura de processos administrativos, multas e eventuais desdobramentos criminais.
Negócio de receita digital vira rede de bolos em SP
Enquanto o Fisco tenta equilibrar facilidades na negociação de dívidas e rigor na fiscalização, o ambiente digital segue abrindo espaço para negócios escaláveis voltados ao consumo imediato. Em São Paulo, a influenciadora Marcella Tranchesi inaugura nesta quarta-feira a quarta loja física da Doce Aquarella, no MorumbiShopping, após transformar receitas publicadas nas redes sociais em uma operação de bolos que funciona 24 horas por dia.
Desde a fundação, em 2024, a marca já ultrapassou 500 mil pedidos e reúne quase 100 funcionários. A empresa vende, em média, uma fatia ou um bolo inteiro a cada 15 segundos, apoiada em entregas rápidas via aplicativos como o Rappi, que em algumas regiões chegam em até dez minutos.
Marcella resume a lógica do negócio em uma frase: “Eu acredito no desejo imediato”. A proposta é atender tanto quem decide por uma sobremesa depois do almoço quanto quem lembra do bolo de aniversário em cima da hora. Segundo a empreendedora, o faturamento mensal mais do que dobrou desde o fim de 2025, puxado pela alta recompra — mais da metade dos clientes volta a comprar — e pela abertura de novos pontos físicos.
O caso da Doce Aquarella ilustra uma tendência que interessa ao Fisco e ao mercado: a profissionalização de negócios que nascem nas redes sociais, ganham escala com logística digital e, em seguida, migram para estruturas físicas maiores, com geração de empregos formais e aumento de arrecadação. Nesse cenário, o desafio para a Receita Federal é manter o equilíbrio entre instrumentos de regularização, como a transação tributária prorrogada até 30 de dezembro, e operações de campo como a de Montes Claros, que miram quem insiste em atuar à margem da lei.